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[Resenha] O problema do para sempre - Por Jennifer L. Armentrout

06 fevereiro 2018

Título: O problema do para sempre
Autor (a): Jennifer L. Armentrout
Páginas: 392
Editora: Galera Record
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Sinopse: Mallory viveu muito tempo em silêncio. Mas o destino lhe reserva um novo desafio. E ela percebe que está na hora de encontrar a própria voz
Já na infância, Mallory Dodge percebeu que só poderia sobreviver se ficasse calada. Teve que aprender a ficar o mais quieta possível. Aprendeu a passar despercebida. A se esconder. Mas agora, após ter sido adotada por pais amorosos e dedicados, ela precisa enfrentar um novo desafio: sobreviver ao último ano do Ensino Médio numa escola de verdade. O que Mallory não imaginava é que logo no primeiro dia de aula daria de cara com um velho amigo que não via desde criança, quando viviam juntos no abrigo. E começa a notar que não é a única que guarda cicatrizes do passado, além de uma paixão adormecida e inevitável.



"As palavras não eram o problema. Elas voavam pela minha cabeça como um bando de aves migrando para o sul no inverno. Palavras nunca foram o problema. Eu as tinha, sempre tive, mas arrancá-las de mim e lhes dar voz sempre fora complicado."

Mallory dodge já sofreu muito na vida, e até onde sua memória alcança, ela não tem nenhuma recordação de algum dia ter tido uma família unida e amorosa. Na verdade, infância e família pouco se associam a seu vocabulário, uma vez que a garota passou todos os seus anos em um lar adotivo onde só existiam drogas, bebidas e agressões gratuitas. A única coisa boa que existia nesse lugar era Rider, um garoto pouco maior que ela, mas que todas as vezes em que as surras vinham, se colocava a sua frente, protegendo-a e cuidando dela, e fazendo o papel de lhe afagar a noite e de ler histórias antes de ela adormecer em mais um dia de medo e tristeza. No entanto, após uma tragédia, Mallory ficou profundamente ferida, e Rider foi arrancado de sua vida. Após passar um tempo em perigo, Mallory é salva por Rosa e Carl, um casal de médicos com boa condição financeira, e dispostos a dar o amor e educação que a garota nunca recebeu.


"— Não foi culpa sua — sussurrei, enjoada pelo que ele estava dizendo. Olhei para ele. Rider realmente acreditava que aquilo tinha acontecido por causa dele?
Sua cabeça se inclinou para o lado.
— Sim, eu fiz uma promessa. Não cumpri, não quando mais importava.
— Não — declarei e, quando ele começou a responder, puxei meu braço. A surpresa passou pelo seu rosto. — Aquilo... não era uma promessa que você deveria ter feito. A ninguém. — Ele prometera estar ao meu lado para sempre e tinha feito todo o possível para não quebrar sua palavra. Havia coisas que não podiam ser controladas, especialmente por uma criança."

No entanto, nada é tão fácil, e Mallory não consegue deixar seus traumas para trás tão rápido. Após quatro anos de muito trabalho na terapia, e de muita paciência por parte dos pais adotivos, Mallory resolve que está pronta para se inserir no mundo, indo fazer o ensino médio em uma escola comum. Ao chegar no local, a garota se vê incapaz de dizer muitas palavras, como era seu hábito desde sempre, e também encontra uma grande surpresa: Rider, o seu protetor do passado. Entretanto, nada é tão fácil, e ambos percebem que estão completamente mudados e que vivem vidas diferentes, além de ser uma relação pouco aprovada pelos que estão ao seu redor devido as lembranças que ela desperta, mas, ainda assim, quando a proximidade se torna algo comum, os dois encontram o apoio um no outro e conforme as defesas vão caindo, mallory e rider percebem que talvez tenham coisas a enfrentar juntos, e que o afeto do passado se transformou em amor, ainda que talvez seja difícil de manter as suas mãos unidas em meio ao caos e aos mundos diferentes nos quais eles habitam.

"— Eu sei que você merece coisa melhor, mas eu quero ser melhor. Quero ser isso para você. — Sua voz baixou quando ele parou na minha frente. — É por isso que vou lhe perguntar uma coisa.
A vibração era profunda em meu peito e barriga. Fiquei sem fôlego quando o olhei nos olhos.
— O quê?
Sua mandíbula se contraiu, e seu peito estufou.
— Posso beijar você?

Em uma história singela, tocante e muito bem construída, encontramos dois jovens que amadureceram muito cedo, e que se compreendem, compartilhando um passado cheio de dor e sofrimento e um presente que precisa ser reconstruído para que ambos tenham um futuro melhor.

"Eu sabia que isso era verdade. O amor era a sensação de inchaço e esperança no meu peito a cada vez que eu o via. O amor era a maneira como eu podia esquecer tudo quando estava com ele. O amor era a falta de ar quando ele me olhava de seu jeito intenso. O amor era o arquejo que ele podia arrancar de mim com o mais simples dos toques. O amor era a maneira como eu podia... eu podia ser eu mesma perto dele, saber que não precisava ser perfeita ou me preocupar com o que ele estava pensando, porque ele me aceitava. E tudo isso."








