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[Resenha] As cores do entardecer - Por Julie Kibler

12 janeiro 2018


Título: As cores do entardecer
Autor (a): Julie Kibler
Páginas: 352
Editora: Novo Conceito
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 Sinopse: A sonhadora Isabelle e o determinado Robert desejavam, com todas as suas forças, se entregar à paixão que os unia. Mas uma jovem branca e um rapaz negro não poderiam cometer tamanha ousadia em plena década de 30, em uma das regiões mais intolerantes dos Estados Unidos, sem pagar um preço muito alto.
Diante dos ouvidos atentos da cabeleireira Dorrie, a história do amor trágico e proibido se desdobra, enquanto mudanças profundas se instalam em sua própria vida.
Com personagens humanos e, por isso mesmo, memoráveis, As Cores do Entardecer mostra que as relações afetivas muitas vezes são mais profundas que os laços de sangue. A cada etapa da viagem de Isabelle e Dorrie, as lições sobre otimismo e fé se multiplicam.

"É engraçado como às vezes se encontra uma nova amiga - nos lugares mais normais - e quase que imediatamente vocês podem falar de tudo. Mas, com maior frequência, após o primeiro fulgor, vocês descobrem que na verdade não têm nada em comum. Com outras pessoas, acha que nunca passarão de conhecidas. Vocês são tão diferentes, afinal. No entanto, a coisa pega você de surpresa, durando mais tempo do que se esperava. Você passa a contar com isso e essa relação vai reduzindo as barreiras, pouco a pouco, até você se dar conta de que conhece aquela pessoa melhor do que qualquer outra. Vocês se tornaram amigas de verdade."

Miss Isabelle era uma senhora de noventa anos que passava a maior parte dos seus dias solitária. Uma de suas únicas companhias era Dorrie, a cabelereira que ela conhecera a dez anos em um salão de beleza, e que após certo tempo passara a atendê-la todas as segundas-feiras à domicílio, e Ambas mantinham uma relação cordial, distraindo-se semana após semana com as conversas nas quais embarcavam, principalmente por parte de Dorrie, que relatava para a senhora as peripécias de seus filhos adolescentes, de seu ex-marido e também de suas tentativas de relacionamento. No entanto, certo dia, ao chegar na casa da cliente, Dorrie se depara com um pedido inusitado: Miss Isabelle pede que a cabelereira a acompanhe até uma cidade a mais de mil quilômetros de distância de onde moram, e revela, sem mais detalhes, que elas estariam indo à um funeral. Com o intuito de ajudar aquela que considera uma amiga, e também para fugir do caos que parece estar sua casa com seus diversos problemas, Dorrie aceita, e ambas embarcam em uma viagem que já tem um início difícil, devido aos diversos preconceitos que surgem no caminho por Isabelle ser uma mulher branca e Dorrie negra, portanto as pessoas parecem pensar que ambas não podem se relacionar como amigas.





"Mas ainda há tanta coisa que Dorrie não sabe. Coisas que ninguém sabe. Se eu fosse contar para alguém, provavelmente seria para ela. Seria para ela, com certeza. E acho que chegou a hora. Mais do que em qualquer outra pessoa, confio nela para não me julgar, não questionar o modo como as coisas aconteceram e como tudo terminou.
Então aqui estou eu, pedindo a ela que me conduza do Texas até Cincinnati, atravessando metade do país, para me ajudar com minhas questões. Não sou orgulhosa demais para admitir que não consigo fazer isso sozinha. Já faço o bastante por conta própria, sozinha, desde que seja capaz de me lembrar.
Mas isso? Não. Isso eu não consigo fazer sozinha. E também não quero.”

A partir daí, Miss Isabelle começa revelar para a única amiga a sua grande história de vida, aquela que manteve escondida por muitos anos, e que também envolvia uma relação que teve diversos problemas devido aos preconceitos raciais e que tem relação com a pessoa do funeral. É então que Dorrie é levada ao início da década de 40, quando Miss Isabelle era apenas uma garota ingênua, filha de um médico conhecido e respeitado na pequena cidade onde moravam. Cidade esta que enquanto respeitava e idolatrava o médico e sua família, por outro lado desprezava com todas as suas forças os negros, que eram proibidos de até mesmo vagar nas ruas daquele local durante a noite, pois a sociedade acreditava que eles ofereciam grandes riscos, e dentre esses desprezados estava Robert, um rapaz simples, trabalhador e sonhador, que se tornou o grande amor da menina Isabelle, que lutou intensamente por essa paixão em meio a um mar de intolerância e preconceitos, luta esta que deixou marcas eternas naquela mulher.

