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[Baú musical] Gilda - 1961 / 1996

12 dezembro 2017

O meu post de hoje, novamente, não é nada parecido com os que eu faço geralmente, mas é um que há tempos, mais precisamente desde que voltei da minha viagem à Argentina, eu queria fazer.

Quero falar sobre uma das minhas cantoras favoritas desde que me lembro da minha tia Marilza ter voltado do país onde ela viveu por 28 anos, lá em 2002.

Ela nasceu em 11 de outubro de 1961 na capital argentina Buenos Aires, bairro de Villa Devoto, sob o nome de Miriam Alejandra Bianchi.

Sendo filha de uma professora de piano e de um admirador de música que também era empregado municipal (aqui no Brasil, "funcionário público"), Miriam Alejandra, desde pequena, se viu entre música e dança, mas nunca deixou de ser uma aluna extremamente aplicada e até mesmo adiantada para sua idade, dado o quanto era inteligente. Tudo isso, somado, resultou em uma infância e adolescência, esta até certo ponto, muito felizes. Porém, a morte do pai, Omar, com a jovem tendo então dezesseis anos, mudou o rumo de sua vida, no que ela se viu obrigada a abandonar seus sonhos para trabalhar e ajudar a família que agora não contava mais com seu progenitor.

Aos dezoito anos, sua vida sofreu uma nova mudança: o casamento. Com o empresário Raul Magnín, seu primeiro marido, teve seus dois filhos: Mariel, nascida em 1980 e Fabrizio, nascido em 1981.


Miriam, agora uma jovem adulta, tinha de conciliar sua carreira de professora infantil e de educação física com a de mãe e esposa, no que, entre uma vida profissional estável e uma pessoal repleta de altos e baixos, permaneceu 12 anos com Raúl, no que o matrimônio acabou em 1991, o que fez a agora mulher de trinta anos voltar a morar com a mãe e os dois filhos ainda pequenos e trabalhar duro para manter a casa. Mas sem nunca ter esquecido um sonho que parecia remoto: o de seguir carreira artística. Embora ela já tivesse começado enquanto ainda era casada, o que acelerou o processo de separação, já que o marido não aceitava bem a ideia de sua mulher saindo para cantar.

Um sonho que encontrou uma oposição forte de Dona Isabel, que não exatamente achava agradável a ideia de a filha seguir carreira em um estilo de música até então dominado por homens: a cúmbia.

O que talvez a senhora Bianchi não imaginasse era que sua filha, dona de uma linda voz e um carisma que atravessou os últimos 21 anos, superando o tipo de mulheres que faziam sucesso nesse gênero, absurdamente belas e voluptuosas, como exemplo a também cantora Lía Crucet, seria uma das pioneiras da "Movida Tropical Argentina", movimento musical que colocou os ritmos populares "mano a mano" com aqueles considerados "melhores" por muitos.

(No teclado, ao fundo da foto, está Toti Giménez.)

Nessa nova carreira, iniciada depois de Miriam responder a um anúncio que pedia vocalistas para uma banda, conheceu Juan Carlos "Toti" Giménez, uma figura um tanto controversa no ponto de vista de muitos fãs (mas isso é assunto para outro post), que não apenas foi responsável por seu lançamento como cantora solo, mas também se tornou seu segundo marido. A partir desse momento, Miriam Alejandra Bianchi passou a ser conhecida pelo seu nome artístico: Gilda. (Nome que na realidade foi dado pelo empresário peruano José Carlos "Cholo" Oyala, do apelido de infância e adolescência da cantora, Shyll. Como vou resenhar aqui a biografia da cantora, explicarei melhor isso.)

Entre 1992 e 1996 foram quatro álbuns gravados e shows em vários países da América Latina (inclusive ela teve peruanos entre os membros do grupo), todos sempre lotados e repletos de sucesso, criando um gigantesco fenômeno popular. Que se tornou realmente conhecido apenas quando a cantora, no auge da carreira e planejando um novo vídeo clipe, faleceu em 07 de setembro de 1996, pouco antes de fazer 35 anos, junto da mãe Isabel, Mariel, a filha mais velha de então dezesseis anos, três músicos de sua banda e o motorista do ônibus onde viajavam, quando um caminhão colidiu frontalmente com o veículo onde pelo menos vinte pessoas estavam, em Villa Paranacito, na província de Entre Ríos.

Entre os sobreviventes do acidente encontram-se Toti Giménez e o filho caçula de Gilda, Fabrizio, então com quinze anos na ocasião. A trágica morte da cantora revelou um gigantesco fenômeno popular que ainda hoje perdura, sendo seu túmulo, no Cemitério da Chacarita, em Buenos Aires, um dos mais, senão o mais visitado entre todos. Além de pelo menos dois discos inéditos póstumos, incontáveis coletâneas e até mesmo os prêmios de Melhor Arista Tropical e Melhor Disco do Ano no Prêmio Carlos Gardel.

Além de um santuário localizado no local do acidente, a Rota Nacional 12, com direito ao ônibus acidentado conservado no local, e outro a pelo menos duas horas de Buenos Aires (pelo qual passei enquanto estava no começo da volta para Paso de los Libres rumo ao Brasil), visitados por milhares de pessoas todos os anos, que consideram a cantora uma santa milagrosa, fama essa que, segundo comentários, já vinha antes de seu falecimento. Se isso é verdade, não sei dizer, mas se não prova que Gilda, mesmo 21 anos após sua morte, não é um fenômeno, então me deem uma melhor explicação.

Tal é o sucesso de Gilda, mesmo póstumo, que em 2012 o jornalista Alejandro Margulis publicou a única biografia autorizada da cantora, Gilda, la abanderada de la bailanta (que vou resenhar aqui quando ler porque minha tia vai trazê-la para mim da Argentina) e em 2016, no vigésimo aniversário de seu falecimento, foi lançado o filme Gilda - No me arrepiento de este amor, uma cinebiografia estrelada pela também atriz, e também cantora, uruguaia Natalia Oreiro, que foi bem recebida pelos críticos e público (que vou assistir e comentar com certeza).

Al fin y al cabo, Gilda saiu da vida para entrar na história musical e nela irá permanecer para sempre.

Porqué Gilda Vive!

Ouça as músicas:

Spotify

Ou no próprio YouTube:

























Foto tirada por mim no Cemitério da Chacarita do jazigo da cantora, na galeria 24, onde também estão sepultadas a mãe e a filha dela:










Renata Cezimbra
Professora desempregada, leitora voraz,
escritora doida e vampiróloga amadora.
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