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[Resenha] A Irmã da Sombra - Por Lucinda Riley

03 janeiro 2018


Título: A irmã da sombra
[As sete irmãs #3]
Autor(a): Lucinda Riley
Páginas: 512
Editora: Arqueiro
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Sinopse: Em A irmã da sombra, terceiro volume da série As Sete Irmãs, duas jovens igualmente determinadas, porém de séculos distintos, conectam-se por meio de diários que retratam uma vida intensa de superação, amor e perdão.
Estrela D’Aplièse está numa encruzilhada após a repentina morte do pai, o misterioso bilionário Pa Salt. Antes de morrer, ele deixou a cada uma das seis filhas adotivas uma pista sobre suas origens, porém a jovem hesita em abrir mão da segurança da sua vida atual.
Enigmática e introspectiva, ela sempre se apoiou na irmã Ceci, seguindo-a aonde quer que fosse. Agora as duas se estabelecem em Londres, mas, para Estrela, a nova residência não oferece o contato com a natureza nem a tranquilidade da casa de sua infância. Insatisfeita, ela acaba cedendo à curiosidade e decide ir atrás da pista sobre seu nascimento.
Nessa busca, uma livraria de obras raras se torna a porta de entrada para o mundo da literatura e sua conexão com Flora MacNichol, uma jovem inglesa que, cem anos antes, morou na bucólica região de Lake District e teve como grande inspiração a escritora Beatrix Potter. Cada vez mais encantada com a história de Flora, Estrela se identifica com aquela jornada de autoconhecimento e, pela primeira vez, está disposta a sair da sombra da irmã superprotetora e descobrir o amor.



Resenhas anteriores:
As sete irmãs #1 - As sete irmãs
As sete irmãs #2 - A irmã da tempestade



Chegou a sua vez, Estrela. Além de a terceira de seis filhas adotivas de Pa Salt, nossa protagonista demonstra, ao menos à princípio, uma personalidade um tanto quanto tímida, frágil, sempre reclusa em seu próprio mundo. Ou melhor... no mundo de sua irmã, Ceci.

"À medida que crescíamos, Ceci e eu fomos nos transformando na antítese uma da outra: quanto menos eu falava, mais alto e com mais frequência ela se expressava por mim, logo menos eu precisava falar. Nossas personalidades simplesmente se exacerbaram. Isso não parecera importar na infância, espremidas como estávamos em uma família de seis irmãs, pois assim podíamos recorrer uma à outra.
O problema era que agora importava..."

Com uma diferença de idade quase nula, Estrela e Ceci eram como a sombra uma da outra. A primeira agia feito sombra da segunda, para ser mais exata. Onde Ceci estava, Estrela estava também. Quando Ceci falava, Estrela concordava. Se Ceci queria, Estrela fingia querer. Um hábito que vinha desde a infância e parecia preocupar as outras quatro irmãs, além do homem que tantos anos antes fizera de todas elas uma família. O mesmo que, certa vez, criara com Estrela um jardim e lhe despertara, desse modo, o amor pelas plantas que ela carrega consigo até hoje. Antes de morrer, Pa Salt deixara, para cada uma de suas garotas, uma carta e coordenadas que as levariam, caso assim desejassem, direto à suas origens. Uma carta e coordenadas que, Estrella ainda não sabia, mas mudaria sua vida por inteiro e seu modo de pensar.

"Por fim, antes de encerrar e me despedir, sinto que devo dizer: às vezes na vida é preciso tomar decisões difíceis e frequentemente dolorosas que, na época, você pode achar que magoarão entes queridos. E pode ser que magoem mesmo, pelo menos por um tempo. Muitas vezes, porém, as mudanças provocadas acabarão sendo a melhor coisa para as outras pessoas também. E vão ajudá-las a seguir em frente.
Estrela querida, não vou subestimar sua inteligência falando mais nada; ambos sabemos a que estou me referindo. Durante meus anos nesta Terra, aprendi que nada pode permanecer igual para sempre... Ter essa esperança, é claro, é o maior erro que nós, seres humanos, cometemos. As mudanças vêm, quer nós as desejemos ou não, e de inúmeras formas diferentes. Aceitar isso é fundamental para alcançar a alegria de viver neste magnífico planeta.
Cultive não apenas o esplêndido jardim que criamos juntos, mas talvez o seu próprio, em outro lugar. E, mais do que tudo, cultive a si mesma. E siga sua própria estrela. Chegou a hora."