"Passados uns minutos, eu disse: - E a senhora, Miss Isabelle, não teve um amor dos tempos de escola? Seu marido, foi ele o seu amado? - Eu sabia que as pessoas na época dela costumavam se casar cedo e ficar casadas a vida toda. Será que os homens eram diferentes antigamente ou as mulheres é que eram mais pacientes com eles quando agiam como idiotas?
A resposta dela foi um longo suspiro. E pareceu tão cheio de dor. Uma dor de encher o peito e doer as costelas, maior que a vida. Senti que havia dito algo errado, mas não tinha como voltar atrás.
Ela virou uma página da revista de palavras cruzadas e continuou preenchendo as respostas como se sua vida dependesse disso. Enfim, ela disse: - Meu primeiro amor... Aí, sim, tem uma história.
Tudo começou e terminou com um vestido de velório."

As cores do entardecer é uma história linda, tocante e que transmite, com toda propriedade, as dores e intolerâncias que são geradas por um preconceito imotivado, e nos leva a refletir e a nos emocionar em igual medida, enquanto vamos descamando a história de duas mulheres que são diferentes e ao mesmo tempo tão iguais.

""- Eu não sei como fazer isso, Isabelle. Não posso prometer nada além da próxima carta ou do próximo encontro. Você sabia, quando me enviou aquele primeiro bilhete mesmo depois que eu lhe disse para se afastar de mim, que tudo o que poderia lhe oferecer era o presente. O momento que nos é dado. Isso é tudo com o que sempre pudemos contar."






Quando comecei As cores do entardecer, eu não possuía a menor noção do quanto esta história me tocaria, ou do quanto ela permaneceria noites a fio em minha mente, reverberando com suas lições tristes, reais e em alguns momentos até mesmo belas. Mas, foi exatamente isso que aconteceu, e agora, ouso dizer que foi um dos livros mais incríveis que li a respeito de preconceito racial, e também um dos mais crus e realistas.

Esse livro traz para o leitor um intenso sentimento de pertencimento. Sim, em primeiro lugar pertencimento ao cenário, pois é extremamente bem construído, e conseguimos imaginar de forma bastante detalhada tudo que nos é descrito, e em todas as vezes que a autora voltava ao passado, nos anos de 1940 e seguintes, eu sentia que conhecia todos os locais, pessoas e objetos dos quais ela falava. Em segundo lugar o sentimento de pertencimento que tive não deveria existir, mas existe, pois é um sentimento de pertencer à mesma sociedade preconceituosa que existiu na juventude de Isabelle, e que existe ainda hoje, o que é provado pelo momento presente no livro, onde Dorrie e Isabelle sofrem diversos preconceitos e até mesmo olhares de nojo ou ódio, por estarem juntas e terem cores diferentes, e também quando mostra o passado de Isabelle que teve um amor tão conturbado somente por causa da diferença de cores, e isso também é provado pois todos os dias em nossa própria realidade esses preconceitos são completamente reais e escancarados e mesmo com toda a evolução social pela qual passamos desde a juventude de Isabelle, esse não é algo que deixou de existir.

Há diversos fatores que contribuem para o conjunto dessa obra ser "perfeito", ouso dizer, e o primeiro deles é essa descrição que nos insere dentro da obra e nos faz sentir tudo que cada personagem sentiu. Além disso, é um enredo bastante diferente dos romances a que estamos habituados, contando-nos uma história que já aconteceu, e que não tem mais como ser mudada, e, dessa forma, o sentimento que mais predomina é o de nostalgia. Ainda, eu tenho uma verdadeira queda por tudo que diz respeito às décadas de 1920, 1930 e 1940, e o fato de o livro se passar nessa última foi deliciosa para mim, e eu adorei as idas e vindas entre o passado e o presente, e admito que cada vez que estávamos em um momento, eu queria saber do outro momento, pois ambos, passado e presente, são deveras intrigantes e conseguem nos prender de uma forma incrível.

Ainda, vale dizer que as personagens desse livro são incríveis, principalmente as protagonistas Dorrie e Isabelle. Dorrie é uma mulher que se tornou mãe muito nova, e interrompeu parte de seus sonhos para viver um dia de cada vez em sua vida real. É uma pessoa que sofreu bastante, e que pouco ousa sonhar, com receio de que tudo dê errado novamente. Dorrie é aquele típico exemplo de mãe-heroína, por criar os filhos na maior parte do tempo sozinha e por fazer o melhor possível com o que tem. Já Isabelle é uma mulher que também possui uma história dolorosa que é muito bem escondida por sua vida silenciosa e solitária, mas, quando esta começa vir à tona, encontramos uma mulher que já viveu muito e que possui uma força incrível e um amor do tamanho do mundo. Temos ainda personagens secundários como Robert e Teague, dois homens admiráveis e muito diferentes um do outro, mas que nos marcam intensamente e são grandes exemplos.

