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[Resenha] Dentes de Dragão - Por Michael Crichton

22 maio 2018



Título: Dentes de Dragão
Autor (a): Michael Crichton
Páginas: 304
Editora: Arqueiro
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Sinopse: Desde Jurassic Park, nunca foi tão perigoso escavar o passado.
Em 1876, no inóspito cenário do Oeste americano, os famosos paleontólogos e arquirrivais Othniel Marsh e Edwin Cope saqueiam o território à caça de fósseis de dinossauros. Ao mesmo tempo, vigiam, enganam e sabotam um ao outro numa batalha que entrará para a história como a Guerra dos Ossos.
Para vencer uma aposta, o arrogante estudante de Yale William Johnson se junta à expedição de Marsh. A viagem corre bem, até que o paranoico paleontólogo se convence de que o jovem é um espião a serviço do inimigo e o abandona numa perigosa cidade.
William, então, é forçado a se unir ao grupo de Cope e eles logo deparam com uma descoberta de proporções históricas. Mas junto com ela vêm grandes perigos, e a recém-adquirida resiliência de William será testada na luta para proteger seu esconderijo de alguns dos mais ardilosos indivíduos do Oeste.


William Johnson tem por volta de dezoito anos e como todo o típico jovem nessa idade, acha que tem o mundo aos seus pés e age na maior parte do tempo de forma inconsequente. Mas como todo aquele que se acha o centro do mundo, tem um rival que parece estar equiparado com sua forma de ser: Marlin, um colega tão arrogante e irritante quanto que resolve apostar mil dólares que William não terá coragem de fazer algo arriscado demais.

"William Jason Tertullius Johnson, filho mais velho de Silas Johnson, um armador da Filadélfia, começou seus estudos no Yale College no outono de 1875. Segundo o diretor do seu colégio em Exeter, Johnson era “talentoso, bem-apessoado, atlético e competente”. Mas esse mesmo diretor também dizia que ele era “teimoso, preguiçoso e muito mimado, insensível a tudo que não tenha a ver com a satisfação de seus próprios desejos. A menos que encontre um objetivo na vida, corre o risco de resvalar para a indolência e o vício”. Essas palavras poderiam ser usadas para descrever milhares de outros rapazes naquele fim de século nos Estados Unidos, jovens com pais dinâmicos e intimidantes, muito dinheiro no bolso e nenhum interesse especial que os ajudasse a passar o tempo." - Pág 11.

 Entretanto, ele não está disposto a perder, e consequentemente se humilhar, e acaba, depois de muito barganhar e até mesmo inventar uma séria mentira sobre ser fotógrafo, conseguindo um lugar na expedição de Othniel Marsh, um obstinado, mas paranoico, professor de Paleontologia da mesma universidade de Yale onde Johnson estuda.

"Johnson hesitou. Na realidade, ouvira apenas que Marsh era um homem determinado e obsessivo, que devia sua cátedra não só ao interesse maníaco que tinha por ossos fossilizados, mas também ao tio, o famoso filantropo George Peabody, que financiara a construção do Peabody Museum e também a docência do sobrinho e todas as expedições que ele havia feito até então para o Oeste do país." - Págs. 18 e 19

Entretanto, William, ao embarcar naquela viagem, não tem ideia de todos os perigos e incertezas que ainda se escondem no ainda complicado Oeste Americano povoado por tribos ameríndias inimigas e lá vai precisar muito aprender sobre como alguns mecanismos da vida real funcionam. Sem imaginar, porém, que acabará, no caminho, sendo deixado para trás e logo depois, embaracará na expedição do arquirrival de Marsh, Edward Cope, um quacre cabeça quente que por acaso também é paleontólogo, mas diferentemente, ou talvez nem tanto, de Marsh, corra atrás, mesmo que com bem mais dificuldades financeiras, atrás do mesmo objetivo: encontrar vestígios de antigos animais que algum dia no passado habitaram a terra hoje dominada numericamente pelos humanos.

William Johnson ainda não sabe, mas essas férias não o permitirão ser mais o mesmo.





Olá mais uma vez, orbitantes da maravilhosa Galáxia de Ideias! Sentiram falta das indicações da Lady Trotsky? Pois hoje eu trago mais uma e agora vamos a ela... 

