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[Resenha] Mestre das chamas - Por Joe Hill

16 fevereiro 2018

Título: Mestre das chamas
Autor (a): Joe Hill
Páginas: 592
Editora: Arqueiro
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Sinopse: Ninguém sabe exatamente como nem onde começou. Uma pandemia global de combustão espontânea está se espalhando como rastilho de pólvora, e nenhuma pessoa está a salvo. Todos os infectados apresentam marcas pretas e douradas na pele e a qualquer momento podem irromper em chamas.
Nos Estados Unidos, uma cidade após outra cai em desgraça. O país está praticamente em ruínas, as autoridades parecem tão atônitas e confusas quanto a população e nada é capaz de controlar o surto.
O caos leva ao surgimento dos impiedosos esquadrões de cremação, patrulhas autodesignadas que saem às ruas e florestas para exterminar qualquer um que acreditem ser portador do vírus.
Em meio a esse filme de terror, a enfermeira Harper Grayson é abandonada pelo marido quando começa a apresentar os sintomas da doença e precisa fazer de tudo para proteger a si mesma e ao filho que espera.
Agora, a única pessoa que poderá salvá-la é o Bombeiro – um misterioso estranho capaz de controlar as chamas e que caminha pelas ruas de New Hampshire como um anjo da vingança.
Do aclamado autor de A estrada da noite, este livro é um retrato indelével de um mundo em colapso, uma análise sobre o efeito imprevisível do medo e as escolhas desesperadas que somos capazes de fazer para sobreviver.



"O homem que andava como se estivesse embriagado começou a murchar. Então arqueou as costas numa convulsão, jogou a cabeça para trás e as chamas lamberam a frente da sua camiseta. Harper viu num relance o rosto emaciado, contorcido de agonia, e então a cabeça virou uma tocha. Ele bateu no peito com a mão esquerda, mas a direita continuou segurando a escada de madeira. A mão direita ardia em chamas, carbonizando a madeira. Ele jogou a cabeça cada vez mais para trás e abriu a boca para gritar, mas o que jorrou de sua boca foi fumaça preta."

Harper Grayson era enfermeira de uma pré-escola, e levava uma vida satisfatória e sonhadora, cheia de viagens, boa comida e filmes  ao lado do marido, Jacob, um homem devotado e quase perfeito.  O casal, e o resto da humanidade, vivia no mundo com todos os elementos que conhecemos, no entanto, algo estava mudando, depois que surgiu a escama do dragão, uma espécie de doença que se manifestava nos corpos das pessoas através de pequenas listras salpicadas de dourado, e, para a surpresa de todos, essas feridas, após algum tempo, se desenvolviam e começavam a produzir fogo, levando muitos a morte por incendiarem a si mesmos e também os locais ao seu redor, destruindo casas, matas e até mesmo cidades inteiras. Harper acompanhava tudo isso pela televisão que só falava disso, no entanto, ainda não havia presenciado a escama do dragão em ação, até o dia em que vê um homem incendiar-se a si próprio em sua frente, e a partir de então ela soube que aquilo havia chegado em sua cidade.


"Harper ouviu na voz de Carol a crença inocente e absoluta dos fanáticos, o que a deixou consternada. Havia aprendido com Jakob a pensar em quem falava de bênçãos e fé como uma gente simplória e levemente enferma. Quem pensava que as coisas aconteciam por um motivo era digno de pena. Essas pessoas tinham aberto mão da curiosidade em relação ao universo em prol de uma história infantil reconfortante. Harper conseguia entender esse impulso. Ela própria era fã de histórias infantis. Mas uma coisa era passar uma tarde chuvosa de sábado lendo Mary Poppins, e outra bem diferente era pensar que a personagem de fato talvez pudesse aparecer na sua casa para se candidatar ao cargo de babá."