Preciso dizer que quando comecei essa história, imaginei qual seria o desfecho e não ousei esperar algo tão diferente. No entanto, o meio do caminho trouxe fatos que me surpreenderam, e que serviram para me deixar apreensiva pelos personagens e me deixaram com o coração acelerado. O final, apesar de completamente nostálgico, e apesar de ter me arrancado algumas lágrimas, foi o mais adequado e não haveria algo mais lindo que pudesse acontecer para fechar essa obra maravilhosa com chave de ouro.

Arrisco dizer que esse é o tipo de livro que irá mexer com a emoção da maioria dos leitores. Contudo, caso você não esteja na vib de livros mais melancólicos e nostálgicos, talvez deva deixá-lo para depois. Ainda, caso você seja o leitor que ama romances fofos e com finais perfeitos, certamente nessas páginas talvez você não encontre exatamente isso.

O livro é narrado em primeira pessoa, e na maioria das vezes os quarenta e três capítulos se alternam, sendo um de Isabelle e um de Dorrie em quase todo o livro. Além disso, temos um paralelo sendo que algumas cenas se passam no momento atual, e outras voltam a 1940 e os anos subsequentes, trazendo o relato das lembranças de Isabelle, mas tudo é muito bem sinalizado e não há confusão entre os tempos. Também, cabe destacar que realizei a leitura em ebook e a edição está muito bem revisada.

Recomendo para os leitores desejosos de conhecer uma história única, especial e tocante. É uma obra que fala de preconceitos, tristeza e dor, mas também aborda com perfeição o amor, a família, os sonhos, a esperança, a fé e a amizade de uma maneira fascinante e emocionante.






Tamara Padilha
Leitora compulsiva com foco em quase todos os gêneros
(exceto os romances de época e ficção científica).
Apaixonada por escrita, e em breve bacharel em direito.
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20 comentários:

  1. Oie, tudo bem?
    Não duvido que esse livro tenha sido como um tapa, uma época tão difícil e a situação deles mais ainda, porém nada é impossível para o amor né?
    Você já leu O sol é para todos? Ele também trata de preconceito numa época difícil dos Estados Unidos, é um dos melhores livros que já li na minha vida, se não conhece, fica como dica.

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  2. Eu imagino que deve ser uma leitura única, mesmo.
    Não conhecia e fiquei com vontade de ver o desfecho dessa história.

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  3. Oieee
    Que legal esse livro ser único e trazer mensagens tocantes, com certeza trata de assuntos presentes até hoje infelizmente. Adorei sua resenha muito tocante.

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  4. Eu sempre vejo essa obra na Amazon e sempre considero se devo compra-la ou não, não imaginava que a história fosse tão tocante assim, creio que eu vá passar grande parte dela chorando. Preconceito é um assunto bastante pesaroso para mim. Adorei sua resenha, foi muito esclarecedora.

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  5. A história deve ser emocionante, ainda mais por tratar de um tema tão importante quanto racismo.
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

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  6. A resenha já é tocante, então fico imaginando a estória toda. Parece conter um carga dramática bem forte, ainda mais quando pode mexer com nossas emoções, para ser uma rica leitura. Não conhecia o livro, mas anoto a dica.

    Aproposito, o novo layout está ficando uma graça, parabéns.

    Beijos.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/

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  7. Obrigada pela resenha - muito bem escrita e detalhada (gosto de resenhas assim, que realmente dizem o motivo pelo qual o livro é bom ou ruim).
    São poucos os livros sobre preconceito racial que realmente chegam a público, não é? Vou dar uma olhada nesse.

    Degradê Invisível

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  8. Oi, Tamara

    Que história maravilhosa. Triste, porém maravilhosa! Como eu não a conhecia?
    Eu adoro cenários bem construídos, adoro ser transportada para a época em questão e infelizmente nem todo livro me proporciona isso.
    Eu acho que iria adorar essa história, acompanhar esse amor deve ser doloroso... é inaceitável que duas pessoas que se amam não possam ficar juntas pela cor da pela de umas delas.
    Com certeza será uma leitura que vai me tocar bastante.
    Só acho que o livro merecia uma capa melhor.