O problema do para sempre foi um daqueles livros que me surpreendeu completamente, uma vez que surgiu para mim em um dos meus passeios pelo skoob, e eu nem sabia que ele tinha sido lançado, e também veio com uma temática muito instigante, em uma época na qual eu estava procurando bons livros jovem-adulto. Então, imediatamente o adicionei na lista de futuras leituras, mas não aguentei de ansiedade e resolvi lê-lo. E foi aí que residiu a segunda surpresa, pois além de ser um livro que trabalha temáticas fortes, impactantes e daquelas que nos tiram o fôlego perante tanto sofrimento e dor, também é um livro completamente bem construído, cheio de maturidade, bem escrito e que nos instiga a continuar lendo para descobrir o seu desfecho, que por sinal, é tão maravilhoso quanto todo o livro e caiu muito bem diante do cenário que se apresenta para nós.






Com toda certeza, o ponto mais positivo para mim, é essa maturidade encontrada nos personagens, pois não há nada que eu deteste mais do que personagens infantilizados ou cheios de mimimis. Aqui, encontramos jovens de dezessete anos, mas que bem poderiam ter trinta ou quarenta, de tão comprida e cheia de percalços que foi suas vidas. Além disso, as temáticas trabalhadas em relação a esses personagens como a violência infantil, a adoção, o senso de proteção e de culpa, e traumas que as situações deixam em nós foram extremamente bem construídos, e me fizeram entrar dentro da história e me manter lá, ao lado de cada um. Também, é abordado o tráfico de drogas, com alguns personagens secundários, e isso foi uma situação absolutamente marcante e tocante para mim, pois nos faz perceber um lado diferente das pessoas que embarcam nessa, e nos mostra que não dá para aplicar o princípio de "se envolveu com drogas é bandido", por que em tudo as pessoas possuem uma motivação, e as vezes essas são mais altruístas do que qualquer outra coisa, e muitas vezes quem está nesse mundo precisa mais de apoio e acolhimento para sair de lá, do que julgamentos e preconceitos.







Ainda, outra coisa muito bacana que acontece aqui é o romance, que se constrói aos poucos, e difere daquelas histórias em que o "eu te amo" surge de um dia para o outro, e a autora conseguiu construir um amor muito sólido, ainda que envolvendo jovens, e percebemos sinceridade em cada palavra pronunciada. Cabe também um destaque para todas as relações que se construíram, seja de Rider com os garotos com quem ele mora em um lar provisório, seja de Mallory com esses mesmos garotos que também a acolheram muito bem, e também a relação da garota com rosa e Carl, e a forma como isso se construiu,.

E falando em construção, acredito que a personagem Mallory, foi, para mim, a mais bem construída em todo o livro, pois de uma garota que mal pronunciava três palavras no início da história, ela passou a ser dona de si, aprendendo, aos poucos,  a enfrentar as pessoas quando necessário, e aprendeu a impor a sua vontade, pois não há como ser perfeita para aqueles que amamos, pois eles precisam aprender a conviver com as nossas imperfeições para que entendam que somos humanos igual a todos os outros, e essa situação se deu principalmente com Carl e Rosa, e foi muito bem conduzida.  Rider também é um personagem lindo, torturado e dá vontade de simplesmente acolhê-lo e abraçá-lo, pois é um rapaz que embora saiba que faz muitas coisas bem, sua ideia é de que ele nunca será alguém digno e nunca conseguirá alcançar coisas grandes. Já em relação aos personagens secundários, Jayden, um dos rapazes que mora com Rider, conseguiu conquistar, e despedaçar meu coração de igual forma com sua história que me arrancou lágrimas.







O livro não tem pontos negativos de grande destaque, mas, algo que me frustrou um pouco foi o uso de reticências na maioria dos diálogos da personagem  Mallory, mas isso obviamente foi explicado pois significava as suas pausas e hesitações em falar, mas após encontrar várias eu acabava ficando um pouco frustrada, mas isso não atrapalha na beleza da história ou em qualquer outra coisa. Ainda, para leitores que eventualmente possam não gostar de livros com cargas dramáticas, talvez as situações bastante realistas que encontramos aqui podem não ser agradáveis.

A história é narrada em primeira pessoa, exceto o prólogo, e dividida em trinta e oito capítulos ágeis de serem lidos, e realizei a leitura em e-book.







Recomendo esse livro para os apaixonados por dramas e também para aqueles que gostam de um bom livro jovem-adulto. Certamente, é uma história marcante, bela e que tem o poder intenso de nos comover e nos tocar.









Tamara Padilha
Leitora compulsiva com foco em quase todos os gêneros
(exceto os romances de época e ficção científica).
Apaixonada por escrita, e em breve bacharel em direito.
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1 comentários:

  1. Oi Tamara!
    Parabéns pela sua resenha! Ela está maravilhosa! Li este livro ano passado e o achei encantador, até porque tive meu primeiro contado com a autora há pouquíssimo tempo e quando vi que este estava disponível, não hesitei em comprar!
    Foi uma das histórias mais bonitas e impactantes que já li, mexeu muito comigo!
    Beijos

    www.blogleituravirtual.com

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