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[Resenha] 99 dias - Por Katie Cotugno

05 fevereiro 2018

Título: 99 dias: 1 complicado amor de verão
[99 dias #1]
Autor (a): Katie Cotugno
Páginas: 384
Editora: Rocco Jovens Leitores
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Sinopse: Será que um erro pode definir quem você é? Molly Barlow traiu seu namorado. Com o irmão dele. E a mãe dela fez o favor de escrever um livro contando a sua história, que deveria ser um segredo entre elas. Um livro que se tornou um bestseller, e que virou a vida de Molly de cabeça para baixo. Para fugir da espiral de ódio e fofoca que suscitou em Star Lake, a garota decide viver um ano fora, num internato. Mas quando volta à cidade no verão, para passar os 99 dias que faltam até entrar para a faculdade, ela tem que acertar as contas com aqueles que lhe fizeram mal e tentar resgatar os laços com quem era especial para ela. Autora do bestseller Duas Vezes Amor, também publicado pela Rocco Jovens Leitores, Katie Cotugno conta a história de Molly Barlow em 99 capítulos – ou dias – de leitura vertiginosa, em que aborda temas como amor, traição, culpa e perdão.



Molly Barlow  e Patrick Donnelly sempre foram um casal. Os dois se conheceram ainda crianças e logo se tornaram melhores amigos, assim que chegaram na adolescência não tardou para que entrassem num relacionamento. Todos na escola sabem que Molly é de Patrick, e Patrick é de Molly, até que não eram mais.


"[...] Eu havia me esquecido, ou tentado me esquecer, de como as coisas eram antes de eu fugir daqui um ano atrás: o sagrado reino tenebroso da Julia, projetado com precisão implacável para me punir por todos os crimes capitais que cometi. [...]"
Capítulo 01

Após uma discussão com Patrick onde eles terminam brevemente, Molly se vê nos braços de Gabe, seu cunhado. Ainda virgem, a jovem dorme com o cunhado que uma semana depois vai para a faculdade enquanto ela fica presa em seus arrependimentos. Ela decide que jamais ninguém saberá sobre seu deslize, mas o peso do segredo se torna grande demais, e assim, num momento de desespero ela conta para sua mãe. Imediatamente Molly se sente melhor, aliviada e restaurada. As coisas dariam certo, até que não deram.

"Diana Barlow nunca precisou de imaginação para criar uma boa história.
Tudo bem, é possível que eu esteja editando um pouco. Mesmo assim, para alguém que queria tanto um bebê, sempre pareceu meio engraçado como minha mãe nunca foi maternal."
Capítulo 09

Diana Barlow, mãe de Molly, é uma autora que há muito tempo não tem inspiração para emplacar um novo romance. Um dia ela diz para Molly que sua inspiração voltou, e logo depois a vida de Molly desaba pois sua mãe escreve um livro bestseller sobre seu maior segredo, e deixa claro para as mídias sociais que era inspirado na vida da filha. Não tarda até que toda Star Lake descobrir sobre o livro, e assim começa o inferno na vida de Molly guiado por Julia, irmã mais nova de Patrick e Gabe. Não aguentando mais a sessão de humilhação e constrangimento diário, Molly foge para um colégio interno no meio do deserto e fica lá até a formatura. Agora, um ano depois dos acontecimentos ela volta para Star Lake obrigada a passar 99 dias de verão até ingressar na faculdade.

"É caligrafia da Julia em tinta cor-de-rosa no verso de um cardápio de comida chinesa para viagem:
Vadia suja.
O pânico é frio e úmido e escorregadio por um segundo, imediatamente substituído pela onda quente de vergonha; meu estômago se contrai. Tiro o cardápio do para-brisa e amasso o papel mole e pegajoso no punho fechado. "
Capítulo 04

O plano de Molly é passar despercebida e o máximo de tempo possível dentro do seu quarto, já que nem ao menos deseja contato com sua mãe traidora. Mas as coisas não saem como o planejado e pouco tempo depois ela se vê novamente no meio de todo inferno de constrangimentos e humilhações que a fizeram sair da cidade. Mas dessa vez é diferente, dessa vez Gabe está na cidade passando o verão, e quem sabe agora eles possam enfim acertar as coisas e engatar num verdadeiro amor de verão.








