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[Resenha] Ligeiramente maliciosos - Por Mary Balogh

07 dezembro 2017


Título: Ligeiramente maliciosos
[Os Bedwyns #2]
Autor (a): Mary Balogh
Páginas: 288
Editora: Arqueiro

Sinopse: Após sofrer um acidente com a diligência em que viajava, Judith Law fica presa à beira da estrada no que parece ser o pior dia de sua vida. No entanto, sua sorte muda quando é resgatada por Ralf Bedard, um atraente cavaleiro de sorriso zombeteiro que se prontifica a levá-la até a estalagem mais próxima.
Filha de um rigoroso pastor, Judith vê no convite do Sr. Bedard a chance de experimentar uma aventura e se apresenta como Claire Campbell, uma atriz independente e confiante, a caminho de York para interpretar um novo papel. A atração entre o casal é instantânea e, num jogo de sedução e mentiras, a jovem dama se entrega a uma tórrida e inesquecível noite de amor.
Judith só não desconfia de que não é a única a usar uma identidade falsa. Ralf Bedard é ninguém menos do que lorde Rannulf Bedwyn, irmão do duque de Bewcastle, que partia para Grandmaison Park a fim de cortejar sua futura noiva: a Srta. Julianne Effingham, prima de Judith.
Quando os dois se reencontram e as máscaras caem, eles precisam tomar uma decisão: seguir com seus papéis de acordo com o que todos consideram socialmente aceitável ou se entregar a uma paixão avassaladora?
Neste segundo livro da série Os Bedwyns, Mary Balogh nos conquista com mais um capítulo dessa família que, em meio ao deslumbramento da alta sociedade, busca sempre o amor verdadeiro.


Resenha livro anterior: 



Olá leitores, esse é o segundo livro da série Os Bedwyns. Mas podem ficar tranquilos que esta resenha não possui spoilers do livro anterior. Até porque todos os livros são independentes, todos possuem início, meio e fim, sendo que cada um deles conta a história de um dos irmãos Bedwyn. É interessante ler na sequência sim, até porque temos vislumbres dos personagens dos livros anteriores, mas não é necessário. Sem mais delongas, vamos ao enredo:

Quem leu o primeiro livro, viu que Rannulf Bedwyn (ou Ralf, para os mais próximos) ia iniciar viagem a caminho da casa da avó porque esta alegara ter encontrado a esposa perfeita para Ralf. Pois bem, a caminho da casa da avó, em meio a uma chuva, Ralf encontra uma diligência que tombou devido ao tempo ruim e os passageiros estão empacados na estrada, aguardando a ajuda chegar.

A única coisa que Ralf pode fazer por esses viajantes é parar na cidade mais próxima e comunicar o ocorrido para que enviem outra diligência para resgatá-los. No entanto, ele pára para avisar que enviará ajuda e é neste momento que repara em uma ruiva esbelta em meio aos passageiros da diligência tombada e, não resistindo, oferece-lhe para levá-la em sua montaria.

Judith, por sua vez, estava a caminho da casa de sua tia quando a diligência na qual viajava tombou. Eis que surge um cavalheiro, e faz a oferta de levá-la em seu cavalo. Como filha de um reverendo, Judith deveria sentir-se ultrajada e negar a proposta de pronto, mas como negar a oportunidade de viver uma aventura, sendo que provavelmente nunca mais terá essa chance?

O caso é que, devido aos excessos do irmão de Judith, sua família está praticamente falida. E, não vendo alternativa, o pai de Judith decide enviar uma de suas filhas para a casa da irmã, Louisa, para assim aliviar um pouco as despesas da casa. Judidh se oferece para ir, pois já não é tão nova, e, como é a menos bonita entre as irmãs, tem menores chances de casar-se. 

Judith sabe muito bem qual será seu destino: ela será basicamente uma empregada de luxo na casa da tia, e provavelmente não haverá mais espaço em sua vida para sonhos e diversão. Então, que mal faria viver uma primeira e última aventura com aquele cavalheiro desconhecido? É com esse pensamento em mente que Judith aceita a proposta de Ralf e sobe em seu cavalo.

Finda a breve aventura, os dois seguem seus respectivos caminhos esperando nunca mais encontrarem-se novamente. No entanto, ambos não esperavam que a pretendente a quem a avó de Ralf se referira fosse a prima de Judith, a Julianne. E, contrariando todos os próprios desejos, Ralf promete à avó que, dessa vez, realmente dará uma chance à garota e considerará seriamente cortejá-la e propô-la casamento.





