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[Resenha] É assim que acaba - Por Colleen Hoover

07 fevereiro 2018

Título: É assim que acaba
Autor (a): Colleen Hoover
Páginas: 368
Editora: Galera Record
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Sinopse: Um romance sobre a força necessária para fazer as escolhas corretas nas situações mais difíceis. Da autora das séries Slammed e Hopeless.
Lily nem sempre teve uma vida fácil, mas isso nunca a impediu de trabalhar arduamente para conquistar a vida tão sonhada. Ela percorreu um longo caminho desde a infância, em uma cidadezinha no Maine: se formou em marketing, mudou para Boston e abriu a própria loja. Então, quando se sente atraída por um lindo neurocirurgião chamado Ryle Kincaid, tudo parece perfeito demais para ser verdade. Ryle é confiante, teimoso, talvez até um pouco arrogante. Ele também é sensível, brilhante e se sente atraído por Lily. Porém, sua grande aversão a relacionamentos é perturbadora. Além de estar sobrecarregada com as questões sobre seu novo relacionamento, Lily não consegue tirar Atlas Corrigan da cabeça — seu primeiro amor e a ligação com o passado que ela deixou para trás. Ele era seu protetor, alguém com quem tinha grande afinidade. Quando Atlas reaparece de repente, tudo que Lily construiu com Ryle fica em risco. Com um livro ousado e extremamente pessoal, Colleen Hoover conta uma história arrasadora, mas também inovadora, que não tem medo de discutir temas como abuso e violência doméstica. Uma narrativa inesquecível sobre um amor que custa caro demais.



"— Lily — diz ele, enfaticamente. — Não existe isso de pessoas ruins. Todos nós somos humanos e, às vezes, fazemos coisas ruins.
Abro a boca para responder, mas suas palavras me deixam em silêncio. Todos nós somos humanos e, às vezes, fazemos coisas ruins. Acho que isso é verdade, de certa maneira. Ninguém é exclusivamente ruim ou exclusivamente bom. Algumas pessoas só precisam se esforçar mais para suprimir o lado ruim."

O que você faria se a pessoa que você ama lhe agredisse fisicamente?
Lily Bloom era uma garota cujo hobby era cultivar suas flores e plantas no jardim de casa, e esse, durante toda a sua adolescência passada na pequena cidade de plethora, no Maine,  foi o seu escape e sua válvula de salvação, enquanto ela via, dia após dia o seu pai, o idolatrado prefeito da cidade, espancar sua mãe, uma professora do ensino fundamental que aguentava tudo calada. Nas noites em que ouvia os gritos e nas vezes em que presenciava as cenas, ela prometia a si própria que jamais passaria pelo que a mãe passava, e mais, julgava a sua progenitora como uma mulher fraca e sem coragem para deixar o marido. Anos depois, após se formar em administração, na primeira oportunidade que tem, Lily deixa a sua casa e a sua cidade para trás e vai rumo a Boston, um lugar onde sempre sonhara morar. Lá, após batalhar trabalhando em uma empresa de marketing, e após a morte do pai, ela resolve, com sua herança, abrir uma floricultura, a grande realização de todos os seus sonhos. Para que essa vida ficasse ainda mais perfeita lhe faltava um  amor, e logo ele surge na forma de Ryle, um lindo, teimoso e determinado neurocirurgião, que tem aversão a relacionamentos, mas que logo é cativado pela bela Lily.

"As coisas não deveriam ser assim. Durante toda a vida, eu sabia exatamente o que fazer se um homem me tratasse como meu pai tratava minha mãe. Era simples. Eu iria embora, e aquilo nunca mais se repetiria.
Mas eu não fui embora. E agora aqui estou: com machucados e cortes pelo corpo, causados pelo homem que deveria me amar. Causados por meu próprio marido.
E, ainda assim, tento justificar o que aconteceu."

Quando tudo parece mais perfeito do que ela sequer ousara sonhar, eis que surge novamente em sua vida Atlas, o garoto que ela conheceu na adolescência, e que foi o seu primeiro grande amor, do qual ela carrega marcas até hoje. Com o surgimento do rapaz do passado, diversas lembranças vem à tona. Com a presença de duas pessoas que a amam em sua vida, logo Lily toma rumos definitivos para si. No entanto, após pouco tempo, Lily se vê enredada em uma relação que a maior parte do tempo a faz feliz, no entanto, em outra parte ela descobre que está vivendo tudo o que a mãe viveu no passado, e o pior de tudo, que agora consegue compreendê-la mais do que imaginou ser possível, e que muitas vezes as decisões que mais precisamos tomar, são aquelas que mais tem a capacidade de nos ferir.