Quem nunca, nas tardes, ou noites, em que a Rede Globo exibia todo o tipo de filme sem se importar se parecia inadequado demais para o horário, nunca assistiu Jurassic Park ou as suas continuações? Fui uma dessas crianças que pelo menos uma ou duas vezes assistiu. Pois sabiam vocês que a hoje mundialmente famosa franquia saúria foi baseada em um livro do americano Michael Crichton (1942 – 2008)? Mas a citada não foi o único trabalho do autor, que tem, entre outros, a autoria de O enigma de Andrômeda, a direção do clássico setentista Westworld – Onde ninguém tem alma (1974), que inspirou a atual série da HBO Westworld, que tem o brasileiro Rodrigo Santoro no elenco e a criação da série E. R., no Brasil chamada Plantão Médico (que muito passou na Globo), que teve, em boa parte de suas quinze temporadas, a presença de George Clooney.

"Logo ficou claro para Johnson que a expedição de Cope não tinha o rigor militar que caracterizava todos os empreendimentos de Marsh. Os integrantes do grupo foram chegando aos poucos na estação, um ou dois de cada vez. Cope e sua mulher, Annie, foram os primeiros. Muito simpática, Annie cumprimentou-o com entusiasmo e se recusou a falar qualquer coisa contra Marsh, por mais que o marido a incitasse." - Pág. 69

Dentes de Dragão, a mais recente publicação do autor, como vocês puderam perceber pela data de nascimento e morte que citei mais acima, é póstuma. Tendo sido posta a público pela viúva do autor, Sherri Alexander, que classificou o livro como “puro Crichton”, autor que eu até hoje não tinha lido apesar de conhecer por conta do famoso “Parque dos Dinossauros”. Honestamente, se os outros livros do autor tiverem a mesma pegada desse, quero MESMO realizar as leituras! Ainda, o trabalho gráfico da editora Arqueiro, como sempre, se supera. A capa tem tudo a ver com a temática do livro, que  inclusive nas primeiras folhas tem um mapa para indicar os locais por onde o protagonista andou. Além da ótima diagramação e da fonte bem espaçada e confortável para ler. Em suma, a editora está outra vez parabenizada por seu excelente trabalho nos livros físicos.

Primeiramente, misture fatos reais (a conhecida Guerra dos Ossos¹), velho-oeste americano no melhor estilo western dos anos dourados de Hollywood, paleontologia, arqueologia e fósseis. Acrescente mais uma narrativa ágil cheia de personagens e desdobramentos imprevisíveis. Por fim, coloque tudo isso em um manuscrito e teremos um livro que supera qualquer expectativa ruim que você possua caso não goste dessa pegada toda que mencionei. Porque é impossível largar o livro depois de ler o primeiro capítulo ainda que o final dele pareça meio “meh”. 

"Os povos aborígines caçavam naquelas planícies havia mais de dez mil anos. Presenciaram o aquecimento da Terra e o recuo dos glaciares, assim como testemunharam (ou aceleraram) a extinção local dos grandes mastodontes, dos hipopótamos e dos medonhos tigres dentes-de-sabre. Já caçavam nas densas florestas do passado e continuavam caçando nas gramíneas do presente. Vinham subsistindo, ao longo dos milênios e das muitas mudanças climáticas, como caçadores nômades na vastidão daquelas paragens.
Os índios do Oeste americano eram uma gente colorida, dramática, mística e aguerrida. Despertavam o interesse de quem quer que os visse e, pelo menos na imaginação popular, eram um símbolo de todos os demais povos ameríndios. Os rituais antiquíssimos, a singularidade do seu modo de vida, tudo isso despertava uma grande admiração por parte dos pensadores liberais." - Pag.  107

Pois o desdobramento da situação é inacreditável em um ponto onde, depois de determinados acontecimentos, você não sabe sequer em quem confiar porque todo mundo quer sair ganhando, mesmo que seja na base da trapaça. Assim como o protagonista, que evolui de uma forma absurda desde o segundo capítulo, pois ele, forçado pelas circunstâncias de uma aposta, aprende a fotografar em um curto período de tempo se não quiser ser pego na mentira pelo professor que é conhecidamente doido e sem qualquer vergonha de ser paranoico e inventor de intrigas. Naturalmente, o protagonista, William Johnson, aprende, de um jeito bem pouco bonito, que mentir, omitir informações ou até ficar quieto, às vezes, são boas opções porque, como a sinopse conta, ele é largado em uma perigosa cidade pelo professor Marsh, que crê nele como um espião do seu pior inimigo, Cope.

