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[Resenha] A irmã da pérola - Por Lucinda Riley

02 março 2018

Título: A irmã da pérola
[Série as sete irmãs #4]
Autor (a): Lucinda Riley
Páginas: 528
Editora: Arqueiro
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Sinopse: Ceci D’Aplièse sempre se sentiu um peixe fora d’água. Após a morte do pai adotivo e o distanciamento de sua adorada irmã Estrela, ela de repente se percebe mais sozinha do que nunca. Depois de abandonar a faculdade, decide deixar sua vida sem sentido em Londres e desvendar o mistério por trás de suas origens. As únicas pistas que tem são uma fotografia em preto e branco e o nome de uma das primeiras exploradoras da Austrália, que viveu no país mais de um século antes.
A caminho de Sydney, Ceci faz uma parada no único local em que já se sentiu verdadeiramente em paz consigo mesma: as deslumbrantes praias de Krabi, na Tailândia. Lá, em meio aos mochileiros e aos festejos de fim de ano, conhece o misterioso Ace, um homem tão solitário quanto ela e o primeiro de muitos novos amigos que irão ajudá-la em sua jornada.
Ao chegar às escaldantes planícies australianas, algo dentro de Ceci responde à energia do local. À medida que chega mais perto de descobrir a verdade sobre seus antepassados, ela começa a perceber que afinal talvez seja possível encontrar nesse continente desconhecido aquilo que sempre procurou sem sucesso: a sensação de pertencer a algum lugar.
Filha de um pastor em Edimburgo, no início do século XX, Kitty McBride é presenteada com a chance de deixar seu ambiente opressivo e ir para a Austrália como dama de companhia da Sra. McCrombie. Em Adelaide, seu destino se entrelaça com o da família da velha aristocrata, incluindo seus dois jovens sobrinhos: o impetuoso Drummond e o ambicioso Andrew, gêmeos idênticos, porém em tudo diferentes, além de herdeiros de um próspero comércio de pérolas.
Seu bilhete para uma nova terra oferece todas as oportunidades de aventura com que ela sempre sonhou e um amor que ela jamais poderia imaginar...
Cem anos depois, Ceci D’Aplièse decide seguir o exemplo das irmãs e ir atrás de sua família biológica. Seguindo as coordenadas deixadas pelo pai adotivo antes de morrer, ela parte rumo à Austrália, e se vê refazendo os intrincados passos de Kitty à medida que procura descobrir a própria história – uma narrativa improvável que envolve uma pérola amaldiçoada e um mergulho mágico na arte aborígine.



Resenhas anteriores
 As sete irmãs #1 - As sete irmãs
As sete irmãs #2 - A irmã da tempestade
As sete irmãs #3 - A irmã da sombra



"Compreendi, então, o que era a solidão. Parecia algo que me corroía por dentro, mas, ao mesmo tempo, um grande vazio. Pisquei para conter as lágrimas. Nunca fui de chorar, mas elas não paravam de vir, até que minhas pálpebras foram forçadas a se abrir pela pressão de uma represa prestes a explodir.
Não tem problema, você pode chorar, Ceci...
Ouvi a voz reconfortante de Ma na minha cabeça. Foi isso que ela me disse em Atlantis quando caí de uma árvore e torci o tornozelo. Em meu esforço para não chorar, mordi o lábio inferior com tanta força que chegou a sangrar.
– Sim, é claro que ela se importa – murmurei em desespero."

Desde que foi adotada por um homem rico quando era um bebê de meses de idade, assim como outras cinco meninas, Ceci D’Aplièse  desenvolveu um grande apego com aquela que tinha a idade mais próxima da sua: Estrela. Com o passar do tempo, as meninas cresceram juntas como se fossem gêmeas, e desenvolveram uma relação até mesmo estranha para os que viam de fora, uma vez que dependiam inteiramente uma da outra, e Ceci, a mais falante, falava sempre por Estrela, que permanecia calada e recolhida. Porém, após a morte do pai, ele deixou dicas e pedidos para que cada filha seguisse seu caminho e descobrisse sua origem, e foi assim que, após a ida de Estrela para o mundo de onde ela veio, Ceci se vê sozinha e desamparada. Dessa forma, ela resolve também abrir a carta que o pai lhe deixou, ouvir seus conselhos e resolve analisar  as pistas que ele reuniu: uma foto em preto e branco de dois homens, e também um nome anotado em um papel de alguém chamada Kitty Mercer, uma mulher de quem ela jamais ouvira falar.

"Tinha sido um acaso: duas pessoas solitárias à deriva em uma praia, ajudando uma à outra. Ele seguiria em frente, e eu também, mas esperava mesmo que fôssemos sempre amigos."

