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[Resenha] Coragem - Por Rose McGowan

20 abril 2018

Título: Coragem
Autor (a): Rose McGowan
Páginas: 288
Editora: HarperCollins Brasil
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Sinopse: ROSE McGOWAN nasceu em um culto e o trocou por outro, mais visível: Hollywood. Rose McGowan se tornou uma das atrizes mais desejadas de Hollywood da noite para o dia quando foi "descoberta" nas ruas de Los Angeles. O estrelato logo se tornou um pesadelo de exposição constante e sexualização. Todos os detalhes de sua vida pessoal se tornaram públicos, e as realidades de uma indústria inerentemente machista emergiam a cada roteiro, papel, aparição pública e capa de revista. Hollywood esperava que Rose ficasse quieta e cooperasse. Em vez disso, ela se rebelou e impôs sua verdadeira identidade e voz.
Ela reemergiu sem roteiros nem desculpas, corajosa, controversa e sempre verdadeira. Liderando o movimento de denúncias de assédio sexual na indústria de entretenimento ao expor os crimes de Harvey Weinstein, Rose é hoje um dos rostos do movimento feminista e não hesita ao disparar verdades inconvenientes e exigir mudanças. CORAGEM é seu livro de memórias em forma de manifesto - um relato sem censura nem piedade da ascensão de um ícone millennial, uma ativista sem medo e uma força de mudança imparável determinada a expor a verdade sobre a indústria do entretenimento, trazer à luz uma indústria multibilionária construída sobre a misoginia sistêmica e empoderar pessoas ao redor do mundo a acordarem e terem CORAGEM

"Sei que não estou sozinha nessa história. Muitas de nós têm essa habilidade fantástica de se erguer porque não temos escolha. É algo que me fascina no espírito humano. Acho que essa ascensão é a coisa mais corajosa que podemos fazer, e que as pessoas não valorizam isso como deveriam. Quantas vezes nos disseram que não seríamos nada? Mas isso nunca foi verdade: somos como fênix e nos erguemos. Só precisamos de um pouco de coragem para transformar nossa vida. Um passo por vez, primeiro caminhamos, depois corremos."

Era o ano de 1973, e o cenário era a Itália, na noite em que nasceu Rosa Arianna, uma pequenina menina, proveniente de uma família numerosa que vivia cercada por muitos membros da comunidade em que viviam. A tal comunidade era um lugar estranho, para dizer o mínimo, embora aqueles que viviam lá não se davam conta e só descobriam a dimensão daquela Ceita quando fugiam daquela opressão. E foi isso que aconteceu com Rosa e sua família na noite em que fugiram de lá, silenciosamente, pois os líderes não permitiam que se saísse da Meninos de deus e perseguiam implacavelmente os membros que ousavam deixar o santuário de fanatismo religioso, sexo e opressão que se criara no remoto celeiro. Mas, Rosa e sua família fugiram, e mesmo em meio aos humores instáveis do pai e aos complexos da mãe de sentir uma necessidade extrema de viver com homens doentios que a humilhavam, Rosa cresceu sobrevivendo, mesmo enfrentando episódios de fome, frio, abandono e solidão, mas sentia que era livre e podia ir e vir quando bem entendia.

"Ele também era muito ciumento, um maluco. Não sei como eu poderia tê-lo traído porque dependia dele para conseguir carona, comida, teto... Mas, mesmo assim, ele perdia o controle se eu olhasse para um garçom, por isso aprendi a interpretar, tentando fazer com que ele ficasse calmo. E é ASSIM que se entra em um relacionamento abusivo: quando começamos a agir de um jeito para não chatear a outra pessoa nem irritá-la. Você começa a abrir mão do controle de sua vida, pouco a pouco, cada vez mais. A coisa vai aumentando até que, um dia, você escondeu tanto de si mesmo que se perde."