A partir de então, mesmo correndo riscos, Harper candidatou-se para trabalho voluntário em um hospital que recrutava as pessoas, a fim de que os que possuíssem alguma formação na área da saúde pudessem ser de algum auxílio para os que morriam queimados diariamente. Depois de algum tempo, e sem muita surpresa, a enfermeira descobriu-se contaminada, e Jacob, o marido, relembrando um antigo pacto dos dois, que afirmaram que se suicidariam caso adquirissem a doença, passou a insistir, de modo assustador e fanático, para que realizassem logo o ato. No entanto, Harper também descobriu que estava grávida, e se deu conta de já não queria mais cumprir o pacto, uma vez que tinha uma vida dentro de si a proteger. É então que lutando contra todas as probabilidades e contra o tempo, Harper se vê encurralada e é obrigada a fugir do marido, que cada dia se torna mais insano, e é resgatada por um bombeiro, que a leva para uma colônia onde as pessoas lidam de uma forma diferente com a escama do dragão e suas consequências, e lá, Harper perceberá os melhores e os piores lados do ser humano, e terá de lutar a cada novo dia para manter-se viva e para controlar a si e seu próprio corpo.

"E ela por fim mergulhou em sua própria piscina de dor e saudade de tudo de bom que um dia fora seu e agora não existia mais: um café no Starbucks enquanto uma chuva fina e fria batia nas vidraças, passar o aspirador em casa de calcinha e sutiã ouvindo Bruce Springsteen e cantando junto, deixar o olhar se perder pelas lombadas dos livros numa pequena livraria cheia de prateleiras altas, comer uma maçã geladinha no quintal enquanto catava folhas mortas, corredores cheios de crianças tagarelas risonhas agitadas na escola, Coca-Cola em garrafas de vidro. Muito do que a vida tinha de melhor passava despercebido nos momentos em que você o tinha."

Com ritmo ágil e frenético, Mestre das chamas é uma distopia criativa, instigante e eletrizante, que consegue nos deixar ávidos pelo próximo acontecimento e mexe com as nossas mais diversas emoções.

"– Em parte porque o livro fala sobre por que as tragédias inexplicáveis ocorrem – falou Renée. – Mas também porque é curto. Eu sinto que a maior parte do pessoal quer um livro que ache que vai ter tempo de terminar. Ninguém quer começar a ler A guerra dos tronos quando pode pegar fogo a qualquer momento. Existe algo de terrivelmente injusto no fato de morrer no meio de uma boa história, antes de ter oportunidade de ver como tudo acaba. Em certo sentido, claro, eu acho que todo mundo sempre morre no meio de uma boa história. Da sua própria história. Ou da história dos seus filhos. Ou dos netos. A morte é sempre dureza para os viciados em narrativas."








Quando descobri o lançamento de Mestre das chamas, admito que fiquei imediatamente frenética, pois a sinopse já indica que é uma trama daquelas que tem um forte poder de instigar e de nos deixar em um ritmo acelerado, e, assim que consegui, logo o adquiri. No entanto, assim que começaram a sair resenhas a respeito, fiquei um pouco receosa, devido a opiniões que o definiam como muito arrastado em alguns momentos, e eu sinto certo medo de me embrenhar em livros enormes e arrastados, pois demoramos para acabá-los e fico frustrada em ficar enrolando com um livro por muito tempo, e então minha vontade passou. Mas, recentemente, enquanto eu procurava alguma leitura diferente da onda de romances da qual eu vinha, Mestre das chamas veio novamente a minha mente, e indo contra todos os receios resolvi me envolver, e essa foi a melhor decisão que tomei, pois esse é um dos melhores livros que já encontrei nesse gênero, e com certeza ele me instigou a descobrir novos livros que sigam essa vib.






Mestre das chamas foi, com toda certeza, uma surpresa em todos os sentidos, a começar pelo autor, pois eu nunca tinha tido contato com sua obra, mas acabei me surpreendendo muito positivamente com a capacidade que Joe Hill tem de criar um enredo ousado e ele não tem medo de explorar tudo muito a fundo, e também é atrevido com as palavras e ações, fazendo e falando o que tem de fazer, sem se preocupar com sutilezas. Ainda, me surpreendi com o enredo no geral e com o quanto ele me cativou e prendeu, e, felizmente, não encontrei nenhum resquício dos detalhes em excesso que alguns leitores encontraram, e o fato de ser um livro bem detalhado foi um ponto positivo, pois gosto de quando consigo mergulhar profundamente na obra e em suas descrições, pois isso faz com que eu me sinta como se estivesse ao lado dos personagens.






