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[Resenha] Vulgo Grace - Margaret Atwood

16 janeiro 2018

Título: Vulgo Grace
Autor (a): Margaret Atwood
Páginas: 496
Editora: Rocco
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Compre: Amazon || Americanas || Submarino

Sinopse: Depois de O conto da aia, que deu origem à prestigiada série The handmaid’s tale e alcançou o status de bestseller mais de 30 anos após a publicação original, outro romance de Margaret Atwood vai ganhar as telas, desta vez pela Netflix, e volta às prateleiras com nova capa pela Rocco. Inspirado num caso real, Vulgo Grace conta a trajetória de Grace Marks, uma criada condenada à prisão perpétua por ter ajudado a assassinar o patrão e a governanta da casa onde trabalhava, na Toronto do século XIX. Com uma narrativa repleta de sutilezas que revelam um pouco da personalidade e do passado da personagem, estimulando o leitor a formar sua própria opinião sobre ela, Atwood guarda as respostas definitivas para o fim. Afinal, o que teria levado Grace Marks a cometer o crime? Ou será que ela estaria sendo vitima de uma injustiça?


Boa noite, Brasil. São seis horas no horário de Brasília e esse é o Aqui Agora, um jornal independente que mostra na TV a vida como ela é.
Diretamente do túnel do tempo, em 1843, o nosso repórter Gil Gomes...

“Quem são, afinal de contas, as nossas vítimas do crime bárbaro ocorrido na cidade de Toronto, no Canadá?

O senhor Thomas Kinnear, idade desconhecida, e a senhorita Nancy Montegomery, de apenas 24, foram assassinados a sangue frio pelos empregados da casa, James McDermott e Grace Marks, que já foram capturados pela polícia. Ninguém sabe, ainda, quais foram os motivos do crime e ainda, a vítima estava grávida.

"Em Toronto, Canadá, Gil Gomes, Aqui Agora."







Brincadeiras à parte depois do resumo mais referencial que fiz até hoje, é hora de falar sério.

Depois de terminar Vulgo Grace, da canadense Margaret Atwood, eu demorei algumas horas para pensar no que eu podia escrever sobre o livro sem me perder na jogada porque é tremendamente difícil definir como eu me senti depois de ler. Se muita gente já achou complicado, para não dizer impossível, tomar partido de um dos lados em Dom Casmurro com o eterno questionamento se Capitu traiu ou não traiu, agora vai ficar muito mais porque a autora resolveu descer o machado (não me matem pela piada ruim) com maestria e nos fez a seguinte pergunta: até que ponto Grace Marks é realmente confiável?






Caso alguém tenha passado batido a sinopse e o resumo, vamos resumir os fatos: Grace Marks tinha dezesseis anos quando foi presa como cúmplice, e provavelmente também responsável, dos assassinatos de Thomas Kinnear e sua governanta de 24 anos Nancy Montgomery, em 1843. Entretanto, como naquele tempo não existiam impressões digitais, luminol e outros recursos que hoje são usados pela chamada polícia forense, muitas das provas do rápido julgamento ao que ela e James McDermott, que foi enforcado, foram submetidos são meramente circunstanciais e muitas perguntas ainda hoje não têm uma resposta realmente satisfatória, o que contribuiu, junto de uma extensa pesquisa da autora, para construir a história como um todo.






Todo esse que faz o leitor passar o livro todo entre achar Grace uma vítima das circunstâncias ou uma manipuladora das bem inescrupulosas. Porque há algumas passagens do livro em que definitivamente se pensa que a protagonista está “se fazendo de burra” porque lhe convém. Mas, quando se para e pensa no que se está lendo, ela só está agindo assim porque considera necessário e o único modo de ter uma chance de obter uma nova vida fora da prisão embora ela mesma tenha um monte de incertezas quanto a isso. Já que, convenhamos, qual pessoa fica trinta anos presa e simplesmente acha que tudo vai ficar igual? Acredito eu que nenhuma.

É aí que entro na questão primordial do livro: Vulgo Grace não é um thriller policial em que vamos saber a verdade sobre os crimes.






