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[Precisamos falar sobre] As lições que aprendemos com Extraordinário

19 dezembro 2017


Na quinta-feira, dia 7 de dezembro, estreou no cinema o filme Extraordinário, adaptado do livro de mesmo nome, escrito por R. J. Palacio.

Confesso que ouço falar a respeito desse livro há muito tempo. Diversas pessoas que o leram se encantaram, se emocionaram e aprenderam muito com a história de August, um garoto de onze anos com uma deformação facial severa, e que vai pela primeira vez para a escola, saindo da proteção das asas de seus pais, e tem de aprender, nem sempre da melhor maneira possível,  as durezas que encontramos na vida relativamente a preconceito, exclusão, e também sobre as pessoas boas que encontramos no nosso caminho.

Admito que quando ouço um burburinho tão intenso em torno de um enredo, no geral eu não sinto vontade de lê-lo, e foi o que aconteceu com esse livro. Mas, agora, diante da estreia do filme, embora eu muito provavelmente não o assista agora, já que não sou tão fanática por adaptações cinematográficas, eu resolvi lê-lo. E, nas 320 páginas nas quais pude acompanhar August, pude me identificar muito com ele, visto que possuo deficiência visual, e muitas das cenas ocorridas com ele também foram significativas na minha vida. Dessa forma, tirei algumas lições da história de August, e resolvi partilhá-las com vocês.





1. Estou sendo cruel?

Algumas pessoas, ao se deparar com algo/alguém que se difere do que elas estão acostumadas, se tornam cruéis, e, nem sempre isso é proposital. Muitas vezes é só que elas não sabem como agir, ou reproduzem aquilo que veem os outros fazendo, imaginando que aquele é um comportamento aceitável. Isso não quer dizer que alguns não são cruéis propositalmente, pois esse grupo também existe, e muitas vezes, ele é maior do que imaginávamos. Mas, independentemente do tipo de crueldade, proposital ou não, isso dói, fere e machuca aquele que se depara com ela, e certamente essas atitudes não são nem um pouco favoráveis para que a pessoa consiga se sentir incluída verdadeiramente, por isso é sempre necessário uma atenção e um olhar para dentro de nós mesmos: será que eu estou sendo cruel com essa pessoa? O que posso fazer para mudar as minhas próprias atitudes?









2. Permita-se sentir

Quando temos de lidar com uma condição diferenciada, há alguns dias bons, mas, também não dá para fingir que os ruins não existem, pois eles existem sim, e em grande número, embora, é importante saber que estes também acabam, e que na próxima manhã toda esperança pode se renovar e podemos tentar novamente. Mas, o que não dá é para negar a existência desses dias. Alguns são tão difíceis que geram sentimentos de desistência, como podemos ver bem na história de August, e, embora tenhamos todo o apoio do mundo, às vezes o que precisamos mesmo é nos permitir sentir tudo que há para sentir naquele momento, para que mais tarde possamos nos sentir fortes novamente.









3. Por que não desistir?

Alguns dias, a única vontade que nos assola é a de desistir; sim, isso parece até um pouco pessimista, mas, na realidade é apenas uma única verdade. Como o comentário de cima já diz, alguns dias são muito ruins, e esses, deixam aquele imenso gosto amargo na boca de desistirmos e simplesmente nos conformarmos com a não realização de nossos sonhos. Mas, realisticamente, sabemos que desistir não é possível. Entendemos que quando desistimos de ultrapassar uma pedra aqui, outra maior pode surgir lá na frente, e que a desistência anterior só terá valido para gerar mais sofrimentos. Então, o importante é colocar um pé após o outro, respirar fundo uma e outra vez, e se permitir pensar no hoje, dizendo a nós mesmos "Hoje eu não desistirei", pois às vezes, isso já basta.









4. Ser comum é bom

Nem sempre o comum é ruim, na maioria das vezes, ele é o que algumas  pessoas mais desejam. No exemplo do menino August, sua deformação facial era o que o diferia dos colegas de escola, e, tudo o que ele mais desejava, em alguns dias, era ter um rosto comum. Não precisava ser bonito ou feio, apenas algo que o tornasse invisível em meio à multidão e não fizessem as pessoas o olharem duas vezes, com ares espantados e aterrorizados. Às vezes, queremos tanto o destaque, almejamos tanto algo grandioso, que não nos damos conta que muitas vezes o fato de termos o comum em nossas vidas é uma espécie de privilégio. Não entendemos, em nossas próprias ânsias por reconhecimentos, que algumas pessoas, ao contrário de receber atenção, querem se tornar invisíveis, e isso está tudo bem, desde que faça com que nos sintamos bem com nós mesmos.










5. Coragem que vem do medo

Nos momentos em que mais demonstramos coragem, às vezes é quando mais sentimos medo. Essa é uma frase até mesmo clichê, mas, extremamente verdadeira. Muitas vezes, quando dizemos que está tudo bem, na realidade, nada está. Quando dizemos que não sentimos medo, são aqueles momentos nos quais mais nos sentimos aterrorizados. No entanto, nos obrigamos a nos convencer de que não há nada de errado, para que consigamos enfrentar o desconhecido ou aquilo que tememos, pois se nos deixarmos vencer pelo receio, muito provavelmente nunca conheceremos novas coisas que podem vir a ser as melhores de nossas vidas.









6. Coloque-se no lugar das pessoas 

Por mais que nos coloquemos no lugar das pessoas, provavelmente só as compreenderemos verdadeiramente, quando passarmos por situações semelhantes. Com isso, não quero dizer que para compreender August, todas as crianças deveriam ter uma deformação facial como a dele, e sim, que demonstramos compreensão, dizemos para as pessoas que as entendemos, mas na realidade, apenas conseguimos imaginar como as coisas são realmente, e, na maioria das vezes nossa imaginação pode criar algo maior ou menor do que realmente é, por isso, é importante que não façamos da situação do outro algo muito maior do que realmente o é, ou não façamos algo muito menor, e não tentemos também nos basearmos em suposições, e sim devemos acompanhar o dia a dia, questionar a fim de compreender, entender e quando preciso ajudar.









7. A maior beleza é aquela que não se vê

Dê destaque para o que a pessoa é, e não para o que mostra a sua aparência: não é uma deficiência, uma deformidade ou a ausência de beleza que nos define. Não é somente o nosso exterior ou  a nossa aparência de riqueza, bondade ou qualquer outra coisa que mostra o que nós realmente somos e temos. Muitas vezes "o essencial é invisível aos olhos", como bem destaca O pequeno príncipe. Então, é importante que procuremos descobrir quais habilidades que uma pessoa tem, quais suas paixões, seus sonhos, seus planos, pois talvez ela possa lhe surpreender em relação a tudo que você ainda não descobriu sobre ela, e, na maioria das vezes, alguém como August, por exemplo, prefere muito mais ser reconhecido pelo que ele faz do que pelas características genéticas que ele recebeu.






Essas foram as principais reflexões que eu retirei de extraordinário, mas, certamente o livro traz muitas outras que acabam tocando cada leitor de uma forma. Então eu gostaria de ouvir vocês, leitores, o que mais lhes tocou em Extraordinário, tanto no filme quanto no livro?

Até a próxima!






Tamara Padilha
Leitora compulsiva com foco em quase todos os gêneros
(exceto os romances de época e ficção científica).
Apaixonada por escrita, e em breve bacharel em direito.
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