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[5x5] Motivos para ler: O segredo de Helena - por Lucinda Riley

23 maio 2018


O livro trazido para a coluna 5x5 de hoje é O Segredo de Helena, da maravilhosa Lucinda Riley, que me cativou do início ao fim com sua junção de drama familiar, romance, amizades e, claro, alguns mistérios, como o próprio nome já indica. Sendo assim, vamos às 5 razões pelas quais essa história me apaixonou tanto e, em seguida, a 5 quotes para que vocês conheçam um pouquinho dela comigo.


1) O Segredo de Helena é uma daquelas leituras que traz um climinha gostoso, sabe, do tipo que a gente tem vontade de se enfiar no livro e morar lá, socializar com os personagens e tudo e acho que isso foi o que mais me envolveu a cada página. Gostei muito de Helena, por exemplo, que é uma típica mocinha carismática, querida por todos, porém mantém um passado um tanto sombrio escondido de sua família. Normalmente esse tipo de protagonista não costuma me agradar, mas foi o que aconteceu. Seu filho mais velho, Alex, também me cativou bastante, apesar de sua personalidade completamente avoada e às vezes até infantil para a idade que tem, (ou talvez por causa disso tudo mesmo). Os filhos mais novos de Helena também são uns amores, bem como outros personagens secundários, e tudo isso somado às descrições detalhadas do lugar em que a história se passa e o clima de união e amor que rodeia a família, me fizeram desejar mergulhar no enredo e ficar lá.

2) Falando no lugar que a história se passa... acho que a autora acertou em cheio quando escolheu e descreveu com tanto esmero a Casa de Pandora (como Helena chama a propriedade antiga de sua família). É um local antigo, cercado por uma aura de lembranças e mistérios que envolve a gente, nos faz querer conhecer mais, saber mais sobre o que ocorreu ou não ali. Esse foi mais um dos motivos pelos quais eu me senti tão presa à história.

3) Um dos pontos mais positivos para mim foi, sem dúvidas, a forma como o livro é narrado. Além da narração em terceira pessoa, que alterna entre os pontos de vista dos personagens mas prioriza o da protagonista, Helena, a cada capítulo antecede trechos de um diário antigo de Alex, onde podemos ir a fundo em sua mente de adolescente que horas tem as reflexões de um adulto, hora as conclusões de uma criança. Particularmente, eu vi isso como uma maneira de aproximar ainda mais o leitor do personagem, o que para mim funcionou muito bem.

4) Apesar de abordadas em uma escrita leve, o livro apresenta temáticas importantes que nos levam a refletir e a nos identificar, também, como a maneira como enxergamos as pessoas a nossa volta, as escolhas que fazemos e as razões pelas quais fazemos, os segredos que guardamos, as sensações arrebatadoras de um primeiro amor e as decisões que, mesmo que tomadas lá atrás, repercutem em nossa vida inteira.

5) E, por fim, gostei muito de como o desenrolar da história me surpreendeu, de como a autora entrelaçou passado ao presente. Confesso que, geralmente nesses livros onde a protagonista guarda um segredo, eu sempre tenho medo de que seja algo que já é esperado por mim ou, pior, algo que eu não considere relevante o suficiente para ser um segredo e causar o estardalhaço todo que normalmente é causado. Mas para a minha felicidade o segredo de Helena era algo que eu não imaginava e, melhor ainda, que fez jus a todas as consequências que a descoberta trouxe.


Hora dos quotes:

"Eu me perguntei por que os seres humanos odeiam o mapa de sua vida que transparece no próprio corpo, enquanto uma árvore como essa, ou uma pintura desbotada, ou uma construção desabitada, quase em ruínas, são enaltecidas por sua antiguidade.
Pensando nisso, me voltei para a casa e fiquei aliviado ao ver que, pelo menos por fora, Pandora parecia ter sobrevivido a seu abandono recente. Na entrada principal, tirei do bolso a chave de ferro e abri a porta. Ao percorrer os cômodos na penumbra, protegidos da luz pelas venezianas cerradas, percebi que minhas emoções estavam entorpecidas, e talvez fosse melhor assim. Não me atrevi a começar a sentir coisas, porque esse lugar, talvez mais do que qualquer outro, guarda a essência dela..."


"Levantei os olhos para as estantes que preenchiam os dois lados do quarto claustrofóbico e vi que os livros que eu arrumara trabalhosamente em ordem alfabética ainda estavam ali. Num gesto instintivo, peguei um deles – Rewards and Fairies, de Rudyard Kipling – e o folheei até encontrar o famoso poema. Ao ler os versos de “Se”, os sábios conselhos de um pai para um filho, senti meus olhos se encherem de lágrimas pelo adolescente que eu fora, tão desesperado para encontrar um pai. E que, depois de encontrá-lo, reconhecera que já o tinha."

