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[Resenha] Uma canção para a libélula - Por Juliana Daglio

23 fevereiro 2018

Título: Uma canção para a libélula
Autor (a): Juliana Daglio
Páginas: 612
Editora: Amazon / Publicação independente
Skoob
Compre: Amazon

Sinopse: Ainda criança, a talentosa Vanessa compôs uma canção para expressar seu fascínio por libélulas. Sem compreender o significado desses insetos alados em sua vida, ela cresceu para se tornar uma pianista de sucesso, famosa em toda a Europa. Porém, sua alma sombria e quieta segue assombrada por uma presença cinza, uma doença inescrutável. A jovem pianista precisa retornar ao Brasil, ignorando a voz obscura que ronda sua mente, prometendo tragá-la para as memórias terríveis que cercam sua antiga casa em São Paulo. Seu reencontro com a mãe não facilita para que enfrente os sintomas de fraqueza que a acometem, levando-a a um abismo em si mesma. Contudo, Vanessa não estará mais sozinha. Em meio a todo o caos, conhece Nathan, um misterioso rapaz que se esconde por trás de meios sorrisos. Logo ele se mostra decidido na missão de ajudá-la a encarar a parte mais difícil de sua doença – a sobrevivência.
Uma história sobre depressão, perdas e superação, que já conquistou centenas de leitores em suas primeiras edições. Agora o texto chega até o leitor em uma segunda versão, com o conteúdo renovado e cenas inéditas que compõe a mesma história. A trajetória de uma simples ninfa através de lagos sombrios, de um casulo apertado, até o romper das asas de uma imponente Libélula.
Seja forte agora, mas não contenha suas lágrimas.
Ouça a Canção até o final.



"Em segundos ela voltou a ficar sozinha com sua mais nova amiga, que agora parecia também olhá-la igualmente encantada, pairando no ar. A menina cantou uma nota, pois achou que se parecia com as asas, depois outra, que se assemelhava ao movimento delas, depois mais algumas, até formar um pedacinho de uma canção. A libélula ficou ainda mais atraída pelo som vindo da menina e se aproximou. As duas ficaram se olhando por um tempo, sem censura, apenas presas entre si como os seres celestiais se prendem às preces dos mortais.
Foi aí que a cena ficou registrada para sempre. Nunca se perdeu, apenas estagnou-se no tempo como uma lembrança incompleta, um filme ainda não revelado, uma fotografia pela metade. Uma canção sem acordes.
É nessa parte que o papel da morte cinza entrou na história, na parte que não foi mostrada na imagem."

Desde a infância Vanessa dos Santos já delineava as suas qualidades, que a definiriam na vida adulta: ela era uma garota introspectiva, silenciosa e bastante recolhida consigo mesma, e, tinha como paixão intensa a música, que se derramava de seus dedos com muito sentimento e emoção, e que era sua vida e seu conforto, juntamente com seu piano e o fascínio por libélulas, que a levou a compor uma canção para esses seres ainda muito nova e isso fez com que os que a viam de fora lhe considerassem uma menina prodígio.  Tal introspecção  se dava em parte porque Vanessa sempre sentiu que não era amada pela mãe, Valéria, uma ex-modelo famosa que abandonou a carreira quando engravidou da menina. Além disso, aos dez anos de idade a garotinha passou por uma grande perda, que a fez partir para a casa da tia em Londres e abandonar toda a vida que ela antes conhecia. Anos depois, aos vinte e cinco anos de idade, Vanessa se tornara uma pianista famosa em toda a Europa, e vivia intensamente seu sonho de viver de música. No entanto, havia uma vilã cinzenta e  tenebrosa que espiava diariamente por cima de seu ombro e a empurrava lentamente para um precipício e jamais a abandonava e a impedia de amar e aproveitar plenamente a vida.

"— Vai passar... Vai passar! — repeti, num murmúrio tórrido. — Só mais um pouco, Vanessa.
Os olhos dela estavam em mim, assim como no pesadelo. As garras afiadas grudavam nas paredes da minha alma, ascendendo, chegando velozmente à superfície.
A presença cinza estava ali. A Vilã de minha história.
Venha, vou lhe mostrar uma coisa. Mas tente não desviar os olhos — sussurrou, como se a lembrança do sonho tivesse se tornado real.
E era real."

A vilã cinzenta, chamada de depressão, apesar de sempre presente, era no geral contida por Vanessa. No entanto, após uma ligação, que noticiava que o pai de Vanessa sofrera um infarto e que ela precisaria voltar para o Brasil, a fim de estar ao lado dele e também de enfrentar seus demônios, a vilã cinzenta chega aos poucos e começa a dominá-la, até tê-la por completo. É nesse cenário de sua antiga casa, lembranças e dores que Vanessa conhece a dor intensa, paralisante e também o poder da vilã que a assombrou durante toda a vida. Ao mesmo tempo, a pianista também conhece Nathan, um rapaz misterioso, cheio de segredos e com um coração imenso, que é capaz de segurar a sua mão e ajudá-la a ver a luz que há no fim do túnel, mesmo que esta esteja distante e por vezes pareça inalcançável.