Eu sempre sinto dificuldades em resenhar continuações de séries, especialmente se tratando de romances de época. Parece que estou sendo repetitiva, mas vou fazer de tudo para dar o meu melhor aqui.

Quem leu minha resenha sobre o primeiro livro talvez tenha percebido que dei 5 estrelas para ele e 4 para esse. Isso aconteceu por dois motivos. O primeiro é que achei esse livro um pouquinho mais arrastado. Na minha opinião, demorou demais para as coisas começarem a acontecer. Sim, eu também não gosto de romances instantâneos, nos quais os protagonistas se vêem pela primeira vez e já se apaixonam perdidamente. Mas acho que a autora poderia ter encontrado um meio termo aqui.

"Sempre farei tudo o que estiver ao meu poder para mantê-la a salvo de qualquer mal, de qualquer infelicidade. - Ele tentou sorrir, mas não teve grande sucesso. - Mesmo que signifique me retirar de sua vida e nunca mais vê-la novamente."

O outro motivo é que a autora relata uma situação de estupro no decorrer da história e a vítima se culpa pelo ocorrido. Sei que se trata de um romance de época e que esse não era o foco da autora, mas ela poderia ter trabalhado melhor essa questão na personagem. Até porque, até mesmo hoje, é comum ser atribuída culpa à vítima nesses casos, tanto pela sociedade, quanto pela própria vítima. Deixando claro que a autora não corrobora com a opinião de que a vítima é a culpada, só acho que o assunto deveria ter sido melhor trabalhado. 

Entretanto, foram somente esses os pontos negativos que encontrei no livro durante a leitura. Então bora falar dos aspectos positivos.

"Rannulf sabia que, apenas algumas semanas antes, Judith teria ficado profundamente envergonhada por ser vista daquela maneira, em toda sua glória viva e voluptuosa. Mas naquele dia, ela o encarou de volta, a cabeça erguida com orgulho, um leve sorriso nos lábios, o rosto enrubescido. Era linda, mulher e deusa, de tirar o fôlego, e finalmente se aceitara como era."

Desde que se entende por gente Judith é obrigada pelos pais a esconder o máximo possível os cabelos ruivos e o corpo curvilíneo, coisa que não acontece tanto com as suas irmãs. Em decorrência disso Judith sempre se achou feia e pensava que os pais tinham vergonha da sua aparência, até porque sua mãe dizia que “seus cabelos eram da cor de uma cenoura” e seu pai dizia que na verdade “eram da cor do próprio demônio”.

"Era filha do reverendo Jeremiah Law, cujas expectativas do mais estrito decoro e moral em relação a seu rebanho só eram excedidas por suas expectativas em relação às próprias filhas... principalmente ela."

Quando chegou à casa da tia, essa crença somente foi corroborada pela tia que dizia que ela tinha corpo de meretriz e fazia ainda mais questão de esconder seu corpo do que seus pais. E eu achei interessantíssimo acompanhar a mudança da visão que Judith tinha de si mesma ao descobrir, aos poucos, que na verdade ela era linda e os pais não queriam que ela atraísse atenção masculina indesejada e a tia não queria que ela tirasse a atenção da prima, Julianne, que estava em busca de um marido. É incrível como a baixa autoestima pode afetar a vida de uma pessoa, e a autora soube trabalhar isso muito bem. 

"Parecia alguém que subira para a liberdade, longe de todos que poderiam ter lhe imposto padrões de beleza e decoro. Ela era uma mulher orgulhosa e obstinada, embora, por mais paradoxal que pudesse parecer, tivesse muita pouca confiança em si mesma. Toda confiança fora esmagada por pais repressores, que sem dúvidas tinham boas intenções, mas fizeram um grande mal à filha que era o cisne entre os outros patos."

E aqui está outro ponto muito interessante abordado pela autora: todos culpavam Judith e seu corpo curvilíneo “de meretriz” pela atenção masculina que ela atraia (e olha que ela fazia isso de forma inocente e sem perceber) enquanto os homens com seus olhares lascivos sempre saiam impunes. 

"O problema para mulheres belas e voluptuosas como Judith Law devia ser que os homens quase sempre as olhavam com luxúria, e talvez nunca vissem a personalidade por trás da deusa."