É um livro sobre a condição feminina como um todo há mais de 170 anos. Sobre como certos tipos de criação podem fazer as pessoas verem o mundo de jeitos totalmente variados e não raro acharem que ele gira em volta do umbigo. (Atual, não acham?) Acerca de como as mulheres deveriam ser tratadas e dependendo de sua atitude, podiam ser relegadas a condições abaixo da humanidade. Tanto que fica impossível imaginar que o Canadá da época do livro, tão machista, misógino, preconceituoso e mesquinho, hoje tem um primeiro ministro que desfilou em uma parada LGBT no meio das pessoas e cujo gabinete tem metade dos funcionários do sexo feminino. De como os homens daquele tempo usavam de escrúpulos mínimos quando se tratava de lidar com as mulheres.






Esse último em especial é tão evidente durante todo o livro que não raro fiquei com um tremendo nojo. Dos carcereiros, do pai da Grace (que eu não vou entrar em detalhes porque só Deus sabe como eu queria tê-lo matado várias vezes) e até mesmo do Dr. Simon, que embaixo da sua faceta de herói científico esconde uma pessoa que dá vontade de esganar porque ele faz uns comentários de revirar o estômago e você às vezes não sabe se ele está falando aquilo a sério ou de brincadeira. Apesar de que ele genuinamente estava tentando ajudar embora ele desse uma ou outra tropeçada. Isso sem contar uma personagem feminina, a Dora, que realmente me causou raiva porque acho de uma patifaria fenomenal descontar nos outros a sua frustração e achar que tem razão. (Já passei por isso algumas vezes e acreditem, é um saco.) Os personagens aqui são complexos e tem motivações muitas vezes dúbias, razão pela qual é preciso respirar fundo enquanto lê porque fica fácil ter sentimentos ruins com eles.






Na verdade, tudo isso que eu falei não é nem perto do que a gente encontra no livro, que por conta do seu português bastante culto, pode deixar alguns leitores um pouco cansados. Mas isso não é algo que o impeça de ser apreciado, pois existe bem mais embaixo dessa camada de norma culta. Merecedor de apreciação também é a edição nada menos que espetacular da Rocco, que é mais uma das três até hoje lançadas pela editora. A fonte é de excelente leitura e bem espaçada e a paginação tem um leve amarelado que não cansa a vista.






Depois de um texto que definitivamente eu não sei se ficou à altura do que faço no Galáxia de Ideias, mas onde com certeza eu coloquei muito coração, eu recomendo a leitura de Vulgo Grace com louvor, maestria e graça. Aqui, agora.












Renata Cezimbra
Professora desempregada, leitora voraz,
escritora doida e vampiróloga amadora.
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16 comentários:

  1. Oi Renata!

    Antes de mais nada deixa eu falar que estou APAIXONADA pelo seu blog! É a primeira vez que entro aqui e nossa! Deu vontade de passar horas, tudo tão lindo <3 quase abracei a tela do computador de tão apaixonada que fiquei pelo Galáxia de Ideias :D

    Bom vamos ao que interessa: a sua resenha! Para falar a verdade eu só tomei conhecimento desse livro por causa da série (eu sei! É horroroso falar isso!), a qual diga-se de passagem ainda não assisti (de novo: vergonhoso!) porque quero ler antes de assistir já que em geral os livros são melhores!

    Acho a proposta do livro absolutamente atual, assim como você disse, e concordo plenamente que a criação nos molda muito (apesar de acreditar que quando estamos dispostos conseguimos quebrar paradigmas). Bom, falar sobre o papel social da mulher hoje em dia já é difícil, então imagino ambientar uma história há 170?

    Não me importo nem um pouco com o português (ou no caso o inglês se for ler o original) formal do livro porque estou habituada a clássicos e acho inclusive essencial para a atmosfera da narrativa.

    Enfim, amei a resenha e estou apaixonada pelo seu blog!

    Beijinhos
    www.paraisoliterario.com

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  2. Eu amei TANTO esse livro, foi sensacional! Enquanto O conto da Aia mostra como mulheres podem ser tratadas futuramente, Vulgo Grace mostra o nosso tratamento no passado, e sempre sofremos demais! Foi uma leitura incrível, Atwood dá umas alfinetadas pesadas na sociedade, amo essa mulher.

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  3. Oi. Nossa, que resenha maravilhosa. Olha, eu vi a série e fiquei estupefata pelo final porque a gente não sabe nada de nada nunca e a Grace passa por vários sofrimentos o tempo todo e é tão real e tão atual que choca. E no final o que ela faz é nada mais nada menos do que aceitar tudo o que aconteceu.

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  4. Eu preciso ler algo da Margaret, ou pelo menos ver alguma série inspirada em seus livros. Confesso que o livro acabou de me ganhar por completo por você ter mencionado Dom Casmurro. Como ainda não tenho o livro e nem sei quando vou conseguir comprar, vou dar uma olhada na série, fiquei ainda mais curiosa.