Dessa forma, após se ver sozinha no grande apartamento que dividia com a irmã, e depois de decidir abandonar de vez a faculdade de arte que cursava, não lhe resta mais nada na fria Londres, e então Ceci resolve ir para a Austrália, conhecer e tentar descobrir mais sobre suas origens para que quem sabe algumas coisas sobre si mesma se esclareçam. No entanto, antes de chegar ao local, Ceci resolve passar algum tempo em uma praia Tailandesa, um local que lhe faz se sentir em casa e também lhe traz boas lembranças, pois foi uma das viagens mais especiais que fez com a irmã, Estrela. Ao chegar lá, Ceci revisita velhos amigos, velhos lugares e passa noites solitárias observando a lua e a beleza do céu noturno. Em uma dessas noites, ela conhece Ace, um rapaz cabeludo, a quem apelida de lobisomem, e constrói, com esse estranho, uma relação intensa de proximidade, apesar de ser uma mulher fechada para os outros. Uma das provas dessa proximidade intensa é o fato de Ceci revelar que está em busca de sua verdadeira origem, e revela para Ace o nome que  pa Salt lhe deixou: Kitty Mercer.

"Como essas histórias de vários lugares do mundo podem ser tão semelhantes?, pensei. Quero dizer, quando foram originalmente contadas, milhares de anos antes, os gregos não podiam simplesmente mandar um e-mail para o povo aborígine, ou os maias no México contarem por telefone aos japoneses. Poderia realmente haver uma ligação maior entre o céu e a terra do que eu pensava? Talvez houvesse mesmo algo místico, como diria Tiggy, no fato de termos recebido os nomes das famosas irmãs do céu, e de a sétima estar perdida..."

Dias após a revelação, Ace traz um grande presente para a solitária Ceci: a biografia da mulher misteriosa, e começa a lê-la para a garota, que não consegue fazê-lo sozinha por ter dislexia. Nessa jornada, Ceci descobrirá a história de uma grande mulher que passou de ser a filha de um pastor para se tornar uma esposa de um rico comerciante de pérolas, e alguém que conheceu a dor, o amor e a perda, e teve de se reinventar e se tornar dona de si e de seu mundo, em uma época em que as mulheres pouco tinham voz e quando a sociedade ainda era cercada por muitos tabus.

"Devemos tentar ser responsáveis por nossas ações, mas não podemos ser pelas ações dos outros. Elas têm um jeito insidioso de se emaranhar como uma trepadeira em nossos destinos. Tudo na Terra tem ligação com outras coisas."

Trazendo cenários paradisíacos, histórias incríveis que se entrelaçam e personagens apaixonantes, Lucinda Riley constrói em a irmã da pérola uma história inesquecível e marcante, que tem o poder de nos encantar e mexer com todos os nossos sentimentos.

"– O amor é a emoção mais egoísta e altruísta do mundo, Celeno, e suas duas facetas não podem ser separadas. A necessidade em si luta com o desejo de a pessoa querida ser feliz. Só que o amor não é algo a ser racionalizado e nenhum ser humano escapa de seu controle, acredite."






Sempre que tenho um  livro de Lucinda Riley em mãos, imediatamente me encho de expectativas, e, embora eu saiba que isso nem sempre é bom de se fazer, pois muitas expectativas podem gerar decepção, eu não consigo evitar, pois até hoje essa autora só conseguiu me surpreender. E, em A irmã da pérola a situação não foi diferente, e já nas primeiras páginas, me vi enredada em uma teia de amor e fascínio pelos personagens de uma forma tão intensa, que meu desejo mais imediato era o de passar a noite lendo e só deixar o livro de lado quando terminasse a última página, e, embora não li ele sem parar como gostaria, por meus compromissos não me permitirem, admito que o devorei em cada minuto livre, e quando não estava com o livro, ficava pensando sobre aqueles personagens e os imaginando como pessoas do meu próprio convívio.

E, certamente os personagens são um dos pontos mais incríveis de qualquer obra de Lucinda Riley, e dessa obra também, pois ela constrói pessoas tão humanas, tão imperfeitas e cheias de erros, acertos e tentativas, que é impossível não nos identificarmos com um ou vários deles em diferentes medidas, e também acabamos entrando em uma torcida para que as coisas deem certo, para que os objetivos sejam alcançados e para que cada um seja feliz de alguma maneira. E, falando em acontecimentos e coisas dando certo, Lucinda tem um poder incrível de esmigalhar o nosso coração e também de reconstruí-lo com a mesma magistralidade. Ela é uma autora que não tem medo de ousar, e permite que os personagens tenham vida própria e faz com que aconteça com cada um deles coisas que jamais imaginamos sonhar ou imaginar, mesmo que essas coisas sejam contrárias do que estávamos esperando, e ela nos surpreende e nos leva a acreditar que o rumo que ela escolheu, embora imprevisto, seja o melhor caminho.