Quanto aos demais personagens, Judith estava totalmente certa quando às expectativas da tia em relação a ela: Judith estava sendo acolhida para servir basicamente como uma empregada de luxo. O lado bom é que ela foi designada para ser acompanhante da avó, que, apesar de dar algum trabalho, com certeza é a melhor pessoa da casa e terá um papel importante na história. 

A tia Louisa e a prima Judith são fúteis e superficiais e basicamente desempenham os papéis de madrasta e irmã más em uma releitura de Cinderela. Temos também o irmão de Judith, lembra? Aquele que foi responsável pela quase falência da família? Então, ele também fica na casa da tia, mas na condição de hóspede. 

"Mas os pais, ela supunha, não eram os pináculos da perfeição que os filhos esperavam que fossem. eram seres humanos que costumavam fazer o melhor que podiam, mas que, com frequência, faziam escolhas erradas."

E, claro, temos o Ralf. Lembram que ele tinha a intenção de dispensar a pretendente encontrada pela avó da maneira mais rápida e educada possível? Então, ele não faz isso porque encontra a avó doente e claramente debilitada, e fica obvio para ele que ela não tem mais muito tempo de vida. E a mudança que isso causa em Ralf é uma delícia de acompanhar: ele repensa todo o seu estilo de vida libertino e percebe que se não mudar, colocará a perder todo o legado deixado pela avó.

No que diz respeito à narrativa da autora, é uma das melhores que já encontrei no gênero: ela consegue fazer uso de expressões que remetem ao período em que os eventos narrados se passam ao mesmo tempo que matem uma linguagem atual e extremamente fluída. Como li em formato digital, não tenho muito o que falar dos aspectos físicos do livro. Mas logo menos terei, já que aproveitei a Black Friday e comprei a coleção em formato físico. 

- [...] Essa foi a grande surpresa desses últimos dois meses: o amor não é físico, mental ou emocional. É maior que qualquer uma dessas coisas. É a verdadeira essência da própria vida, não concorda? Esse grande mistério que não se pode expressar, que passamos a compreender melhor através da descoberta do seu amado."

Acho que deu para perceber que é uma leitura que vale a pena se você gosta do gênero, não? O livro traz algumas reflexões importantes de forma leve, que poderiam até passar mesmo despercebidas a um leitor que estivesse buscando somente entretenimento no momento da leitura, o que prova que um livro não precisa ser um constante tapa na cara para fazer o leitor refletir. 

Espero que tenham gostado da dica.
Fiquem de olho que logo tem mais!







Barbara M. Cabalero
Advogada, concurseira e apaixonada por livros desde criança.
Meu gênero favorito é fantasia, mas sou bastante eclética,
leio quase todos os gêneros.
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19 comentários:

  1. Olá seu blog é muito lindo e eu estou apaixonada!!
    Eu li esse livro a algum tempo e eu amei muito, foi meu primeiro contato com a autora e foi uma surpresa muito boa, a Judith é linda!

    Beijos
    https://florescendolivros.blogspot.com.br

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  2. Oi!
    Eu ainda não li esse livro, apesar de ele já estar na minha lista há algum tempo. Sou apaixonada por romances de época e tenho certeza de que vou adorar o enredo. Sua resenha ficou bastante detalhada e muito bem escrita, parabéns!
    Beijos

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  3. Ooi!
    Antes eu não suportava romances de época, mas desde que comecei a ler os da Quinn, passei a gostar. Hoje amo o gênero e sou louca pra ler essa série. ❤️ Espero ter a oportunidade em breve.

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  4. Oi Barbara.

    Eu ainda não oportunidade de ler essa história, mas concordo com você, um livro não precisa ser um constante tapa na cara para fazer o leitor refletir.Acho que qualquer gênero traz algo para o leitor refletir se ele desejar que seja dessa maneira. Eu tenho poucos livros de romances de época aqui em casa e sua resenha deixou minha curiosidade ainda maior pela série. Vou tentar adquirir o mais breve possível para conhecer melhor a história. Parabéns pela resenha.

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  5. Olá!
    Ainda não li nada da Mary, mas quero muito mergulhar nesses romances de época, achei esse tema de autoestima muito legal pra ser tratado na história. Confesso que fiquei bem curiosa pra conhecer a Judith.

    Beijos!