99 dias foi um livro que peguei por pura curiosidade. Vi várias pessoas falando sobre ele, sobre o tema que aborda e curiosa nata do jeito que sou, acabei não resistindo. O que não imaginava era que gostaria tanto do livro, e até arrisco a dizer que será um dos melhores do ano. Mas ai vocês devem se perguntar então do porque das quatro estrelas. Na realidade ele foi 4,5 mas como não fracionamos nota aqui no Galáxia, arredondei pra baixo e vou explicar porque dele não ter sido 5 estrelinhas.






Apesar de ser um livro juvenil, ou até mesmo um new adult leve, o livro trás um assunto muito importante: a diferenciação de gênero quanto ao julgamento. A grande questão do livro é que a protagonista e seu cunhado erram, mas somente ela sofreu retaliação sobre isso. Ela se tornou "vadia", "suja", "piranha", e mais inúmeras ofensas de baixo calão enquanto ele o "pegador" e o clássico "mas ele é homem". O cara é exaltado, enquanto a mulher é rebaixada e humilhada.

Conseguem entender onde quero chegar? Essa ação de julgamento por parte da sociedade tem um nome: slutshamming. É o ato da mulher ser ofendida enquanto o homem não sofre nada. Sabe o que mais assusta nisso, é que as ofensas vem por meio de outras mulheres. É como se fosse mais fácil colocar 100% da culpa em cima da mulher porque o "homem é homem e foi só seduzido". Sempre tive um pensamento muito inflexível em relação a traições. É preciso duas pessoas conscientes para que ela aconteça. Não existe isso de foi "só um momento", ou que "não estava pensando direito". A culpa é de ambos e ambos merecem o mesmo "julgamento".



"[...] - Cansei de você e todo mundo agindo como se seus irmãos fossem anjos perfeitos que eu deflorei, ou alguma coisa do tipo. Não foi assim que aconteceu. E, mesmo que tivesse acontecido desse jeito, não é da sua conta. - Eu me viro para Michaela Malvada:- E, definitivamente, não é da sua conta também. Então, não quero ouvir mais nada. [...]"
Capítulo 93



O livro não fala somente sobre isso, ele trás outros assuntos como o perdão. Pertinente não? Molly errou e precisa ser perdoada, mas sua mãe também errou e precisa ser perdoada. No entanto é diferente quando é com a gente não é mesmo. Com elas rola a quebra de confiança e a ruptura de uma relação entre mãe e filha. É claro que Molly errou com a traição, mas é difícil pensar dessa forma quando sua própria mãe expõe isso, não somente para sua cidade como também para o país todo. Na adolescência tudo é amplificado, tudo é complicado e tudo parece que é o fim do mundo. Vamos unir esses fatos ao sentimento de que "nada disso estaria acontecendo senão fosse pela minha mãe". Difícil não se identificar não?  Mesmo que você nunca tenha passado por algo do tipo, é difícil não se pegar imaginando o que faríamos em seu lugar, e pra mim a resposta é simples: a mesma coisa.






Molly sente tudo com muita intensidade, desde tristeza, felicidade, descontração, mas também é confusa com a mesma intensidade. Veja bem, a forma como as coisas acontecem, ela se vê acuada e foge deixando tudo em aberto. As pessoas que ficaram também não tiveram um encerramento, e eu particularmente acredito que para conseguirmos encarar outras etapas de nossa vida, tudo precisa ser encerrado, e esse é o grande plot do livro. Encerrar e seguir em frente. Mas como fazer isso quando seu ex-namorado não segue em frente e começa a te procurar, quando sua melhor amiga ainda se recente por ter sido abandonada, quando mal consegue olhar para cara de sua mãe, e ainda quando está se apaixonando pelo cara que lhe ajudou a destruir sua vida? Isso foi o que mais gostei em 99 dias, ele é simplesmente verdadeiro de mais. As atitudes dos personagens são verdadeiras, os erros que Molly comete tentando consertar o passado são coerentes. A história em si é verdadeira, até mesmo o slutshamming que acontece é real pois é exatamente isso que acontece nesses casos, mulheres viram-se umas contras as outras. Triste, porém real.