"“os dois tinham um jeito teatral de se comportar”, escreveria Sternberg, que já havia trabalhado para ambos, “mas que se manifestava de forma diferente. O professor Marsh falava de modo ponderado, solene, entrecortado de pausas reflexivas. Não tinha pressa, mas nunca perdia a atenção dos ouvintes, que esperavam ansiosos pelo que ele tinha a dizer. Já o professor Cope era o contrário: as palavras saíam da sua boca num turbilhão, os movimentos eram rápidos e nervosos, e ele conquistava a atenção das pessoas à maneira de um beija-flor, tão brilhantemente rápido que ninguém queria perder nada. Nesse encontro cara a cara, o único que tive a oportunidade de presenciar, via-se com clareza a animosidade entre os dois, por mais que eles tentassem apagar as faíscas com a formalidade e a frieza da etiqueta urbana.”" - Pág. 136

Que embora pareça inicialmente a melhor pessoa do mundo, inclusive ele se autodeclara quaker ("quacre" em português), quando REALMENTE perde a cabeça, é melhor sair da frente porque ele tem a agilidade e força de um pugilista, que não pensa duas vezes em usar se alguém falar MUITO mal dele, em especial se descobrir que foi Marsh quem falou com aquelas pessoas antes. É simplesmente impossível imaginar que ele tenha sido considerado com condições de dar aula em uma universidade. (Perícia médica para assumir cargos, especialmente no serviço público, existe hoje justamente por conta disso.) Se bem que olhando alguns episódios recentes que ocorreram em universidades, não tem como ficar surpreso porque gente mentalmente despreparada existe em qualquer época ou lugar. Ainda mais que em 1876, ano que a trama se passa, ainda não tinha sequer um rudimento da psicologia moderna. Além da paleontologia ainda estar engatinhando, pois alguns termos usados no livro hoje não são considerados mais “corretos”, porém, é nítida a pesquisa do Crichton para tornar o mais real possível essa parte. Inclusive é preciso dar aquela respirada porque alguns nomes deixam aquele nozinho na cabeça, mas, são ossos do ofício (#piadapéssima). 

"Deadwood não era exatamente um lugar acolhedor: construções toscas, de madeira aparente, ladeavam a única rua do lugar e, ao que parecia, todas as árvores das colinas vizinhas já haviam sido cortadas para abastecer de lenha os habitantes. Uma fina camada de neve suja cobria tudo. Mas, apesar do aspecto inóspito, Deadwood tinha toda a agitação de uma cidade próspera. O comércio local não era lá muito diferente do que se via em outros povoados nascidos do garimpo e da mineração: uma ferraria, uma carpintaria, três empórios, quatro estábulos, seis armazéns, uma verdadeira Chinatown com quatro lavanderias chinesas e incontáveis tabernas. E, no meio disso tudo, ostentando com orgulho uma varanda no segundo andar, ficava o Grand Central Hotel." - Pág.  178

Porque embora Cope e Marsh², que caso não tenha ficado claro, realmente existiram, fossem excelentes professores, academicamente falando, a verdade é que, analisando o comportamento deles como pessoas, eles estão muito longe do que seria aceitável para um professor de universidade. (Infelizmente isso não mudou ainda hoje.) Primeiro, ambos não pensam duas vezes em fazer intrigas um contra o outro (mas no livro o Cope é bem menos maldoso nesse quesito enquanto o Marsh é quase o vilão da história). Menos ainda, respeitam territórios indígenas (em 1876, o Exército americano estava em guerra com os índios, incluindo o famoso Touro Sentado, que se revoltaram ao se verem expulsos de suas terras em nome de acordos duvidosos e claro, a Febre do Ouro) em nome de encontrar fósseis e preferencialmente, vencerem um ao outro nessa guerra ossaria. 