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  6. Oi tudo bem? Comecei a ler romances de época há pouco tempo mas já estou muito apaixonada e viciada no gênero. Esse com certeza irá para minha wish list. Muito obrigada pela dica e parabéns pela otima resenha
    Bjs

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  7. Olá!!

    Adoro romance de época, mas acabo pecando e lendo pouco o gênero. Pretendo melhorar isso em 2018 e sua dica só me ajudou a fortalecer essa vontade. Fiquei bem curiosa para conferir essa história (começando da primeira).

    Beijos e Sucesso

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  8. Gosto quando o livro é de uma série, mas pode ser lido independentemente, não é sempre que conseguimos todos os livros.
    O enredo parece ser uma delicinha, daqueles de nos fazer sorrir e suspirar. Só não gosto de descrições desnecessárias, porque acontece oque mencionou, a leitura se arrasta, aí sou obrigada a pular trechos rsrs e eu pulo mesmo kkk
    Gostei de conhecer o segundo livro, vou dar uma passadinha na resenha do primeiro livro.

    Beijos.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com/

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  9. Entendo a questão que você aborda, mas realmente naquela época as mulheres eram julgadas por chamarem a atenção, o que na verdade acontece até hoje em diversas culturas, o que não tem nada a ver porque é um ritual bem machista. Eu amo esta saga, mas tem uns melhores que outros.

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  10. Olá!
    Adoro a escrita da Mary Balogh, sabe que já até acostumei com esse tanto que algumas autoras descrevem nas suas tramas. Ainda não terminei essa série, parei no penúltimo livro. E ao longo dos volumes percebi que tenho gostado mais das histórias dos Bedwyns, espero que o final seja bom e empolgante.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  11. Oi tudo bem?
    Adoro o livro que leva a uma boa trama e tem autos e baixos emocionais, e esse foi um deles que deixou assim kkkkk, essa série é fabulosa a descrição que a autora faz nos deixa com gostinho de quero mais, sua resenha me deixou encantada parabéns! Bjs

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  12. Oi.

    Eu quero muito ler essa série. Tem tantos livros que eu quero ler, que eu não sei como farei para ler todos. Esses já esta na minha lista, mas ainda não consegui comprar nenhum. As vezes vejo eles no sebo, mas nunca encontro o primeiro livro. Vou tentar comprar agora Em 2018. Espero conseguir ler no próximo ano.

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  13. Oie, tudo bom?
    Cara, também sinto dificuldade de resenhar continuações! rs
    Mas fique tranquila, sua resenha ficou linda e me deixou morrendo de vontade de ler essa série (mais uma série de época pra lista, ah, céus!) haha

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  14. Nunca li nada da autora e com certeza não foi por falta de indicações e elogios. Apesar de adorar romances, li pouquíssimos históricos e acho que quero entrar de cabeça neste gênero por esta serie. Acho que vou adorar, do primeiro volume ao ultimo!!! Espero poder fazer isso em breve.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  15. Olá ♥
    Tenho uma certa curiosidade em volta desses livros, acho bem bacana a premissa, mas algo que você citou que me incomodou é o romance repentino,gosto de romance mais explorando aquele que realmente arranca suspiros e que encontramos justamente em romances de época, mesmo assim é um livro que ainda estou curiosa para fazer a leitura.
    Beijos!

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    1. Oi.
      Eu até voltei a resenha, pois talvez tenha me expressado mal. Mas na verdade o romance demora um pouco até demais para acontecer nesse livro. Eles vivem uma aventura no começo, uma aventura de dois dias, mas ambos sabem que tem prazo para acabar e que seria somente uma aventura. Quando eles se reencontram demora bastante para o romance acontecer de verdade.
      Obrigada pelo comentário.
      Beijos.

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  16. Oi
    Eu sou suspeita para falar desse livro pois sou apaixonada por ele, alias por toda a série.
    Ate o romance deles eu amei,pois tudo tem um significado.
    Beijos

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  17. Oi!
    Eu li somente um livro dessa série e gostei bastante da escrita da autora, apesar de achar a história um pouco arrastada em alguns pontos (o que eu li foi o livro 3).
    Mas ainda assim tenho muito carinho pelas personagens e o romance que é bem fofo e acontece aos poucos.
    Espero poder ler o resto da série esse ano

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  18. Olá tudo bem, adorei a premissa e resenha, claro que preciso ler o primeiro livro, mais estou louca pra dar chances de leitura nesse gênero, beijos!

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