No entanto, tal liberdade acabou quando a garota era apenas uma adolescente, e quando ela renasceu e passou a se chamar Rose Mcgowan, um nome que segundo os produtores de Hollywood chamava mais atenção e se encaixava mais. Rose foi descoberta quase por um acaso, quando conseguiu um emprego de figurante em um filme, e a mãe de um dos atores achou que ela poderia se tornar uma estrela e a mandou para Hollywood. Ao chegar lá, Rose logo conseguiu alguns papéis, a princípio pequenos, e logo passou a alçar voos maiores, mas para isso, no caminho, passou por agentes que se sentiam proprietários das atrizes, agentes que não hesitavam em abusar sexualmente e psicologicamente das jovens e sonhadoras meninas, e descobriu que mesmo que Hollywood era um mundo imenso e cheio de gente, ela estaria, salvo algumas exceções, terrivelmente sozinha, e que as pessoas fechariam os olhos e os ouvidos para o que acontecesse, desde que ela produzisse, que seus filmes fossem um sucesso e desde que o dinheiro surgisse para todos.

"Mas eu não conhecia os boatos e os segredos, a fofoca e os sinais de alerta. Por ter vivido nas ruas, eu sabia que tinha que ficar atenta a agressores. Mas nunca me ocorreu que o maior deles pudesse ser de Hollywood. Que aquelas pessoas chiques fossem, na verdade, mais perigosas do que as das ruas. Aquelas pessoas com seus ternos de 3.500 dólares podiam ser muito piores do que um cara que está atrás de você para conseguir sexo num beco qualquer. Sabe por quê? Porque há agressores que espalham sua podridão em nosso mundo."

EM um ato de coragem e depois de anos amarrada em uma prisão psicológica dentro de sua própria mente e após se submeter repetidas vezes à Ceita hollywoodiana, Rose Mcgowan expõe em uma biografia pungente todas as dores e revelações sobre o mundo mais idolatrado e mais perverso, onde as coisas acontecem aos olhos de todo mundo e onde os vilões se vestem de mocinhos.

"Sejam criativas em tudo o que fizerem. É preciso coragem, mas acredito em vocês; sei que têm o poder de serem melhores. Sei que está aí dentro a força para serem corajosas."







Desde que descobri o livro Coragem, imediatamente senti um forte interesse em lê-lo, uma vez que biografias me chamam muita atenção, e gosto de conhecer histórias fortes, intensas e que podem me ensinar algo, apesar de eu ter ido para a leitura no escuro, uma vez que não sou dada a assistir filmes e séries, e então nem tinha ideia de quem era Rose. Ao iniciar a leitura, logo percebi que seria uma história intensa, daquelas que conseguem por vezes nos tocar como se tivessem nos dado um soco no estômago, e trazem um nó à nossa garganta,  com os sentimentos fortes e tristes que trazem.

A atriz começa nos relatando sua vida desde o nascimento, uma vez que este não foi tão fácil e se deu em uma Ceita perversa e terrível, na qual os membros cometiam atos nojentos, tudo alegando o nome de Deus. Admito que enquanto a atriz narrava essa primeira parte, e eu tomava conhecimento de sua vida, fiquei um tanto chocada, mas também me senti incomodada, pois eu sentia um forte tom de raiva na narrativa, daquele estilo que sentimos que a pessoa está berrando após ficar muito chateada, e sai jogando palavras desenfreadamente. E por que isso me incomodou? É simples, fiquei com receio de que esse tom raivoso fosse usado durante toda a obra, e diante dele, fiquei me perguntando sobre a veridicidade do que estava sendo narrado, e não que eu não acredite em tudo que ocorreu, como abusos e os sofrimentos pelos quais Rose passou, mas receei que ela pudesse, em sua raiva, não destrinchar todas as coisas com calma e se contradizer ou algo no gênero. Porém, assim que cheguei aos cinquenta por cento de leitura, e a narrativa da adolescência com os pais acabou e teve início a narrativa sobre Hollywood, senti uma mudança sutil na narrativa, um tom de firmeza mais intenso, que me fez entender melhor todos os sentimentos que Rose tentava nos passar, e por vezes mexeu comigo intensamente, e nós se formavam na minha garganta perante tanta hipocrisia daqueles que cercavam Rose.

