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[Resenha] A delação - Por John Grisham

19 janeiro 2018


Título: A delação
Autor (a): John Grisham
Páginas: 384
Editora: Rocco
Skoob || Goodreads
Compre: Amazon || Submarino || Americanas

Sinopse: Corrupção, conflito de interesses, favorecimentos ilícitos, compra de sentenças, delações premiadas... Parece Brasília, mas é a trama do novo romance de John Grisham. Lacy Stoltz trabalha para o Conselho Judicial da Flórida e investiga a atuação da juíza Claudia McDover no processo que autorizou a construção de um cassino em terras indígenas, abrindo caminho para a ampliação dos negócios de um certo Vonn Dubose. Ganancioso e nada ético, Dubose não mede esforços para alcançar seus objetivos, comprando o apoio da juíza McDover numa trama que envolve falcatruas e assassinato, e que colocará em risco até mesmo a vida de Lacy Stoltz e seus colegas do Conselho de Conduta Judicial. Veterano da lista dos mais vendidos do The New York Times, com mais de 30 livros publicados, vários deles transformados em filmes de sucesso, Grisham mostra que segue em ótima forma com este clássico thriller de tribunal.



"— Tudo bem, e por favor me lembre por que estamos os dois nesse encontro secreto com um homem que usa codinome e ainda vai entrar com uma denúncia formal contra um de nossos estimados juizes.
— Não posso explicar. Mas conversei com ele três vezes por telefone e ele parece, hum, bem honesto.
— Que ótimo. Quando foi a última vez que você conversou com um autor de denúncia que não parecesse, hum, bem honesto?"

Era somente mais um dia comum de trabalho para Lacy Stoltz e Hugo Hatch, dois colegas de trabalho que eram funcionários do governo, no setor do CEJ, conselho estadual de justiça, um órgão encarregado de receber e investigar denúncias recebidas relativamente aos juízes estaduais. No entanto, após uma ligação misteriosa de alguém que não expressou desejo de se identificar, Lacy e Hugo fazem uma pequena viagem com o intuito de encontrar-se com o autor do telefonema, que prometia ter o maior caso de corrupção envolvendo juízes que o estado poderia ver. A partir de então, o que seria algo comum, logo se transforma em algo misterioso assim que os colegas estabelecem contato com Greg Myers, um advogado de meia idade que relata ter descoberto alguém do judiciário que acoberta uma grande máfia e que com isso haveria muito dinheiro em jogo.

"— Existem muitos capítulos na história, alguns ainda sendo escritos. O propósito desta pequena reunião é contar a vocês o bastante para deixá-los curiosos, mas também assustá-los o suficiente para que vocês desistam, se quiserem. A verdadeira questão agora é esta: vocês querem se envolver?
— Existe má conduta judicial? - perguntou Lacy.
— A expressão "má conduta" subestima muito a realidade. O que sei envolve corrupção em um nível jamais visto neste país."

Ao realizar mais questionamentos, Lacy e Hugo se deparam com uma muralha invisível, por traz da qual se esconde uma rede de informantes até chegar a Greg Myers, o contato deles, e, logo descobrem que a juíza em questão é Claudia McDover, uma mulher com boa aparência, que está no judiciário há mais de dezessete anos e que é acusada de acobertar Vonn Dubose, o cabeça por traz de uma rede de empreendimentos que com a presença de vários caixas escondidos e empresas fantasma obtém grandes lucros e que está disposto a matar, roubar e fazer o que for preciso para continuar em seu empreendimento. Além disso, descobrem também que a juíza, como participante de toda essa máfia, também obtém parte dos lucros. A partir daí, os colegas, curiosos e intrigados, passam a investigar o que seria o tal caso, mas o que não imaginam é o grande perigo que correm à medida que conseguem novas informações, e são obrigados a provar de perto a capacidade de infringir dor e sofrimento que a máfia de Dubose apresenta.

"É uma combinação perfeita para a corrupção. Você começa com pessoas que não são tão profissionais, e de repente elas estão auferindo mais lucros do que se possa imaginar. Elas atraem toda a sorte de vigaristas e trapaceiros que querem ajudar. Acrescente-se o fato de que a maior parte dos negócios acontece em dinheiro vivo que não pode ser rastreado, e você tem uma mistura ruim. Nós, desta comissão, costumamos ficar frustrados com nossa falta de supervisão."

Com um enredo instigante e eletrizante, John Grisham apresenta-nos um grande caso de corrupção e nos leva a questionamentos a respeito de até onde as pessoas vão por suas ambições.

"Como advogados, eles valorizavam seu tempo. Como investigadores, aprenderam a ter paciência. Os dois papéis costumavam entrar em conflito."








Quando esse livro foi lançado, em sua sinopse estava os dizeres de que esse parecia ser um enredo que encontraríamos em Brasília, capital do nosso país, mas que era somente um enredo fictício de John Grisham.  Logo, fiquei extremamente intrigada por que haveria esses dizeres, mas assim que comecei a leitura logo compreendi, uma vez que esse é um enredo que traz uma história a respeito de grandes autoridades como juízes que se envolve em casos corruptos e sujos, situação muito semelhante ao que vemos diariamente em nosso país através dos noticiários.