"Ela me ama, a mamãe, apesar de eu ter me transformado no Sr. Geleca nos últimos meses. Ela jura que, um dia, terei que me abaixar para ver meu rosto em espelhos como este, respingados de água. Venho de uma família de homens altos, ao que parece. Não que isso me console. Já li sobre genes que pulam gerações e, conhecendo a minha sorte, serei o primeiro anão gordo em centenas de varões da família Beaumont.
Além disso, mamãe esquece que está ignorando o DNA do outro lado que ajudou a me gerar...
Esta é uma conversa que estou decidido a ter nestas férias. Não me importa quantas vezes ela tente pular fora, com medo, e mude convenientemente de assunto. A história de que nasci de uma sementinha já não é satisfatória.
Preciso saber.
Todos dizem que eu me pareço com ela. Mas é o que diriam, não? Dificilmente poderiam me achar semelhante a um espermatozoide não identificado.
Na verdade, o fato de eu não saber quem é meu pai também poderia contribuir para qualquer delírio de grandeza que eu já tenha. O que é muito insalubre, especialmente para uma criança como eu, se é que ainda sou criança. Ou se já fui, coisa de que eu próprio duvido."

"Mas era frequente a vida não ficar à altura das expectativas, pensou, especialmente quando se tratava de memórias tão antigas. E Helena tinha consciência de que o verão que havia passado ali, aos 15 anos, na casa do padrinho, estava salpicado com o pó mágico da história.
Por mais ridículo que fosse, ela precisava que a casa se mostrasse tão perfeita quanto em suas lembranças. Em termos lógicos, sabia que isso não seria possível, que rever a casa talvez fosse como encontrar o primeiro amor depois de 24 anos: captado pelos olhos da memória, reluzindo com a força e a beleza da juventude, mas, na realidade, grisalho e se desintegrando lentamente. Ela sabia que essa também era outra possibilidade...
Ele ainda estaria lá?"

"Para o papai: “Olá, queriiido.”
Para Immy e Fred: “Não, queriiiidos!”
Para mim: “Ah, querido!”
Portanto, estamos todos aqui, de volta à Terra do Nunca. Somos a família Querido e minha mãe é a Sra. Querida. Fico surpreso por ela ainda não ter empregado um cachorro para ser nossa babá, mas é só lhe dar tempo. Por que ela se deu o trabalho de dar nomes diferentes a qualquer um de nós se usa o mesmo nome para todos?
É especialmente difícil quando ela chama um “querido” coletivo da cozinha e todos nós respondemos, de todos os cantos da casa, e corremos para a cozinha e ficamos lá parados enquanto ela decide de qual dos “queridos” precisa. De modo geral, acho que ela é muito boa mãe, mas esse negócio do “Q” me deixa doido. Deve ser uma ressaca do tempo em que ela trabalhava no palco como bailarina. É o tipo de coisa dita por “gente de teatro”.
Somos uma família de cinco pessoas, que logo serão seis, quando chegar essa tal de Chloë, o que é uma família bem grande para os padrões atuais.
Neste grupo familiar, com certeza precisamos manter nossa individualidade, não é? E o que há de mais pessoal que os nomes das pessoas? Nos últimos tempos, Fred começou a imitá-la. Tenho medo de ele se dar mal na escola, se achar que é legal chamar de “querido” o valentão da turma.
De qualquer modo, enquanto ela não incluir o Sr. Deixe Comigo na sua lista “Q”, consigo mais ou menos encarar.
É claro, um dia eu fui o Querido Número Um. Cheguei primeiro, antes deles todos.
Para ser sincero, às vezes acho difícil dividi-la. Ela é como um queijo redondo e macio e, quando eu nasci, a peça toda era minha. Aí, ela conheceu o papai e uma fatia enorme foi cortada, embora eu calcule que ainda me havia sobrado a metade. Depois veio a Immy, que levou um pedação, e em seguida o Fred, que pegou mais outro. E tenho certeza de que ela vai precisar cortar outra tirinha para a Chloë, de modo que a minha fatia vai ficando cada vez menor."






Isabela Rocha
Estudante de jornalismo. Apaixonada incorrigível pelas palavras.
Aventuro-me por todos os gêneros,
desde romances água com açúcar, até os temíveis terror / suspense.
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