"Das páginas de Johnson:
É espantoso como, de uma hora para outra, o ônus pode se transformar em bônus! Com a abertura do meu estúdio, que chamei de Black Hills Art Gallery, todas as minhas falhas de caráter passaram a ser percebidas sob uma nova luz. Antes, meus hábitos da Costa Leste eram vistos como pouco viris; agora, são provas de sensibilidade artística. Antes, meu desinteresse pelo garimpo era visto com desconfiança; agora, com alívio. Antes eu não possuía nada que alguém pudesse querer comprar; agora, posso oferecer algo pelo qual as pessoas se dispõem a pagar um bom dinheiro: um retrato." - Pág. 196

O que falar dos personagens secundários sem dar mil e um spoilers? Posso resumir dessa forma: no Velho Oeste, valia tudo para obter vantagem e atirar era a habilidade mais básica que alguém podia aprender se quisesse viver até o dia seguinte. William Johnson, o protagonista que, bem mais a frente do livro, nada se parece com o jovenzinho mimado do começo, se obriga a isso e bem mais se quiser sair vivo e de preferência, cumprir uma tarefa, que naquelas alturas do campeonato, deixa os Doze Trabalhos de Hércules parecendo coisa de amador. Tem a ver com o título, mas se eu detalhar, atirarei (#piadapéssima2) spoilers na cara de vocês.

Portanto, se vocês desejam um livro bem escrito, com uma narrativa fluida, personagens até certo ponto imprevisíveis e muitos fatos reais, Dentes de Dragão é o livro que você procura e a Lady Trotsky indica.

1: Guerra dos Ossos (1877 - 1895)
2: Cope e Marsh







Renata Cezimbra
Professora desempregada, leitora voraz,
escritora doida e vampiróloga amadora.
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7 comentários:

  1. Eu vejo Michael Crichton, eu decido ler hahahaahha eu amei ler os livros de Jurassic Park (antes de serem reeditados pela Aleph e reli nessas edições novas haha). Adorei essa reaenha e com certeza estou ansiosa por essa leitura. Ele parece dominar bem essa temática de paleontologia e escavações.

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  2. Oi, Renata. Eu estou louca por esse livro, assim que o vi nos lançamentos eu me interessei por ele. Adorei a sua resenha e poder conhecer um pouco sobre a trama, eu acho que esse é um dos livros que eu ficaria grudada nele até terminar de ler, a premissa é interessantíssima e não vejo a hora de comprar o meu exemplar.

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  3. Oiii Renata

    Vi esse livro entre os lançamentos da editora mas te confesso que nem sabia do que se tratava. A trama é bem interessante e eu gostei de saber que a narrativa é fluida, acho que seria o tipo de leitura que me agradaria. Vou anotar a dica

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  4. Preciso dizer que nunca gostei do parque dos dinossauros entao dificilmente me vejo lendo esse livro.. Mas gostei muito da sua resenha, gostei a forma como vc trouxe todos os pontos com detalhes importantes e que a leitura foi maravilhosa pra vc, obrigada pela dica!

    Beijos,
    Conta-se um Livro

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  5. A Arqueiro sempre nos trazendo belíssimas edições. Eu não conhecia esse livro do autor, na verdade a única coisa que conhecia dele era Jurassic Park rsrsrsr Achei a ideia da trama muito intrigante e bem viciante, e embora não seja um conteúdo que eu busque ler ou esteja acostumado, sua opinião sobre a obra me deixou bem curioso para conhecê-la. Vou anotar para em uma oportunidade ler. Beijos do Wes ^^

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  6. Gostei muito da sua resenha, mas esse tipo de enredo não me atrai. Não consigo me interessar por paleontologia nem por arqueologia ou velho-oeste. E sem me interessar por isso seria complicado embarcar na história. De qualquer maneira, anotei a dica porque tenho amigos que curtem histórias assim!

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  7. Sei que é um pouco tosco o que vou dizer, mas desde que vi a capa do livro, tive essa sensação de ser muito bem escrito e estou sonhando para lê-lo, sua resenha só aumentou isso.

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