"Tudo começa assim: uma tristeza aqui, um dia de apatia ali; uma angústia fraca, outra forte. Depois vem a perda de interesses. Resolve-se reconhecer a própria inutilidade. Não há vontade alguma de levantar da cama, e, quando se levanta, não há vontade de voltar. Daí por diante, tudo parece estar perdido.
Parece não ter volta.
Talvez não tenha...
Para voltar é preciso querer, e quando essa vilã assombrosa assume seu lugar na vida de alguém, ela retira até mesmo o direito de vontade."

Escrito de maneira sensível, fascinante e completamente emocionante, Uma canção para a libélula é um livro cru, que nos faz compreender a personagem principal e também nos permite mergulhar nessa trama de depressão, amor, dor, redenção, escuridão e de luz.

"— Há uma observação que eu gostaria de fazer sobre algo que você escreveu nela. Posso? — Aguardou minha anuência, pensativo. — Disse que é preciso ter coragem para enfrentar a morte. Mas eu tenho uma objeção a isso; para mim, é preciso ter coragem para enfrentar a sobrevivência. É o que você está fazendo agora."

" Sim, palavras podem salvar vidas. As de Nathan salvaram a minha. Muitas vezes."







Eu não sei por onde começar falar de Uma canção para a libélula, pois acho difícil descrever, de uma forma coerente, o tanto que esse livro me marcou, fez com que eu me identificasse com a história, e também me fez refletir. Mas, talvez contar como eu o conheci seja um bom começo... Na verdade, ouço falar de Uma canção para a libélula há um longo tempo, desde a primeira edição dele que foi lançada. Na época, uma colega de blog o leu e imediatamente se encantou, e divulgou para quem quisesse ouvir o quanto a Juliana era uma autora maravilhosa. No entanto, como eu era muito receosa com novos autores, principalmente quando não ouvia um monte de opiniões a respeito deles, deixei passar a dica, e sequer sabia do que o livro tratava. Porém, recentemente, mais de dois anos depois da primeira vez que ouvi falar na Juliana, eu passei a acompanhá-la nas redes sociais e percebi o quão carismática e dedicada ao seu trabalho ela era. Então, fiquei sabendo do seu próximo lançamento, pela Bertrand, e disse a mim mesma que iria lê-lo. Mas, para a minha surpresa, no início de janeiro a autora anunciou em suas redes sociais que iria relançar Uma canção para a Libélula na Amazon, plataforma independente, e então, dessa vez, resolvi que precisava conhecer esse livro tão amado e aclamado pelo público que o conheceu, e admito que foi uma experiência ímpar, marcante e ele se tornou um daqueles livros inesquecíveis, e colocou a Juliana no patamar dos autores de quem eu quero ler todos os futuros lançamentos, e me trouxe sentimentos diversos como tristeza, angústia, dor pela personagem, mas também amor, a incrível sensação de como é se reerguer quando parece que isso não é mais possível e também o sentimento de força, muita força.







Já nas primeiras páginas, pude perceber que o livro trazia uma história forte, densa e que iria fazer com que eu criasse uma forte conexão com a história e com a personagem. E, conforme evoluí na leitura, essa percepção somente se intensificou. Uma canção para a libélula é daquele tipo de livro que vai fundo nas nossas entranhas, ele mexe com os nossos mais profundos sentimentos e, por vezes, cutuca em feridas dolorosas, causadas pelo tema em questão, que, embora seja apresentado aqui através de uma história de uma personagem fictícia, é algo muito real e assola pessoas, famílias e grupos inteiros todos os dias. Além disso, essa não é uma história que mascara os sintomas da depressão, que pretende dizer que ela some magicamente de um dia para o outro, e sim é uma história muito realista, que discorre sobre a luta e batalha diária que é conviver com essa doença, sobre as dificuldades que ela nos proporciona, e acima de tudo é um exemplo de empatia, uma vez que quem está de fora nunca consegue compreender plenamente a depressão, e poucas vezes consegue saber verdadeiramente como a pessoa se sente, e aqui podemos entender que quando a pessoa se permite apenas afundar, não significa que ela faça aquilo de propósito, faça para chamar atenção ou não é alguém que ajude a si mesmo, e sim porque essa vilã cinzenta, invisível é uma força tão densa, tão aterradora que recobre todos os desejos, sonhos e energia de alguém que infelizmente é dominado com  ela, e funciona como o ralo de uma piscina, por exemplo, que possui uma força descomunal e que  nos prende e sufoca, até conseguirmos finalmente nos desvencilhar daquilo tudo.