Esse é literalmente um livrão, pois tem 592 páginas e muito conteúdo, mas, preciso dizer que em nenhum momento Joe Hill se perdeu ou se tornou incoerente, e conduziu-nos com maestria a um fim chocante, impactante, inesperado e ainda assim muito adequado e satisfatório, e acredito que não poderíamos querer algo diferente diante do cenário que se apresenta. Além disso, o que mais chama atenção nesse livro é a humanidade das pessoas e como elas se comportam perante situações extremas de vida ou morte, e isso é completamente adequado e também realista, pois todos nós somos dessa forma, e quando nos vemos diante da salvação ou perda de nossa vida, tomamos atitudes inesperadas e muitas vezes fazemos coisas que não faríamos se estivéssemos em outro momento. Encontramos nesse enredo pessoas que enlouquecem, pessoas que são fanáticas, que fogem da realidade e aquelas que conseguem simplesmente manter a calma quando tudo está desabando. Além disso, fiquei bastante impressionada com o poder do fogo nesse livro, e também com a crítica implícita de que nós mesmos que causamos a destruição do mundo, mesmo sem a presença do fogo, com toda a poluição e maus cuidados que aplicamos ao meio ambiente. Ainda, cabe destacar que esse livro me levou a um sofrimento extremo, pois meu coração deu diversos solavancos a medida que as coisas iam acontecendo e conforme o autor me surpreendia nas diversas reviravoltas que criou, e a medida que eu ia evoluindo nas páginas, senti, por vários momentos, vontade de gritar, de tão grande que era o sentimento de surpresa que eu sentia.

Esse livro é razoavelmente extenso e muito bem detalhado, o que pode se tornar um ponto bem negativo para alguns leitores, conforme muitos já falaram a respeito, o que para mim não ocorreu. Além disso, é um livro que foca em um mundo que está se acabando, então traz cenas esparsas de romance, mas nada intenso, o que pode desagradar leitores que o iniciem imaginando que vai trazer um romance tórrido à beira do fim do mundo.






Harper é uma personagem incrível, forte e determinada, e admiramos a maioria de suas ações, que se desenvolvem de forma muito coerentes e interessantes. Ela e seu  jeito inicialmente meigo e calmo demais, são de grande utilidade durante o caos que a morte iminente causa. John, o bombeiro, é um cara quase mágico, literalmente, e as coisas que ele faz em relação ao fogo são incríveis e chocantes ao mesmo tempo. Ele é um homem torturado, e não tem, nem de longe, aquela pinta de bad boy que alguns protagonistas de alguns livros tem, e é alguém que me causou muito afeto. Outros personagens que se destacaram, dentre tantos  que o livro apresenta foram Carol, uma mulher muito maluca com toda a situação na qual eles se encontram, e é fanática, de um modo que nos deixa com vontade de simplesmente sacudi-la para ver se ela acorda e para de ser fora da realidade. Ainda, tem nick, um garotinho muito cativante, que me deixou de coração na mão, com toda a sua situação, maturidade e sabedoria. No lado maligno, tem Jacob, o marido de Harper, que é alguém completamente enlouquecido e que é aquela sombra que jamais some e está pronto para dar o bote a todo momento. O livro traz vários outros, que tem personalidades e características muito bem destacadas, e que conseguem despertar vários sentimentos em nós, e, apesar de eles serem muitos, em nenhum momento me senti confusa pois cada  um é introduzido em determinado momento na trama e temos tempo para assimilar seus nomes e seus papéis.






O livro é narrado em terceira pessoa, o que nos permite visualizar vários pontos de vista, e é dividido em trinta e três capítulos grandes. Ao final, Joe Hill nos apresenta a data de início e término da escrita do livro, e podemos perceber que decorreu um bom tempo entre o começo e o fim, o que nos faz imaginar que o autor empreendeu tempo em suas pesquisas, que são impecáveis.

Recomendo o livro para os leitores que gostam de ação, agilidade e tramas que  nos deixam com o coração na mão, no aguardo da próxima surpresa que virá. Joe Hill mostra as suas raízes, pois é filho de Stephen King, e mesmo que eu li só um livro de Joe, posso dizer que ele merece, assim como o pai, o título de Mestre da escrita.









Tamara Padilha
Leitora compulsiva com foco em quase todos os gêneros
(exceto os romances de época e ficção científica).
Apaixonada por escrita, e em breve bacharel em direito.
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