    Beijos.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com/

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  5. Olá, tudo bem?

    Eu já havia visto que haveria uma série de Vulgo Grace na Netflix e gostei bastante da proposta que ela nos traz. Agora fiquei curiosa para ler o livro, pois me parece ser bem prazeroso.

    Beijos
    @blogodiariodoleitor

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  6. Oi, Renata! Adorei a sua resenha! rsrs
    Eu não tinha ideia da dimensão de Vulgo Grace, gostei muito de saber sobre os temas discutidos e como a trama se desenvolve. Com certeza lerei esse livro, espero que logo!
    Bjs
    Lucy - Por essas páginas

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  7. Oi Renata estou doida para ler esse livro, as criticas estão sendo ótimas, não quero assistir a série antes de ler o livro, mas anotado a dica, esse mistério todo me deixa ansiosa. Obrigado bjs!

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  8. Oiii
    Só fui conhecer este livro por causa do alvoroço todo por volta dele e da série na Netflix. Creio que é uma leitura bem intensa e informativa, como você citou questões de como era e como é o Canadá hoje em dia (e acho o máximo que eles tenham evoluído tanto, quem sabe com mais 170 anos o Brasil chegue em metade do que é lá...)
    Apesar das minhas impressões, este não é um gênero que costumo ler, então fico com um pé atrás, quem sabe eu ainda tome jeito e leia.
    Provavelmente darei uma chance a série de tv ao invés do livro, mas nunca se sabe...

    Vícios e Literatura

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  9. Oi, tudo bom?
    Ainda não conhecia esse livro, só O Conto da Aia mesmo, e de cara já me apaixonei pela capa. Parece ser uma história bem tensa, mas que ao mesmo tempo nos passa alguns ensinamentos e reflexões, principalmente sobre a época em que a história se passa.
    Até mais o/

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  10. Gente, mas que livro mais chocante!!
    Nunca ouvi falar, mas ja vi pela resenha, que é daqueles livros que a gente fica com nojo mesmo de tanta falsidade e falta de respeito com a mulher.
    nao sei se leria, apesar de ficar curiosa com tudo.
    Otima resenha.

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  11. Oi, tudo bom?
    Eu não conhecia o livro, mas a sinopse a sua resenha me deixaram com uma super vontade de ler. Parece ser daquelas leituras marcantes e eu prezo muito por leituras marcantes. Espero que eu consiga lê-lo ainda esse ano ♥

    Beijos,
    http://www.livroapaixonado.com.br/

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  12. Oi Rê.
    Eu ainda quero ler esse livro. Imagino como deve ser realmente repugnante ler algumas cenas, mas para algumas coisas precisamos de um bom e velho tapa na cara mesmo para ver se aprendemos com os erros do passado
    Amei a resenha muito criativa. Adoro essas coisas.
    Beijos.

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  13. Olá Renata, eu estou bem curiosa para ler o livro ou mesmo assisti a série, o enredo parece estar bem bacana e por ser inspirado em uma historia real fiquei ainda mais curiosa para conhece-lo *-*

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  14. Oi, Renata

    Eu quero muito ler esse livro, assim como O Conto da Aia. Eu gosto muito de livros que abordam a situação das mulheres antigamente, é interessante para colocarmos na balança as coisas que evoluíram e as coisas que ainda precisam ser abolidas. Acredito que seja mesmo uma narrativa excepcional e estou só colocando tudo em dia para me aventurar em leituras mais densas. Vou te falar que até prefiro que o texto desse livro seja mais culto, não imagino como uma história assim possa ser abordada de uma outra maneira.

    Beijos
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

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  15. Oi Renata, tudo bem? Ainda não havia lido nada a respeito desse título de Atwood e me senti de certa forma desconfortável com o cenário apresentado, mas com certeza leria a obra. Aliás, ainda não li nada da autora, estou querendo me arriscar. Beijos

    Nara Dias
    www.viagensdepapel.com

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  16. Olá, tudo bem? Sempre curiosidade em conhecer os livros da autora, porém me faltava incentivo. Após a sua resenha me sinto mais motivada e gostei de ver o que posso encontrar. A escrita mais culta acredito que não será um problema. Adorei a comparação com Dom Casmurro hahaha
    Beijos,
    diariasleituras.blogspot.com.br

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