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[Resenha] A luz que perdemos - Por Jill Santopolo

16 maio 2018

Título: A Luz Que Perdemos
Autor(a): Jill Santopolo
Páginas: 300
Editora: Arqueiro
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Sinopse: Da lista de mais vendidos do The New York Times, USA Today e Publishers Weekly. Lucy e Gabe se conhecem na faculdade na manhã de 11 de setembro de 2001. No mesmo instante, dois aviões colidem com as Torres Gêmeas. Ao ver as chamas arderem em Nova York, eles decidem que querem fazer algo importante com suas vidas, algo que promova uma diferença no mundo. Quando se veem de novo, um ano depois, parece um encontro predestinado. Só que Gabe é enviado ao Oriente Médio como fotojornalista e Lucy decide investir em sua carreira em Nova York. Nos treze anos que se seguem, o caminho dos dois se cruza e se afasta muitas vezes, numa odisseia de sonhos, desejo, ciúme, traição e, acima de tudo, amor. Lucy começa um relacionamento com o lindo e confiável Darren, enquanto Gabe viaja o mundo. Mesmo separados pela distância, eles jamais deixam o coração um do outro. Ao longo dessa jornada emocional, Lucy começa a se fazer perguntas fundamentais sobre destino e livre-arbítrio: será que foi o destino que os uniu? E, agora, é por escolha própria que eles estão separados? A luz que perdemos é um romance impactante sobre o poder do primeiro amor. Uma ode comovente aos sacrifícios que fazemos em nome dos ­nossos sonhos e uma reflexão sobre os extremos que perseguimos em nome do amor.




"Nós nos conhecemos há quase metade de nossas vidas.
Já vi você sorrindo, confiante, radiante de felicidade.
Já vi você acabado, magoado, perdido.
Mas nunca vi você assim."

É 11 de setembro, data em que um avião colidiu com as Torres Gêmeas e o mundo está, literalmente, em pedaços. Ironicamente, há pouquíssimos metros do local do acidente, o mundo de Lucy e Gab, dois jovens universitários que acabaram de se conhecer, pode estar prestes a se tornar um só e ser irremediavelmente transformado.

"Meus olhos se encheram de lágrimas. Imaginei o que costumava haver lá antes. Vi o espaço vazio onde as torres antes se erguiam. Finalmente caiu a ficha.
– Tinha gente naqueles prédios.
Sua mão segurou a minha.
Ficamos ali não sei quanto tempo, observando a cena de destruição, as lágrimas escorrendo pelos nossos rostos. Devia ter outras pessoas lá em cima com a gente, mas não consigo me lembrar delas. Só de você. E da imagem daquela fumaça. Ficou gravada em fogo na minha cabeça.
- O que vai acontecer agora? – sussurrei.
Aquela imagem me fez compreender a enormidade do ataque.
– O que vai acontecer agora? – repeti.
Você olhou para mim e nossos olhos, ainda molhados de lágrimas, se encontraram com o tipo de magnetismo indiferente a tudo em volta. Você segurou minha cintura e eu fiquei na ponta dos pés para encontrar seus lábios, que me procuravam. Apertamos com força nossos corpos um contra o outro, como se isso fosse nos proteger do que viria depois. Como se a única maneira de ficar a salvo fosse manter meus lábios colados aos seus. No momento em que você me abraçou, senti-me segura, envolvida pela força e pelo calor de seus braços. Senti seus músculos se contraírem ao me tocar e enfiei os dedos em seu cabelo. Você agarrou minhas tranças e puxou minha cabeça para trás. Esqueci o mundo. Naquele instante só havia você.
Durante anos eu me senti culpada por isso. Culpada porque nos beijamos pela primeira vez enquanto a cidade ardia. Culpada por ter sido capaz de me perder em você naquele instante."

Ainda que seus caminhos tenham se cruzado naquele dia e aquele primeiro beijo jamais tenha saído da mente de ambos, um ex relacionamento reatado de Gab faz com que se afastem por alguns anos. Porém, é comemorando um de seus aniversários que Lucy encontra o rapaz que ela nunca esqueceu, parecendo triste, solitário e um pouco bêbado. Basta uma conversa e um novo beijo para que a química entre o casal se torne outra vez aparente e, dessa vez, pode ser que tenham sorte.

"Percebi a tristeza em seus olhos, a solidão. E tive vontade de consertar aquilo, de ser seu unguento, seu curativo, sua salvação. Sempre estive pronta para ajeitar as coisas para você. Ainda é assim. É meu calcanhar de Aquiles. Ou talvez seja a minha semente de romã, que me mantém presa, como Perséfone."

Os primeiros anos de relacionamento são de um romance encantador, uma paixão explosiva e uma cumplicidade mútua. Entretanto, em algum momento de suas vidas, as divergências entre seus sonhos poderá falar mais alto e destruir tudo o que conquistaram até então. Guiado por uma enorme vontade de fazer a diferença no mundo por meio da fotografia, Gab é enviado para o Iraque, como fotojornalista. Lucy, por outro lado, tem sua carreira como produtora de um programa de TV infantil em Nova York, e não consegue se imaginar abrindo mão disso. É assim que a distância começa a separar aquilo que um dia julgaram ser pra sempre. É assim, também, que algum tempo após seu término com Gab, Luccy conhece Darren, um homem doce, divertido e louco para fazer todas as suas vontades. Certa de que será capaz de amá-lo, Lucy resolve dar uma chance à um novo amor. O que ela não esperava, ou talvez sim, é que não importava o quanto seus caminhos parecessem contrários aos de Gab, os sentimentos que nutriam um pelo outro não seriam apagados e, no que dependesse de seus corações, eles ainda se encontrariam muitas e muitas vezes.

