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[Resenha] Os quase completos - Por Felippe Barbosa

07 março 2018

Título: Os quase completos
Autor (a): Felippe Barbosa
Páginas: 384
Editora: Arqueiro
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Sinopse: O Quase Doutor é um renomado cardiologista que passa os dias em um hospital, mas no fundo é um artista frustrado. A Quase Viúva é uma professora que está de licença do trabalho para ficar com o noivo, em coma após um grave acidente. O Quase Repórter é um jornalista decepcionado com a profissão que sofre há mais de um ano pelo suicídio da esposa. A princípio, a única coisa que essas pessoas têm em comum é a sensação de incompletude e de desilusão com a vida.
Até que, um dia, o Quase Doutor é persuadido por um velho desconhecido a embarcar com ele em um ônibus rumo a uma jornada para se reconciliar com seu passado. Logo a viagem se transforma em uma aventura extraordinária e, em meio a fenômenos como uma chuva de estrelas cadentes, ele precisa fazer escolhas que mudarão seu destino para sempre.
Enquanto isso, eventos misteriosos levam a Quase Viúva a suspeitar que alguém dentro do hospital quer matar seu noivo e uma pesquisa minuciosa do Quase Repórter revela que sua esposa pode ter sido assassinada. Quando os dois tentam descobrir a verdade sobre seus amados, tudo leva a crer que a resposta está dentro do ônibus do Quase Doutor.
Reunidos num lugar que nunca imaginaram existir, os três serão forçados a enfrentar seus maiores medos e verão que, para se tornarem completos, precisarão encarar a batalha mais difícil de todas: aquela que travamos com nós mesmos.



Um quase repórter; uma quase viúva; um quase doutor. Três seres quase (só quase) completos.
O quase repórter é um homem solitário que não consegue se conformar com a morte da esposa ou, mais especificamente, com a causa que apontam para ela: suicídio.
A quase viúva, por sua vez, é uma mulher aparentemente amarga e constantemente de mau humor, cujo noivo está em coma após um acidente.
E, por fim, o quase doutor. Um médico renomado que guarda dentro de si um espírito sonhador, mas que em busca de agradar àqueles que lhe cercam, acaba deixando seus próprios sonhos para trás.

"A simples queda de uma colher poderia significar tantas coisas. Era instigante imaginar que milhares de eventos poderiam acontecer como consequência de eu me abaixar para pegá-la. Ao fitar aquela tão cotidiana imagem, tudo o que queria era poder registrá-la. Esboçá-la entre quatro retas numa tela límpida, com cores variadas entre tons claros e escuros. Pintar a imagem do que, aos olhos de muitos, seria uma simples colher. No entanto, aos olhos de poucos, poderia ser a entrada para um universo completamente novo.
Mas não havia tela ou tinta por perto no momento. Na verdade, havia tempos já não entrava em contato com tal material. Não pintava um mísero quadro há meses. O artista dentro de mim jazia hibernado."

Insatisfeito com as regras impostas pelo chefe da redação onde trabalha e com a vida que leva, o quase repórter, Victor, é incapaz de se desviar do suposto suicídio da mulher. Sua persistência, no entanto, o levará a uma loja de produtos místicos e a um caminho sobrenatural, o qual ele jamais imaginara conhecer ou acreditar.

A quase viúva, Verônica, se vê em crise consigo mesma ao ter que lidar com uma mãe fanática por planejar o casamento ideal da filha, enquanto seu noivo jaz em um leito de hospital, sem qualquer previsão de melhora. No entanto, tudo piora quando o quarto do tal noivo passa a ser ocupado por um segundo e indesejado paciente. Um senhor falante, entrometido e muito, muito esquisito na opinião de Verônica.