Preciso admitir que não é o livro mais empolgante ou o melhor do autor que já li, mas ainda assim, é uma trama cativante, que nos prende e deixa ávidos para conseguir entender tudo que há por traz da trama misteriosa de corrupção, e nos choca ao mostrar até onde as pessoas que já tem dinheiro vão para conseguir ter mais, ou ainda até onde aqueles que não tem nada vão para conseguir enriquecer de forma rápida e sem esforço, e mostra os piores lados do ser humano, que nessas tramas de poder e dinheiro não desenvolvem nenhuma compaixão pelo seu semelhante.

Certamente, o ponto que mais me causou admiração em relação ao livro e ao autor foi a ousadia que Grisham teve ao causar algo muito grave a certo personagem por quem desenvolvi grande afeição, mostrando, sem receios, até onde os mafiosos são capazes de ir. Admito também que esse foi um acontecimento que me marcou demais no livro e me deixou até mesmo triste, mas foi uma reviravolta completamente inesperada. Além disso, é muito bacana acompanhar todo o processo de investigação e a forma como tudo é conduzido, e é interessante ver que mesmo sem muitos recursos o CEJ (conselho estadual de justiça) conseguiu realizar um ótimo trabalho investigativo, sendo que isso prova que quando queremos conseguimos realizar um bom trabalho, apesar de todas as dificuldades.







Por outro lado, não sei bem dizer o que me incomodou nesse enredo. Talvez uma falta de conexão efetiva com os personagens, pois não consegui desenvolver aquele amor intenso por cada um deles, exceto pela pessoa com quem ocorreu algo grave, ou talvez eu não estivesse na vib investigativa, mas senti, por vários momentos, que as coisas acabavam indo por um caminho um tanto previsível ou rápido demais e ao final fiquei com um sentimento de "essa trama é somente morna". Além disso, apesar de ser uma trama envolvendo muito dinheiro e muitas trapaças, eu consigo me conectar mais com os thrilers jurídicos quando eles tratam do tribunal do júri, e provavelmente o fato de pouco vermos isso em A delação contribuiu para que eu não me sentisse inteiramente satisfeita.







Quanto aos personagens, Lacy é uma mulher daquelas admiráveis: destemida, corajosa e sem medo do trabalho pesado, é uma mulher que se empenha em descobrir a verdade, mesmo que essa verdade possa lhe custar caro. Já Hugo, seu colega de trabalho, também é um personagem muito cativante, e gostei de ter podido ver vislumbres dele e de sua família durante a narrativa. Outros personagens como o irmão de Lacy e os membros do FBI foram essenciais no enredo, e conseguem se tornar essenciais e se destacar durante a trama.

Narrado em terceira pessoa, o livro de John Grisham é dividido em 42 capítulos e mais um epílogo, e a edição tem uma revisão confortável e é muito bem escrita.







Recomendo essa obra para os leitores que apreciam bons thrilers jurídicos, que trazem fatos surpreendentes e que são carregados de fatos ousados e que fazem com que o leitor os imagine perfeitamente como fazendo parte da vida real.












Tamara Padilha
Leitora compulsiva com foco em quase todos os gêneros
(exceto os romances de época e ficção científica).
Apaixonada por escrita, e em breve bacharel em direito.
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10 comentários:

  1. Este parece ser um livro bem impactante, justamente por se aproximar tanto da nossa realidade. Não é muito o meu estilo de leitura, mas não posso negar que me deixou curiosa.

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  2. Um enredo tipico brasileiro, pelo visto bem elaborado e me chama atenção por ainda assim ser cativante. Fiquei curiosa para saber o que os mafiosos fizeram que te marcou, com certeza seria uma boa leitura. Dica anotada.

    Beijos.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/

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  3. Olá, tudo bem? Uau, o tema geral da história já me deixou mega empolgada para realizar a leitura. Não conhecia a obra, mas adorei tua resenha e com certeza vou ler!

    Beijos,
    https://duaslivreiras.blogspot.com.br/

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  4. Eu não conhecia o livro e já gostei da premissa, adorei a sua resenha e poder conhecer um pouco sobre a trama. Parece ser uma leitura que me agradaria bastante.

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  5. Não sei se leria esse livro, a premissa não me agradou muito. Que bom que você gostou.

    Bjs
    www.livrosdabeta.blogspot.com.br

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  6. Olá, quero muito ler algo do autor. Ainda não conhecia esse livro dele. Gosto bastante de livros com investigações e achei a premissa desse interessante e, infelizmente, real, mas pena que não foi tão bom quanto poderia ser para você.

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  7. Olá!
    Eu também não conhecia esse livro. Apesar de achar essa temática bem bacana de ser trabalhada, eu não curto muito histórias com essa pegada jurídica.
    O livro retrata bem o que vivemos atualmente em nosso país.

    Abraço!

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  8. Achei a premissa bem legal, gosto muito de histórias que pegam esse rumo jurídico.

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  9. Oii! Eu não conheço a escrita do John, mas fiquei curiosa para conferir essa obra, ainda mais por conta da história envolver a máfia haha. A sua resenha está ótima e irei adicionar esse livro na minha lista, bjss!

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  10. Olá!
    Apesar dos seus elogios sobre a trama, creio que prefiro conhecer o estilo de escrita do autor em outra oportunidade. Afinal, não é meu gênero favorito, mas não descarto a possibilidade de leitura...
    Beijos

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