RESENHA DE A MULHER NA JANELA – POR A.J. FINN
RESENHA DE CONTAGEM REGRESSIVA – POR KEN FOLLETT
RESENHA DE UM SEDUTOR SEM CORAÇÃO – POR LISA KLEYPAS

[Resenha] O rei corvo - Por Maggie Stiefvater

03 maio 2018

Título: O rei corvo
[A Saga dos Corvos # 4]
Autor (a): Maggie Stiefvater
Páginas: 378
Editora: Verus
Skoob || Goodreads
Compre: Amazon


Sinopse: O aguardado volume final da Saga dos Corvos, uma conclusão espetacular à história mítica e sombria criada por Maggie Stiefvater. Nada que está vivo é seguro. Nada que está morto é confiável. Há anos Gansey iniciou uma jornada para encontrar um rei perdido. Um a um, ele atraiu seus amigos para essa missão: Ronan, que rouba coisas de sonhos; Adam, cuja vida já não é sua; Noah, cuja vida não é mais vida; e Blue, que ama Gansey... e tem certeza de que está destinada a matá-lo. O fim já começou. Sonhos e pesadelos estão convergindo. Amor e perda são coisas inseparáveis. E a busca pelo rei se recusa a ser fixada em um caminho. A busca pelo rei adormecido vai chegar ao fim em Henrietta — mas não sem perdas, desejos, revelações e uma verdade brutal. Com O rei Corvo, Stiefvater conclui uma verdadeira obra-prima.

Resenhas anteriores:
A Saga dos Corvos #1: Os garotos corvos
A Saga dos Corvos #2: Ladrões de sonhos
A Saga dos Corvos #3: Lírio azul, azul lírio

Olá orbitantes. 
A resenha de hoje vai ser bem diferente mesmo. Acontece que esse é o quarto e último livro da série, então eu decidi escrever esse texto destacando os principais aspectos da série, em todos os livros, e, no final, escrever uma opinião bem breve acerca desse último livro. Afinal, não existe nada mais desanimador do que iniciar uma série tendo recebido spoiler do desfecho. Vamos lá, então:

1. Enredo surpreendente

Quando eu li a sinopse do primeiro livro da série, imaginei um enredo mais ou menos assim: garota conhece garoto, os dois se apaixonam, mas não podem se beijar porque ela é vítima de uma maldição que diz que seu primeiro amor morrerá se ela o beijar. Os dois partem em busca de algo que acabe com essa maldição, mas acabam descobrindo que tudo é bem maior do que eles imaginavam e iniciam uma aventura em busca de salvar todos a sua volta, ou até mesmo o mundo. Aqui a sinopse do primeiro livro para vocês entenderem melhor do que estou falando:

Todo ano, na véspera do Dia de São Marcos,­ Blue Sargent vai com sua mãe clarividente até uma igreja abandonada para ver os espíritos daqueles que vão morrer em breve. Blue nunca consegue vê-los — até este ano, quando um garoto emerge da escuridão e fala diretamente com ela.
Seu nome é Gansey, e ela logo descobre que ele é um estudante rico da Academia Aglionby, a escola particular da cidade. Mas Blue se impôs uma regra: ficar longe dos garotos da Aglionby. Conhecidos como garotos corvos, eles só podem significar encrenca.
Gansey tem tudo — dinheiro, boa aparência, amigos leais —, mas deseja muito mais. Ele está em uma missão com outros três garotos corvos: Adam, o aluno pobre que se ressente de toda a riqueza ao seu redor; Ronan, a alma perturbada que varia da raiva ao desespero; e Noah, o observador taciturno, que percebe muitas coisas, mas fala pouco.
Desde que se entende por gente, as médiuns da família dizem a Blue que, se ela beijar seu verdadeiro amor, ele morrerá. Mas ela não acredita no amor, por isso nunca pensou que isso seria um problema. Agora, conforme sua vida se torna cada vez mais ligada ao estranho mundo dos garotos corvos, ela não tem mais tanta certeza.
De Maggie Stiefvater, autora do aclamado A Corrida de Escorpião, esta é uma nova série fascinante,­ em que a inevitabilidade da morte e a natureza do amor nos levam a lugares nunca antes imaginados.

Se o enredo fosse do jeito que imaginei não seria ruim, tanto é que comprei o livro. Mas a autora conseguiu me surpreender totalmente, de forma positiva. 