    Beijos
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

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  9. Oi, quando estava lendo sua resenha sem ver a sua crítica sobre o livro, já estava imaginando o quanto esse livro traria fatos de uma sociedade de anos atrás que continua a viver nos dias de hoje. Quando passei a ver sua crítica, tive certeza disso. Esse livro parece ser aquele que dá um tapa na cara de leitor e que deveria ser lido por muitos. Com certeza, é um livro que preciso ler, pois a crítica a uma sociedade preconceituosa e racista está bem evidente.

    www.porredelivros.com

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  10. Heiii, tudo bem?
    Pela capa e pela sinopse nao daria mta chance para o livro, realmente nao me chamaram a atenção assim.
    Mas ao ler a sua resenha e conhecer mais a fundo do que se trata, já estou curiosa pra saber mais sobre "As cores do entardecer", já me sinto emocionada depois dos seus elogios para a obra.
    Acho que vai ser a minha cara essa história tao tocante.
    Beijos.

    Livros e SushiFacebookInstagramTwitter

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  11. Ao comecar a ler sua reseja já para perceber que o livro traz uma historia tocante e ao chegar na sua opinião só concretizar, não conhecia o livro e jão o anotei como dica para uma futura compra, gosto assim que nos traz algo para refletir ainda mais qdo o assunto é preconceito/racismo.

    Bruna
    https://odiariodoleitor.blogspot.com.br

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  12. Guria, este livro foi uma das melhores leituras que fiz. Ele fala sobre o racismo de uma forma que chega a doer né? Mas a questao da amizade também. Eu me apaixonei pela escrita da autora, pena que a editora está sem publicar muitas coisas.

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  13. Apesar de toda carga dramática que o livro parece ter, eu gosto da premissa dela. Fiquei muito tentada a leitura devido a sua resenha e por falar do qual real e cru ele é. Não conhecia a obra, mas espero ter a oportunidade de ler.

    Beijos.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/

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  14. Olá, tudo bom?

    Adorei a premissa desse livro e, por isso, fiquei chateada por não ter conhecido antes - deveria ter mais divulgação, né? Como eu também gosto das décadas de 1920, 1930 e 1940, e a autora relata os acontecimentos dessa época com nostalgia, sei que vou gostar dessa leitura. É ótimo que ela tenha retratado o preconceito da época. Atualmente o racismo ainda existe, infelizmente, mas no tempo em que a história é narrada, era muito pior. Nem imagino o que a Miss Isabelle deve ter passado com esse romance que não seria aceito. Sei que chorarei, mas também sei que valerá a pena, já que você gostou tanto.

    Enfim, adorei a postagem e agradeço a indicação :)
    Abraços.

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  15. Oi, tudo bem?
    Eu ainda não conhecia esse livro, mas sua resenha me deixou muito curiosa para ler. A primeira coisa que me conquistou, foi a amizade entre as duas protagonistas que me pareceu ser muito sincero. Além disso, achei muito interessante a autora falar o racismo na sociedade da década de 40, mas mostrar também que, infelizmente, ele ainda existe na sociedade atual.
    Adorei ler sua resenha e ver o quanto esse livro te emocionou. Apesar de estar com medo de chorar, vou anotar a dica.
    Beijos!

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  16. Olá Tamara, tudo bem?

    Menina, eu até lembro do lançamento desse livro porque acompanho a NC há, no mínimo, 7 anos, mas infelizmente esse não é meu tipo de leitura favorito. Vou infelizmente deixar a dica passar. Mas sei que minha colunista irá amá-lo. Vou repassar para ela.

    Beijo
    @blogodiariodoleitor

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  17. Um livro com um tema forte e cheio de força. Uma história de amor bonita e inspiradora. Gostei muito da resenha.

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  18. Olá!
    Que história interessante. A premissa é envolvente e ao longo da resenha desperta a vontade de mergulhar no mundo dos personagens e viver o drama de suas histórias.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  19. Oi!
    Esse livro me pareceu ser muito tocante e forte , daqueles que nos acompanham mesmo depois da última página. Fiquei muito curiosa para o ler depois dos diversos elogios recebidos e conhecer também essa história de amor e luta.
    Beijos!

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  20. Oiee Tamara ^^
    Se me lembro bem, eu cheguei a ler algumas resenhas desse livro quando ele foi lançado, mas confesso que nunca foi um livro que eu ansiava por ler. Ver que você gostou tanto (eu também adoro histórias que se passam nas décadas de 20, 30 e 40) me deixou curiosa para conhecer. E eu ando mesmo querendo sair da minha zona de conforto, e acho que esse livro seria perfeito!
    MilkMilks ♥
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br/2018/01/underground-airlines.html

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