Decidida a seguir os conselhos de Pa Salt e, mais que isso, sentindo-se disposta a viver sua própria vida e não mais a da irmã, Estrela embarcará em uma jornada emocionante e deliciosa de se acompanhar, em busca não apenas de seu passado, mas de algo que ela se permitira afastar há tempos: seus próprios sonhos. Encontrará Orlando, seu novo amigo de hábitos peculiares e a livraria a qual ele tanto preza, além de sua família um tanto misteriosa e incomum. Seu irmão, Mouse, que exala nada menos que frieza e arrogância. Marguerite e o doce Rory, um garotinho de sete anos que tocará o coração de Estrela, bem como todas aquelas pessoas e aquela história. E, talvez, ela descubra que nada é mesmo por acaso... pois esta tal história e todas estas pessoas podem ter, muito mais do que ela poderia imaginar, a chave para desvendar os parágrafos que faltam na composição da sua própria.

"Depois que Orlando saiu, parei no meio da livraria e me dei um abraço de prazer. Aquilo era melhor do que qualquer coisa que eu pudesse ter imaginado: um fim de semana inteiro, duas noites, na casa dos meus sonhos.
– Obrigada – falei para o teto da livraria. – Obrigada."

Pelo menos um século antes, há a história de Flora Rose MacNichol, para onde Estrela é transportada quando resolve investigar suas origens. Uma garota simples, apaixonada por animais, desde gatos à sapos, e invisível, se comparada à irmã mais nova. Uma jovem destinada pela sociedade a não poder ter o que almeja, protagonista de uma história de amor fadada ao proibido, alguém cuja própria origem esconde mistérios inimagináveis... e que ajudará a filha de Pa Salt a entender melhor uma porção de questões a respeito de onde viera e de si mesma.

A Irmã da Sombra é narrado em primeira e terceira pessoa, respectivamente, contando as histórias de Estrela e Flora.







Não há outra maneira de começar a expor minhas impressões acerca do terceiro livro das Sete Irmãs, senão dizendo que ele foi, de longe, o meu favorito da série até agora. Isto pode ser comprovado pelo fato de que eu realizei a leitura em uma única noite.

A personalidade constantemente fechada e reclusa de Estrela, aparente nos livros anteriores, foi algo que me fez partir para este livro coberta de expectativas. "Ela vai surpreender..." era o que eu imaginava. E surpreendeu mesmo! Sua determinação e vivacidade demonstradas ao longo da história eram características com as quais eu não contava, e que me cativaram logo no início. Sua sensibilidade, doçura e uma certa inocência tornaram-na minha irmã preferida. Senti vontade de chaqualhá-la algumas vezes, claro, devido a seu jeito cabeça dura, mas nada grave. Por outro lado, nossa segunda protagonista, Flora, não me envolveu assim tão rápido. Não que não tenha gostado dela, apenas levei um tempo maior para me conectar com sua história e a pessoa em si. Após alguns acontecimentos, porém, Flora passa a demonstrar uma força incrível que nos faz torcer e vibrar por ela a cada página. Quanto às personagens secundárias, de ambas as histórias, só tenho a dizer que foram todas extremamente bem desenvolvidas. Orlando, Mouse e Rory são os meus favoritos, aqueles por quem eu criei um imenso carinho e empatia ao longo dos capítulos. Orlando é temperamental, mas dono de um coração gigante e muito divertido. Mouse é o típico mocinho aparentemente babaca, mas que nos desperta um enorme instinto de proteção e cuidado. E Rory é encantador, não há melhor definição.

Ainda a respeito das personagens, outro ítem que considerei importante neste livro foi que, apesar de não contar a história de Ceci, ele nos aproxima mais da garota que Estrela costuma seguir. E isto, particularmente, me foi muito bem vindo, já que os livros anteriores haviam me deixado com uma impressão um tanto quanto ruim de Ceci, pensamentos de que ela era uma pessoa egoísta e tudo mais. Esta ideia, porém, modificou-se ao longo deste terceiro livro, o que me levará a ler o p´róximo, a história de Ceci, com muito mais entusiasmo.

Acho que nem preciso dizer que, assim como todos os outros livros da autora que já li, este já me ganhou só pela descrição detalhada dos lugares e situações. Era como se eu pudesse sentir o cheiro dos livros vez ou outra foleados por Estrela e Orlando, bem como o aroma do campo por onde Flora costumava perambular, ouvir os sons feitos por seus tantos bichinhos de estimação.

Considero A Irmã da Sombra um enredo comovente, escrito com sensibilidade, recheado de lealdade e muito, muito amor. Eu recomendo para qualquer um que curta romances na medida certa, histórias de amizade e de famílias que sabem como aquecer o coração de quem as acompanha.






Isabela Rocha
Estudante de jornalismo. Apaixonada incorrigível pelas palavras.
Aventuro-me por todos os gêneros,
desde romances água com açúcar, até os temivéis terror.
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