"As pessoas que estão de fora de situações assim costumam se perguntar por que a mulher volta para o agressor. Li em algum lugar que 85% das mulheres voltam para situações violentas. Foi antes de eu perceber que era uma delas, e, quando vi essa estatística, considerei essas mulheres burras. Achei que eram fracas. Pensei isso várias vezes de minha própria mãe.
Mas, de vez em quando, as mulheres voltam simplesmente porque estão apaixonadas. Eu amo meu marido, Ellen. Amo tantas coisas nele... Eu queria que suprimir meus sentimentos pela pessoa que me machucou fosse tão fácil quanto eu julgava ser. Impedir o coração de perdoar uma pessoa que você ama é, na verdade, muito mais difícil que simplesmente perdoá-la.
Agora eu sou uma estatística. As coisas que pensei sobre mulheres como eu são o que os outros pensariam de mim se soubessem de minha situação.

Em uma narrativa crua, delicada e impactante, Colleen Hoover traz à tona o tema da violência doméstica e nos leva a refletir sobre todas as nossas crenças, decisões, e nos leva a empatia, a dor e ao amor enquanto conhecemos o melhor e o pior lado do ser humano nas mais diversas situações.

"Penso que, às vezes, por mais que você esteja convencida de que sua vida vai seguir determinado rumo, toda a certeza pode sumir com uma simples mudança de maré."







Acabei esse livro há poucos minutos, e admito que nesse  momento, enquanto escrevo, ou tento escrever sobre ele, as palavras a seu respeito jorram em minha mente, mas, ao mesmo tempo, não encontro uma ordem correta para colocar todas elas no papel, e para conseguir descrever a grandeza desse livro, o misto de sentimentos que ele me causou e a forma como ele me impactou e me fez rever, em pouco menos de vinte e quatro horas de leitura, muitos dos meus conceitos que já mantive até hoje. Mas, se há algo que eu preciso dizer para começar é: Colleen Hoover é, definitivamente uma grande diva das palavras. Sim, uma diva das palavras, que sabe usá-las como poucos autores o fazem, e que nos leva a sentir absolutamente tudo o que cada personagem sente, e nos faz acompanhá-los de perto em cada situação e em cada decisão, além de fazer com que nos apaixonemos por cada um de forma tão rápida, e quando preciso nos faz odiá-los com a mesma rapidez.







O sentimento mais predominante em mim, durante toda a leitura foi o sentimento de crueza, de realidade, um sentimento intenso e avassalador de "isso acontece o tempo todo”, de “tem gente passando por isso ao meu lado todos os dias”, e um sentimento de que existem uma diversidade de Lilys e Jennys (mãe de Lily) por aí, passando exatamente pelo que as personagens passaram. Mas, esse não é um livro construído com violência extrema, e é justamente dessa forma que a autora mais conseguiu nos levar para dentro do enredo que ela construiu. Na verdade, encontramos aqui um casal que inicia um relacionamento, e que um dia qualquer eles estão tranquilos e de  repente acontece um ato violento contra Lily. Mas, para ela, e confesso que por alguns momentos, para nós, leitores, aquilo soa como somente um ato impensado do momento de tensão, um ato que jamais voltará a acontecer, afinal, ele a ama... Mas, eis que o tempo passa, nada acontece e Lily, e nós mesmos, nos convencemos de que aquilo foi isolado, até o dia em que acontece novamente. E isso, para mim, foi o que mais ilustrou o que acontece em muitos casos. Ilustrou que por mais que a mulher saiba que é errado ela ainda espera, algumas vezes, que aquilo não volte a acontecer. Mas, Lily e as estatísticas nos mostram que volta a acontecer, que em muitos poucos casos existe alguma melhora por parte do agressor, mas que elas não são garantia de nada, e de que não vale a pena arriscar a vida pois raramente nada muda e só tende a piorar. Nessa história, Lily nos mostra que por mais que nos sintamos certos de como agiríamos perante uma situação, quando estamos literalmente dentro dela tudo muda e qualquer decisão que venhamos a tomar se torna difícil e dolorosa, pois acima de tudo sempre há uma diversidade de fatores envolvidos para cada um, afinal de contas somos todos humanos e todos seres dotados de sentimentos.







A violência doméstica é, por si só, o ponto mais fascinante desse livro, mas como é algo que gera bastante contradições, poderia ter sido conduzido de uma forma que não se mostrasse interessante, mas, como já coloquei acima, Colleen é uma diva das palavras, e soube conduzir cada situação de forma perfeita, e nos levou, degrau a degrau, ao final que deveria ter, e nos mostrou como tudo acaba. Ainda, o segundo ponto mais fascinante desse livro é a caracterização de cada personagem, pois eles são humanos demais, e nenhum demonstra perfeição extrema ou uma completa maldade, o que nos leva a sentir um turbilhão de emoção em relação a cada um deles. E por falar em emoções, as minhas ficaram à flor da pele enquanto lia esse livro, e em alguns momentos senti meu corpo amolecer enquanto eu acompanhava os atos violentos, sentia um aperto no peito e um frio na barriga quando previa a situação chegando novamente, e me sentia arrepiada enquanto via a personagem tendo de tomar as decisões mais definitivas e duras que ela tomaria na vida.