"- Você é minha mãe! - Minha voz vibra de um jeito que trai toda a frieza que cultivei durante o último ano e meio. Balanço a cabeça e deixo a xícara de café em cima da bancada com tanta força que tenho medo de quebrá-la. - Ou melhor... era. Você me escolheu, lembra? Foi o que vocês sempre disse. Mas a verdade é que só queria me vender aos pedaços.
Minha mãe fica pálida, ou eu apenas imagino o que gostaria de ver.
- Molly...
- E você tem razão, eu preferia não estar aqui. Preferia não ter mais nada a ver com você o fim da minha vida, na verdade. E sabe de uma coisa? Isso você pode colocar no seu próximo livro. Pode contar ao mundo todo, mãe. Vai em frente."
Capítulo 24



Os personagens do livro são carismáticos e envolventes. A autora nos faz sentir tudo o que eles sentem. A esperança de Gabe em enfim poder ficar com o seu amor do passado, a amargura de Patrick em ver sua ex-namorada, que ainda nutre sentimentos, com seu irmão. A raiva da Julia por sua melhor amiga trazer intriga pra dentro de sua família. A decepção de Imogen por ter sido abandonada por sua melhor amiga enquanto ela sempre esteve ao seu lado. A cautela de Diana quando fala com a filha temendo que o laço delas se rompa de vez. E por fim as dúvidas e inseguranças de Molly. É ela confusa sobre o que sente, não sabe o que deve fazer, e de fato se deve fazer algo. A maioria das coisas que acontecem com ela é totalmente fora do seu controle, e assim, se vê em situações que nem deseja. É como disse, ela precisa de um encerramento pois está apaixonada por Gabe, mas ainda ama tudo o que Patrick lhe representou, afinal, não se esquece anos da sua vida num passe de mágica. De longe meu personagem favorito foi Gabe, ele é recíproco, dedicado, amável e apoia Molly em tudo. Já Patrick mereceu todo desgosto que senti por ele. Conforme o livro foi passando comecei a entender como as coisas chegaram ao ponto dela ter o traído com o irmão. Não digo que ele mereceu, mas também foi responsável em partes. A relação que eles nutriam era quase abusiva. Ele não queria que ela saísse com mais ninguém, e somente que ficasse com ele, que dependesse dele para tudo, e quando Molly percebe isso sente-se sufocada.






Acho que já deu pra perceber que o livro aborda muitos assuntos que merecem ser discutidos, não é mesmo? A autora consegue tratar de cada um com uma delicadeza ímpar sem que nenhum ficasse superficial ou irrelevante. Desde o slutshamming, relacionamento dependente, escolha de cursos para faculdade, perdão, superação, e fechamentos de ciclos de nossa vida. E ai entramos no motivo do livro não ser 5 estrelas já que o achei tão sensacional. De fato ele é maravilhoso e sensacional, mas o que me faz favoritar um livro e dar nota máxima é quando chego ao final e me sinto completa, e infelizmente senti que faltou algo para 99 dias ser perfeito. Senti o final muito aberto e só entendi a razão quando descobri que o livro tem uma continuação (quase chorei de alegria). Acho que esse livro é daqueles que são 100% perfeitos quando a história enfim se encerra, e foi isso que senti falta, de uma conclusão definitiva (rocco, por favor, publica logo hahah).






Enfim, a resenha ficou imensa pra variar só um pouquinho, mas não teria como ser menor por conta da infinidade de assuntos que o livro aborda. A autora Katie Cotugno merece todos os aplausos por uma obra tão completa e real. Recomendo o livro para todos, e até peço à vocês uma coisinha quando forem ler. Se dispam de julgamentos, pensem que essa é a história de uma amiga, ou até uma irmã mais nova, Molly não merece seu julgamento mas sim sua compreensão, deixe para julga-la ou entendê-lá ao final da leitura. E sabe por quê? Em algum momento da nossa vida  já fomos "Molly", ou conhecemos uma "Molly". Garanto que isso lhe fará ler 99 dias de uma forma totalmente diferente.