O livro tem muito mais a ver com amizade do que com romance. A Blue nunca teve uma amizade verdadeira, daquelas que se podia contar em qualquer momento, e achava que tinha algo errado com ela por conta disso. Até que ela conheceu esses garotos corvos (chamados assim porque são alunos da Aglionby, escola particular da cidade) e sentiu uma conexão imediata com todos eles e com sua busca por um rei que viveu há séculos.

Reza a lenda que um Rei Galês foi colocado para dormir por um de seus mágicos no local em que passa uma das linhas ley e quem o despertar terá direito a fazer um pedido. Gansey está em busca desse rei há anos, pesquisando registros históricos e rastreando indícios de seu paradeiro em diversos países. Conforme os anos se passaram, Ronan, Adam, Noah, e agora Blue, se juntaram a ele nessa busca, que promete ser fantástica e perigosa. 

2. Triângulo amoroso 

Escrevi essas duas palavrinhas na resenha sobre o segundo livro e todos que leram a referida resenha deram mais destaque a elas do que eu ou a própria autora. 

Vou tentar explicar o que acontece sem soltar spoilers. Tudo indica que o verdadeiro amor da Blue é o Gansey, mas ele representa aquilo que a Blue mais despreza: o típico aluno da Aglionby, rico e arrogante, que acha que tudo pode ser comprado e resolvido com dinheiro. Ela não tem o mínimo interesse nele e não enxerga como poderia apaixonar-se por ele um dia. O Adam, por outro lado, é inteligente, sagaz e tem muito mais a ver com ela. A Blue se interessa pelo Adam instantaneamente, e ele por ela. 

Entretanto, conforme a Blue conhece o Gansay melhor, percebe que ele não é exatamente aquilo que ela imaginou a princípio e começa a surgir uma grande amizade e admiração entre eles. Mas isso acontece aos poucos e a autora não dá destaque excessivo ao romance, menos ainda aos conflitos amorosos da Blue. Garanto que não é mais um clichezão do gênero, no qual o triângulo toma conta de ¾ do enredo. 

3. Personagens principais 

Um dos pontos fortes dessa série é justamente que os personagens são complexos e muito bem trabalhados. E, dependendo do trecho da história que está sendo contado, um deles é o principal. Então não temos o personagem principal da série, todos são abordados com profundidade. E não, não fica confuso e nem torna a história impessoal, na verdade faz com que nos apeguemos a cada um deles.

4. Não espere ação o tempo todo

Esse é exatamente aquele tipo de história em que a jornada é tão importante quanto a descoberta. Então as cenas de ação são raríssimas. Sim, também temos expedições em florestas, cavernas e perigos reais, mas muita coisa se passa no âmbito da mente. E, em muitos momentos a história pode parecer demasiadamente abstrata, mas tudo se encaixa no decorrer da narrativa e descobrimos que tudo foi narrado por um propósito.

5. Desconstrução de clichês

Já mencionei isso em outras resenhas, mas realmente parece que a autora fez uma lista com os clichês e estereótipos mais comuns no gênero e foi desconstruindo cada um deles. Dei bastante destaque a isso na resenha sobre o terceiro livro, então não vou me prolongar aqui, mas tem ponto que quero mencionar novamente. 

Aqui vou destacar a forma como a autora abordou a homossexualidade de um dos personagens. Adorei que ela não transformou em um tabu enorme e nem passou páginas e mais páginas relatando como aquele e outros personagens se sentiam em relação àquilo. O personagem simplesmente é homossexual, e essa é apenas uma das características dele, não toma conta de todos os aspectos de sua vida.

6. Relações familiares

A autora conseguiu desenvolver com maestria as relações familiares, suas complexidades e influências no desenvolvimento e personalidade dos personagens. Assim, descreveu diferentes tipos de família nessa série e também como o grupo de amigos acabou se tornando, de certa forma, uma família. Temos uma família formada por um grande grupo de mulheres, que são parentes e amigas, mas que tem algum em comum: a mediunidade. Essa é uma das interações familiares que mais gostei de acompanhar nos livros que já li.

Temos o garoto que perdeu o pai e tem uma relação péssima com o irmão mais velho, que assumiu a responsabilidade de cuidar dos dois irmãos mais novos. Temos o garoto que sofre agressões físicas em casa, mas é orgulhoso demais para aceitar qualquer tipo de ajuda. E temos o garoto que tem tudo: amor incondicional da família, dinheiro, mas sente que está faltando algo...

Da rua, os irmãos Lynch pareciam extraordinariamente diferentes: Declan, um político vaselina; Ronan, um touro em um mundo de porcelanas; Matthew, um garoto ensolarado.
Por dentro, os irmãos Lynch eram extraordinariamente parecidos: todos amavam carros, a si mesmos e uns aos outros. 