Algo que chama atenção nessa história, é a construção dos personagens, que é completamente bem feita e traz personagens muito humanos e muito cheio de erros e acertos, e demonstra que muitas vezes, mesmo buscando acertar, erramos feio e também ilustra que nem todos somos completamente maus ou bons, e que há uma diversidade de circunstâncias desconhecidas por traz de cada história. Ainda, a escrita da Juliana é primorosa, e a cada novo parágrafo que lemos, podemos perceber o cuidado que ela teve ao escrevê-los, e ela, assim como Vanessa, compôs o livro como uma canção dolorosa, triste, às vezes com notas agudas que são difíceis de suportar de tantos sentimentos que nos passam, mas, ainda assim é uma canção linda e cheia de aprendizados. Além disso, todo o drama aqui trazido é perfeitamente crível e realista, e, em nenhum momento imaginamos que tal cena não ocorreria na vida real ou que aquilo ficou exagerado, pois tudo foi muito bem dosado, e sentimos uma sensação forte de autenticidade em tudo que lemos.

Quanto ao romance presente no livro, ele é completamente coerente com todo o resto, e é introduzido na história de forma lenta, sutil, e encontramos primeiramente a construção de uma amizade verdadeira e uma conexão especial entre os personagens, para que só depois haja amor. Também, vale dizer que embora esse romance esteja na história, e seja algo bacana e marcante, não é ele o foco do enredo, e sim Vanessa, uma mulher incrível, linda e talentosa em sua queda e depois seu renascimento, e sobre as pessoas que colaboraram nesse processo difícil e doloroso.







Eu, particularmente, recomendo esse enredo incondicionalmente, mas, é preciso que o leitor que vá embarcar nele saiba de antemão que é uma história com uma dose forte de coisas complicadas e por vezes dolorosas, e requer que por vezes paremos para absorver o que está sendo descrito, então, não é possível entrar nessa história esperando algo leve e divertido, pois o enredo traz uma temática forte, que é trabalhada de forma muito adequada, mas também não pense que é um livro de autoajuda, pois ele passa longe disso, ao menos na forma habitual.

E, falando em adequação, a autora foi muito feliz ao criar essa trama, pois não exagerou e nem diminuiu os sentimentos de quem passa pela depressão, e, provavelmente isso se deu porque a Juliana também lidou e lida com a depressão, e conhece de perto os sentimentos e como ela funciona, e conseguiu transmitir com maestria as sensações e sentimentos para o livro e para seus leitores, o que achei uma atitude completamente corajosa por parte da autora, pois sei que não é nada fácil abrir o coração, os sentimentos e a alma desse modo tão profundo.

Vanessa é uma personagem muito intensa, e como a história é narrada em primeira pessoa, nós conseguimos sentir tudo que ela sente. Apesar de aparentar frieza por fora, seu interior tem um turbilhão de emoções e sensações, e muitas vezes ela passa a sensação de estarmos perante a um espelho, quando conseguimos nos identificar com o que ela sente, ou a sensação de estarmos diante de alguém do nosso próprio convívio que passa por isso, pois através de Vanessa enxergamos também aqueles que conhecemos e que precisam de ajuda e também os conhecemos e entendemos melhor. Já Nathan é um rapaz misterioso, e por vezes isso nos frustra, pois assim como Vanessa, queremos descobrir tudo que o cerca e o que tanto ele esconde. A família Santos também é muito bem construída, e senti afeto e tristeza em igual medida por cada um deles, e os compreendi, até mesmo Valéria, a mãe que fez tão mal para a filha, mas que percebemos ao longo da narrativa que também possui uma doença e precisa de tratamento, embora essas coisas não sejam justificativa para que ela machuque as pessoas sem pensar em seus sentimentos.







Uma canção para a libélula é dividido em 51 capítulos, mais prólogo e epílogo, e narrado pela personagem Vanessa. O livro foi lançado em 2015/2016 por uma editora, dividido em dois volumes, e agora, no final de 2017 foi reescrito pela autora, que trouxe mais coerência para pontos que antes estavam ainda em aberto, além de nos levar a uma conexão mais efetiva com alguns personagens, como Nathan, e  o lançamento desta nova versão se deu através da Amazon, plataforma independente, no formato ebook, e possui um único volume.

Recomendo Uma canção para a libélula para todos os leitores que gostam de histórias belas, sensíveis, que nos tocam fundo e nos levam a pura reflexão. Uma canção para a libélula é um livro de amor, luz, força e muita empatia, que merece ser espalhado para que muitos corações o conheçam e ouçam a canção real que a libélula tem a nos oferecer.









Tamara Padilha
Leitora compulsiva com foco em quase todos os gêneros
(exceto os romances de época e ficção científica).
Apaixonada por escrita, e em breve bacharel em direito.
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1 comentários:

  1. Menina do céu, que resenha mais linda! Queria tatuar!! <3
    Você não tem ideia do bem que me fez ler cada uma dessa palavras e do enorme amor que estou sentindo agora. Me enche de forças saber que a mensagem foi entregue dessa forma.
    Obrigada por me dar a oportunidade de ser lida por você, e por deixar minha libélula posar no seu coração <3

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