"Alguns relacionamentos parecem um incêndio na mata: intensos, majestosos, irresistíveis, perigosos, capazes de te queimar antes que você perceba. Outros são do tipo fogo de lareira: sólidos, estáveis, confortáveis, acolhedores, nutritivos. Ela deu outros exemplos: o tipo fogueira, o tipo fogos de artifício. Este serve para sexo casual, acho. Mas os tipos incêndio e lareira são os que ficaram na minha cabeça.
- Você e Tom são do tipo lareira? – perguntei.
Kate assentiu.
- Acho que sim. E é isso que eu quero: segurança, estabilidade, acolhimento.
- Acho que Darren e eu somos do tipo lareira – falei, remoendo o que ela dissera. – Mas Gabe e eu somos como um incêndio."




A luz que perdemos é narrado em terceira pessoa, sempre do ponto de vista de Lucy. E preciso começar a contar minhas impressões dizendo que, particularmente, esse foi um dos pontos que mais me agradou. A autora tem uma escrita bastante delicada e detalhista, o que nos leva a imaginar cada cenário, sentir cada sensação junto à personagem. É como mergulhar na mente dela e em suas emoções e nossa, que mergulho mais gostoso.

O ponto mais positivo para mim foi, sem dúvidas, a humanidade presente em cada um dos personagens, especialmente os protagonistas, Lucy, Gab e Darren. São todos cheios de defeitos, erros decisões equivocadas. Lucy, por exemplo, muitas vezes é impulsiva e acaba fazendo escolhas que nós sabemos não serem corretas, mas pelas quais a gente se solidariza e sente certa empatia. Algumas dessas escolhas me fez pensar muito, inclusive, em mim mesma. Eu não acho que ela esteja certa, mas será que, se fosse eu, faria diferente? Gab, por sua vez, foi um mocinho que me conquistou desde o início com seu jeito um tanto eufórico de ser, tão doce quanto intenso e, principalmente, com a vulnerabilidade que se esconde por trás de tudo isso. Ele guarda uma personalidade um tanto frágil e Lucy, como uma típica mocinha apaixonada, mantém um grande instinto de proteção e cuidado por ele. Aliás, penso que intensidade em todos os aspectos tenha sido a palavra chave na relação desse casal, e talvez isso tenha me feito nutrir tanto amor por ambos. Mas ainda sobre o Gab, vale lembrar que ele tem seus defeitos e não são poucos. Uma dose de egocentrismo, por exemplo, é um deles. Ele fez escolhas que me deixaram bastante triste, assim como deixaram triste a Lucy. Mas que, por outro lado, me fizeram refletir muito sobre os nossos sonhos, o preço que pagamos para buscar cada um deles e como uma decisão, por mínima que seja, pode mudar tudo. E, por fim, tem o Darren. Confesso que não morri de amores por ele, apesar de ter simpatizado bastante. Na verdade, acho que tem mais a ver com o fato de que não senti grandes emoções entre ele e Lucy, não rolou a tal intensidade que falei acima, creio que por isso eu não tenha me apegado tanto a ele. Mesmo assim, é preciso admitir que ele é um fofo e está sempre disposto a realizar todos os desejos dela. Adora surpreender e é ótimo em fazê-la rir. Toma algumas atitudes impulsivas e ligeiramente irritantes ao longo do caminho, na minha opinião, o que serve apenas para a gente notar que ele também é humano e, como todos os outros, tem suas imperfeições.

Gosto muito de livros que nos tiram da nossa própria pele e nos colocam no lugar do outro, e esse em nada deixou a desejar nesse aspecto. Em cada página era um questionamento diferente, uma reflexão a mais sobre o que eu faria, como faria, por que faria. É uma história impactante pelo tanto que nos faz pensar a respeito de nossas escolhas, sonhos, prioridades. Apaixonante pela delicadeza presente em cada frase, cada declaração de amor e também nas cenas mais tristes. Um enredo repleto de romance, altas pitadas de drama e, o que pode ser um ponto negativo para alguns, mas não para mim, é um livro extremamente realista. Acho que nem preciso dizer que foi uma leitura que me fez chorar horrores e que com certeza vai ficar guardada como uma das que mais mexeram comigo.

Eu recomendo a luz que perdemos para qualquer um que goste de romances com amores arrebatadores ou não, porque acho que ele nos leva a autoquestionamentos aos quais todos nós devemos nos submeter, uma vez na vida.






Isabela Rocha
Estudante de jornalismo. Apaixonada incorrigível pelas palavras.
Aventuro-me por todos os gêneros,
desde romances água com açúcar, até os temíveis terror / suspense.
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