Stefani Almeida
Arquiteta e Urbanista
Apaixonada por livros, filmes, series
fotos e Funko Pop
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10 comentários:

  1. Eu gostei do livro o que é engraçado, ela sofreu tadinha mas eu ri de cada parte deste livro. Acho um exagero o livro mas ela quem quis trair, o irmão do cara também ta errado mas até na sociedade dos livros temos essa de que só a mulher é a errada. Estou louca para saber oq vai ser desses 99 dias na cidade kakkkkk adorei

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  2. Gosto de NA e esse julgamento contido no livro é a mais pura realidade, acontece todos os dias com a maioria das mulheres. E falar sobre perdão, relações familiares e inseguranças da idade só torna o livro ainda mais atrativo. Já tinha visto o livro, mas não sabia de sua intensidade, com certeza é uma leitura que quero fazer.

    Beijos.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/

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  3. A história do livro me pareceu bem divertida.
    Gosto de protagonistas que não são perfeitinhas.
    Achei a capa simples demais, mas suas fotos ficaram muito boas e até valorizou o livro.
    Não é uma história que eu vá gostar de ler, mas compraria porque leio para pessoas da sua idade e sei que iriam gostar.
    Enfim, gratidão pela dica!
    Sucesso! Beijinhos!

    Eliziane Dias

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  4. Quem precisa de inimigos com uma mãe dessas kkkk
    Não conhecia o livro, adorei a capa (ainda está nessa fase de capas azuis?). Quando li seu resumo, fiquei com um pé atrás (como assim ela vai para uma escola no meio do deserto ??????)
    Mas gostei do tema que ele trata, tenho um pouco de medo da forma como ele é tratado (pelo que você disse, parece que a autora acertou na mão, mas, como é um juvenil, ainda me preocupa um pouco como ela coloca isso para o público).
    O livro já vai entrar para a minha lista de desejados.
    Adorei a resenha!
    Beijinhos.

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  5. Olá, tudo bom?

    Eu achei essa capa super fofa e imaginei que o livro seria nessa "vibe" também. Mas ele é muito mais do que isso e eu fiquei feliz ao saber. É ótimo ver que a autora abordou o slutshamming, pois eu fico indignada quando isso acontece. E que também tenha abordado a traição (não sei se foi de fato, já que eles estavam separados, mas foi mancada fazer isso com o cunhado, lógico). Prova que nem todo mundo é perfeito.
    Porém, o que eu fiquei mais puta foi com a mãe. Nem dá pra acreditar que uma mãe faria isso. Poderia até criar a história, mas não precisava expor a filha, né? Também fiquei imaginando o que eu faria no lugar e acho que acabaria agindo igual a ela. Quero muito ler esse livro agora!

    Enfim, adorei a postagem e agradeço a indicação :)
    Abraços.

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  6. Oi Steh!

    Eu fiquei bem encantada com essa capa no mês passado quando estava fazendo o post de lançamentos do mês e fiquei feliz por saber que a história é envolvente, os personagens são carismáticos e que você adorou tanto assim o livro!

    É um livro que pretendo ler (espero que em breve) e conferir por mim mesma a história que a Katie apresenta.

    Beijinhos
    www.paraisoliterario.com

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  7. Olá...
    Adorei sua resenha!
    Desde que a editora lançou essa obra eu estou bastante ansiosa para realizar essa leitura. A premissa é muito interessante, traz elementos interessantíssimos e é exatamente o tipo de leitura que curto. Sua resenha me animou ainda mais a ler <3
    Bjo

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  8. Oi!

    Eu tenho visto bastante burburinho sobre esse livro e adorei a premissa e o debate que ele traz sobre como nós mulheres sempre vão receber um castigo maior por nossos atos, simplesmente por sermos mulheres. Gostei bastante da sua resenha e espero ler!

    beijos!

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  9. Gostei muuito da sua resenha e enfim conhecer esse livro, pois é a primeira que leio sobre ele. Adoro o gênero jovem adulto e acho que irei amar essa leitura! Fiquei realmente empolgada e já coloquei nos desejados :D Suas fotos ficaram maravilhosas!!!

    Beijos

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  10. Oi, tudo bem?
    Eu não conhecia esse livro e essa é a primeira resenha que eu tô lendo e a autora pelo visto fez um livro simples, mas com ótimos toques de realidade. A quebra de confiança é algo difícil de lidar, e quando vem da mãe então... E quanto ao tratamento de "vadia" para a garota e já o silêncio para o garoto, isso infelizmente não é nem novidade .

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