É difícil falar de pontos positivos e negativos diante de uma história de vida real, cheia de altos e baixos, mas o que me deixou confortada ao final dessa leitura foi a paz que a atriz pareceu encontrar, e a sua volta por cima, apesar de todos os problemas que surgiram em seu caminho, apesar de todos os problemas psicológicos e físicos pelos quais passou e o que teve de enfrentar sozinha. Rose é admirável, não só pela coragem que demonstra diante das adversidades de sua vida, mas também por levantar a sua voz diante de tudo o que ocorreu, e não se deixa intimidar pelos grandes figurões de Hollywood, que ainda reinam, impunes e mesmo tendo tantas acusações nas suas costas, é como se as pessoas não acreditassem, ou achassem que não precisam fazer nada, por eles serem grandes produtores, diretores e outras profissões relevantes para o cinema, e por deterem o dinheiro.

Algo que me chamou muita atenção, e que também se tornou uma das coisas que mais aproveitei no livro, foram as reflexões propostas por Rose, que me fizeram pensar muito profundamente no que ela nos diz: Rose fala a respeito de o cinema ser uma grande influência na vida de cada um de nós, sobre muitas vezes vermos um comportamento no cinema e então permitirmos que ele ocorra dentro de nossas próprias casas, porque crescemos devorando esses conteúdos e achando que tais atos eram normais, e ela nos prova o poder de influência da mídia em nossos atos e pensamentos, por isso é tão importante mudar o comportamento que acontece lá, para que as pessoas não se calem nem em Hollywood e nem em suas próprias casas.

Ainda, em vários momentos Rose assume sua própria culpa diante do deslumbramento com Hollywood e sobre não ter encontrado forças para sair. Ela admite que em muitos momentos se forçou a calar, se forçou aguentar só mais um pouquinho, se forçou a mentir sua idade e seguir os padrões impostos por aqueles que estavam ao seu lado, só para se manter dentro da Ceita Hollywoodiana, e isso a torna completamente humana perante nossos olhos, com seus erros, acertos e coragem.

O único ponto que me perturbou, como mencionei, foi o tom raivoso no início do livro, o que mudou no correr da narrativa. Além disso, não é um ponto propriamente negativo, mas eu não me senti familiarizada com episódios, nomes de pessoas e filmes que a atriz mencionava, por eu não ser essa pessoa familiarizada com cinema e televisão. Ainda, cabe um pequeno destaque para o fato de que Rose, em sua narrativa, se utiliza de uma série de palavrões, o que pode ser incômodo, mas também não tira a credibilidade da obra.

Rose é a protagonista de sua própria história, apesar de em vários momentos terem tirado sua voz. Encontramos aqui também outras pessoas mundialmente conhecidas, e é um tanto chocante perceber até onde algumas são capazes de ir, o fingimento que há por traz de suas personalidades, e como tudo é tão banalizado, como o amor, o ódio, a tristeza, a fidelidade e como esses homens e mulheres brincam com tudo isso, como se estivessem em uma permanente encenação cinematográfica.

O livro é narrado em primeira pessoa, dividido em vários capítulos curtos e a narrativa é fácil e fluída, tornando a leitura muito ágil e interessante.
Recomendo Coragem para todas as pessoas que gostam de histórias verdadeiras, pois essa é uma biografia necessária, impactante e que certamente vai mudar, de maior ou menor maneira, nosso modo de ver as coisas, vai mexer com nossa empatia, com nosso senso  de justiça e nos incentiva a lutarmos nossas próprias batalhas, pois nos prova que somos fortes, que conseguimos nos libertar de nossas opressões, mesmo que isso não seja tão fácil, e que todos nós somos preciosos, que nossa saúde mental é extremamente importante, e que nenhum dinheiro compra as nossas próprias convicções, sentimentos e amor próprio.














Tamara Padilha
Leitora compulsiva com foco em quase todos os gêneros
(exceto os romances de época e ficção científica).
Apaixonada por escrita, e em breve bacharel em direito.
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1 comentários:

  1. Conheci o trabalho da Rose em Charmed, e desde então virei super fã dela.
    Não sabia que havia um livro dela, to amando essa descoberta!
    Sempre achei ela super forte e um exemplo de mulher na luta contra sociedade, mas nunca soube de toda a história dela.
    Já anotei para colocar na minha lista!

    beijinhos
    She is a Bookaholic

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