Além disso, Lucinda constrói cenários como ninguém, e admito que me senti imersa no calor da Austrália, e pude até mesmo sentir as picadas dos insetos e a poeira que permeia o país, uma vez que estas são descritas com tanta naturalidade e perfeição, e pude sentir a brisa do mar da praia tailandesa e a sensação de Ceci em seus contatos com a natureza. Também, achei incríveis as pesquisas e informações que recebemos sobre o povo aborígene, seus costumes e seus segredos, e me senti como em uma aula de história, porém de forma leve, instigante e sequer percebemos que estamos aprendendo, até terminarmos o livro e pensarmos: "uau, quanto aprendizado ganhei aqui", além de todo o aprendizado em relação a arte e pintores famosos, que me despertaram muita curiosidade, pois eu pouco havia ouvido falar desse tema.  Ainda, embora encontremos uma história no presente, que é a de Ceci, e também a história que conta sobre a antepassada de Ceci e que obviamente se passa no passado, ela consegue mesclar os dois tempos com habilidade, e em nenhum momento sentimos confusão, e quando estamos vendo a parte a respeito de uma personagem, nossa curiosidade está lá com a próxima, e quando chegamos na próxima, já queremos ver de novo a anterior.

Outros fatores que tiveram o poder intenso de me conquistar incluem a narrativa, que é fluída e faz com que devoremos as 528 páginas como se elas fossem apenas cem, e ao final ainda estamos querendo mais, e também o  modo como ela construiu os romances, que foram feitos de forma intensa, mas de um modo que não tomaram toda a obra, e ela trouxe espaço para muitas outras coisas como a força das mulheres, sua coragem e também nos apresenta mulheres que ousam e fazem coisas que vão contra o que a sociedade espera, e mostra que tudo é possível e traz um crescimento pessoal de cada personagem de tal maneira que ficamos espantados e encantados.

É impossível dizer que Lucinda apresenta pontos negativos em um livro, ela é simplesmente perfeita demais para fazer um livro ruim, no entanto, é preciso saber que ela traz dramas bastante realistas e uma história bastante detalhada, fatores que podem se tornar incômodos para quem prefere tramas mais ágeis e menos complexas. Mas, ainda assim, digo que provavelmente Lucinda Riley vai mudar os seus conceitos, independente de qual o estilo de obra que você goste. Eu, particularmente não vejo como um ponto tão negativo, mas preciso revelar que ao final me senti um pouco insatisfeita com o rumo que um certo romance tomou, e foi algo inesperado para mim, mas, ainda assim esse foi um ponto muito pequeno em meio a grandiosidade do livro, e não afetou em nada no meu encantamento por ele.

Kitty foi a personagem mais marcante, na minha opinião, principalmente pelo contexto da época na qual ela viveu, um tempo onde mulheres eram criadas para ser donas de casa, esposas e mães, e Kitty realmente faz tudo isso, até o dia que a vida a obriga mudar e se reinventar, e ela troca de papel de uma forma incrível e maravilhosa. Já Ceci também me causou muita admiração, devido ao crescimento pessoal que pude perceber nela, e de uma irmã com uma relação tóxica, ela passou a ser independente e aprendeu que poderia buscar os seus próprios sonhos longe da irmã, e que isso não acabaria com os laços entre elas, e sim que elas sempre estariam ali uma para a outra, independente de tudo. Adorei o espírito aventureiro de Ceci, e o seu amor pela natureza é admirável, ela é uma daquelas personagens descomplicadas, que se satisfaz com uma toalha para dormir na areia da praia em companhia da natureza e da lua. Ace também foi um personagem que me despertou muito afeto, e torci por ele até o fim. Além disso, outros que surgem durante a trama e que fazem  parte do descobrimento e do crescimento das personagens me encantaram, como Andrew e Drummond, irmãos gêmeos que mudaram a vida de Kitty de forma irremediável, e também Charlie, Kate, Camira e Francis, personagens que são indispensáveis para a construção de algo coerente e consistente.

O livro é dividido em trinta e seis capítulos, que se alternam entre Ceci, a personagem do presente, cuja narrativa está em primeira pessoa, e Kitty, a personagem do passado cuja narrativa se encontra em terceira pessoa, e entre a vida das personagens encontramos um hiato de mais ou menos cem anos. Ainda, temos um 37º capítulo, que traz uma prévia da história de Tiggy, a próxima irmã a ter a sua história contada. Cabe ainda dizer que esse é o quarto livro de uma série, e embora cada um traga a história de uma irmã e possa ser lido de forma independente, eu acredito que vale muito a pena lê-los em ordem, até mesmo para que possamos entender todas as pequenas referências que surgem ao longo da trama sobre as outras irmãs.

Recomendo Lucinda Riley de forma incondicional. Certamente, o leitor que mergulhar em suas histórias encontrará um lago de surpresas, permeado por drama, romance, realidade e ficção, e se encantará com as descrições, os personagens, as descobertas, alegrias e tristezas, pois todos esses fatores são pequenas peças que se encaixam e formam um quebra-cabeça fascinante de uma história que viaja conosco por muito tempo e se destaca em nossa vida literária.







Tamara Padilha
Leitora compulsiva com foco em quase todos os gêneros
(exceto os romances de época e ficção científica).
Apaixonada por escrita, e em breve bacharel em direito.
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