É necessário destacar que É assim que acaba não é um daqueles romances nos quais o foco é um amor romântico, ele existe sim, mas é somente o meio para nos levar a um fim, que é o foco na violência doméstica e a forma como ela chega de mansinho, se instala e se torna algo imenso que passa a acompanhar a pessoa  em todos os momentos, e que a assusta, a mantém refém do medo e do temor, independente da força que exista dentro dela. Além disso, apesar de ser um livro que é pesado pela temática principal que apresenta, ele é escrito com uma leveza incrível, que nos faz deslizar pelas páginas sem que as vejamos passar, e também alterna os momentos densos com tiradas bem humoradas de personagens, momentos românticos e até mesmo momentos bonitos.

É difícil, diante de um livro desse estilo, falar o que seria um ponto negativo. Em geral, eu não encontro absolutamente nenhum sobre o qual falar, mas talvez, outra pessoa lendo poderá pensar totalmente o contrário, devido a suas crenças, seus desejos e seus conceitos.







Lily merece o troféu de personagem mais forte e admirável da literatura. Toda a sua postura e até mesmo suas indecisões me fizeram gostar ainda mais dela, pois ela representou com perfeição todas as mulheres que são vítimas da violência doméstica diariamente. Lily é uma mulher engraçada, convicta, bonita e jovem, que revê todos os seus conceitos e os conserta, a medida em que vai entendendo o que significa a situação pela qual está passando. Ryle também é um personagem apaixonante, e nas primeiras páginas conseguimos nos encantar com ele, com seu jeito determinado e apaixonante. Já Atlas, também nos cativa de igual forma, mas por seu jeito de garoto humilde, simples e sonhador, que batalha na vida e luta muito pelo que quer. Mas, embora tenhamos esses três personagens, não há nenhum momento em que se forme triângulo amoroso ou qualquer coisa do gênero, e embora eu não revelei, e não vou revelar, quem praticou a violência doméstica no enredo, admito que fiquei completamente triste, porque havia um lado meu que se apaixonou completamente por ele, assim como Lily que teve dificuldades de acreditar que ele seria capaz daquilo.







Há aqui personagens secundários que também fazem toda a diferença e que não posso deixar de destacar, e a principal delas é Allysa, uma mulher rica que aparece na floricultura de Lily e se propõe a ajudá-la. Ela é completamente desprendida de seu dinheiro, cativante, engraçada e é do tipo de melhor amiga que eu adoraria trazer para a vida real para que ela pudesse se tornar minha amiga também. Allysa é a "louca do pinterest", e fiquei completamente encantada por ela. Temos ainda Marshall, o marido de Allysa, que é um homem bacana e simples, e também Jenny, a mãe de Lily, que se torna uma fonte de grande apoio e segurança quando a filha menos esperava.

O livro é dividido em trinta e cinco capítulos, e todos são narrados pelo ponto de vista de Lily, o que foi bastante satisfatório, e em nenhum momento senti falta de outros pontos para complementar. Ainda, a autora nos deixa uma nota ao final do livro, que admito que me emocionou e me levou às lágrimas, pois nela Colleen abre seu coração e nos relata o porquê esse livro é tão pessoal para ela.







É assim que acaba não é um livro que tem qualquer pretensão de nos incutir que somente ele está certo e que qualquer outra decisão tomada por uma mulher na situação de Lily seria errada, ele é, na verdade, uma história que nos leva principalmente a reflexão e a empatia, e nos faz entender que cada caso traz infinitas peculiaridades e dilemas que só quem está dentro dele pode entender e decidir o melhor, mas também nos conscientiza com muita sabedoria e propriedade e nos faz questionamentos que são interessantes a serem aplicados a nós mesmos quando nos deparamos com uma situação dessas. É, certamente, o livro mais incrível que já li sobre o tema, e o melhor já escrito por Colleen Hoover, e recomendo de coração que cada leitor dê a si mesmo uma chance de conhecê-lo, ainda que não goste de dramas, pois é uma história que nos muda, nos toca e nos apresenta erros, acertos, perdão, decisões e amor.









Tamara Padilha
Leitora compulsiva com foco em quase todos os gêneros
(exceto os romances de época e ficção científica).
Apaixonada por escrita, e em breve bacharel em direito.
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1 comentários:

  1. Iniciei a leitura ontem, inicio da tarde, e so larguei quando li a última frase. Estou impactada com esse livro... chorei, ri e o mais importante, estou refletindo até o momento sobre uma realidade que muitas mulheres vivem. Infelizmente, as coisas começam exatamente assim, na maioria dos casos. Não só em relação a violência doméstica, mas traucoes abusivas...me vi nesse livro inúmeras vezes...

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