Breve opinião sobre o quarto livro (O rei corvo)


A primeira coisa que devo ressaltar é que sim, todas as perguntas foram respondidas. Entretanto, eu gostaria que a autora tivesse se prolongado mais em algumas explicações e que tivesse acrescentado o desfecho de alguns personagens. Lembram quando eu mencionei que a maior parte dos personagens exerceu papel principal pelo menos em algum momento? Então, acho que todos mereciam ter seu desfecho ao menos mencionado.


Aquela noite o demônio não dormiu.
[...]
Ele desfez as armadilhas físicas de Cabeswater – as arvores, as criaturas, as samambaias, os rios, as pedras -, [...]. As memórias presas em bosques, as canções inventadas somente à noite, a euforia rastejante que fluía e refluía  em torno das cascatas.
[...]
Uma árvore resistiu mais do que as outras. Ela era a mais velha e já tinha visto um demônio antes. Ela sabia que às vezes a questão não era salvar a si mesma, mas resistir por tempo suficiente até que alguém mais a salvasse. Então ela resistiu e se estirou na direção das estrelas, mesmo quando suas raízes estavam sendo arrancadas, e resistiu e cantou para as árvores, mesmo enquanto seu tronco se decompunha, e resistiu e sonhou com o céu, mesmo enquanto se desfazia.

Acho que não preciso dizer que o trabalho gráfico da editora com essa sério foi maravilhoso, não é? Basta olhar a perfeição dessas capas. O miolo também está com qualidade excepcional, e não encontrei erros de revisão. Minha única ressalva é em relação à tradução de um palavra, até o terceiro livro estavam traduzindo como divinação um certo ritual realizado pelas médiuns, e, no quarto livro passaram a traduzir como adivinhação. Mas nada que comprometa a qualidade, como um todo, da obra.



Indico essa série para quem procura uma fantasia diferente, que possui embasamento histórico e científico e por isso mesmo faz crer que tudo aquilo realmente poderia acontecer, apesar de parecer bastante abstrata em alguns momentos. Amei cada momento que passei nesse universo e já estou com saudade. Com certeza leio qualquer livro que a autora escrever.

Espero que tenham gostado da dica.
Fiquem de olho que logo tem mais!






Barbara M. Cabalero
Advogada, concurseira e apaixonada por livros desde criança.
Meu gênero favorito é fantasia, mas sou bastante eclética,
leio quase todos os gêneros.
4 Comentários | BLOGGER
Comentários | FACEBOOK

4 comentários:

  1. Adorei a forma que você trouxe essa resenha, fazendo um apanhado dos principais pontos da série.. Eu ainda não li mas ouço falar muito bem dela e esse ultimo livro esta maravilhosamente lindo hahah Lendo os pontos que você separou me fez ver os livros com outros olhos e sentir vontade de lê-los.. Obrigada pela dica!

    Beijos,
    Conta-se um Livro

    ResponderExcluir
  2. realmente, me parece ser uma série bem estruturada, como um todo. Eu não tenho vibe pra ler pelo gênero não estar me atraindo ultimamente. bacana a autora ter abordado a questão da homossexualidade de maneira natural... de qualquer forma, algum dia posso me interessar de ler e anotei a sugestão para possiveis futuras leituras...
    bjs...

    ResponderExcluir
  3. Olá!
    Tenho muuuita vontade de ler o primeiro livro dessa série, mas sempre adio a leitura. Li os primeiro parágrafos da sua resenha e fiquei bem animada para começar a ler, parece ser uma série muito boa, adoro livros que focam na amizade, e segue um desenvolvimento maravilhoso com temas relevantes. Espero ler em breve!

    beijos!
    https://blogminhaestanteliteraria.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  4. Olá Bárbara,
    Achei muito legal a forma como você falou sobre esse quarto volume. Eu ainda não li nenhum livro dessa série nem dessa autora e confesso que fiquei muito ansiosa para ler, pois gosto muito de histórias que tem romance, mas que não se limitam ao romance e esse livro parece trazer isso de uma forma muito legal. Outro ponto muito interessante é que a autora parece ter conseguido amarrar todas as pontas que havia deixado ao longo dos outros livros. Vou tentar comprar em breve.
    Beijos!

    ResponderExcluir

 
© Galáxia de Ideias, VERSION: 01 - BLUE UNIVERSE - janeiro/2018. Todos os direitos reservados.
Criado por: Maidy Lacerda. Widget inspirado/base do menu por MadlyLuv
Tecnologia do Blogger.
imagem-logo