O quase doutor está prestes a se casar... mas não é com o amor da sua vida. Ele se dá conta disso em um dia qualquer, ao sair do café onde é feita a torta de limão que tanto ama, e esbarrar com a ex namorada que há tempos não via, Mira. Mas eles não se falam muito. Apressado, como sempre, o quase doutor tem de deixar algumas coisas para trás para cumprir outras. É no instante seguinte a esse, enquanto espera pelo ônibus no ponto, que o caminho do quase doutor é cruzado com o de um idoso um tanto... peculiar, que lhe faz um convite ainda mais incomum: o de entrar com ele em um veículo que de bonito não tem nada, para viver, segundo ele, uma grande aventura. Tão relutante quanto confuso, o quase doutor se vê seguindo os passos do senhor que se apresenta como Barfabel, adentrando um ônibus onde estão presentes outros três passageiros: uma senhora leitora assídua, um senhor ranzinza e cheio de histórias para contar sobre suas ex mulheres, e uma outra senhora totalmente empolgada em brincar e desfrutar da companhia de uma mosca. Sem compreender o impulso que o leva a isso, o quase doutor embarca em uma perigosa e deliciosa loucura que mudará sua vida e seu coração, para sempre.

"O ônibus não aparentava estar em boas condições. As janelas estavam sujas, algumas até quebradas, e a fumaça que saía pelo escapamento dava a impressão de que o motor explodiria a qualquer momento. Mas, ainda assim, a vontade de entrar me era extremamente instigante.
– E então, aceita o convite? – perguntou o velho.
– Mas... por que raios eu entraria num ônibus qualquer ao lado de um desconhecido?
O estranho abriu ainda mais o sorriso e respondeu:
– A pergunta que deve fazer é: por que não?"

A princípio, o quase repórter, a quase viúva e o quase doutor não parecem ter nada em comum. Entretanto, suas insatisfações, amarguras e sonhos deixados para trás talvez os liguem de modo que, juntos, possam se conhecer, redescobrir e, quem sabe, encontrar aquilo que tanto lhes falta e que às vezes nem se dão conta: a verdadeira felicidade.






Iniciei a leitura de Os quase completos graças à sinopse, que me chamou atenção logo de cara, além de que adoro conhecer novos autores brasileiros. Porém, preciso dizer que esse livro superou e não foi pouco, todas as minhas expectativas. Terminei a leitura há pouco mais de uma semana e ainda estou meio apaixonada, tentando encontrar palavras que expliquem o quão positivamente ela me surpreendeu.



O que mais me chamou atenção foi a forma como o autor conseguiu englobar vários gêneros em um único enredo e transitar entre um e outro assim, num estalar de dedos, sem deixar que o leitor se perca e ainda mais, mantendo-o envolvido a cada minuto. Tem cenas românticas que fazem a gente suspirar de fofura; momentos entre amigos e família que deixam o nosso coração quentinho; tem fantasia; mistério; possíveis assassinatos; magia. Com uma escrita leve e fluída, uma mistura louca de acontecimentos e em uma história totalmente viajada (em um sentido maravilhoso), ele fala da importância de corrermos atrás dos nossos sonhos e sermos nós mesmos, de um jeito subjetivo e lindo. Sem dúvidas, esse foi um dos melhores livros que já li no quesito criatividade, e se tornou um dos meus favoritos da literatura brasileira.



Quanto aos personagens, cativante nem começa a definir o que cada um deles representa. O quase repórter com sua persistência e uma certa marra, a quase viúva com seu coração enorme apesar de soar um pouco arrogante às vezes, o quase doutor com seu jeito todo fofo e sonhador. Todos tão vulneráveis quanto fortes. Acompanhar a trajetória de cada um foi tão envolvente que eu nem vi o tempo passar e me senti mais próxima deles, a cada página lida. E, claro, os personagens secundários também são tão bem construídos quanto os protagonistas. Gostei muito de Mira, por exemplo, uma garota doce e absurdamente lunática, como o próprio quase doutor define.



Os quase completos é uma história tão surreal quanto realista sobre sonhos, escolhas, amores. Um enredo recheado de reflexões a respeito de como às vezes abrimos mão dos nossos próprios desejos e nem nos damos conta disso. Eu não recomendo esse livro para um público específico, porque acho que todo mundo precisa ler algo que, de um jeito descontraído e encantador, nos leva a um autoquestionamento sobre nossa própria vida e os caminhos que estamos tomando, ao mesmo tempo que nos faz morrer de amor.












Isabela Rocha
Estudante de jornalismo. Apaixonada incorrigível pelas palavras.
Aventuro-me por todos os gêneros,
desde romances água com açúcar, até os temíveis terror / suspense.
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