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[Resenha] Uma mentira perfeita - por Lisa Scottoline

02 maio 2018

Título: Uma Mentira Perfeita
Autor (a): Lisa Scottoline
Páginas: 400
Editora: HarperCollins Brasil
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Sinopse: Chris Brennan acaba de se mudar para Central Valley, na Pensilvânia. Ele veio atrás de um emprego como professor substituto e treinador de beisebol na escola de ensino médio local, com um currículo impecável e boas maneiras que só um bom homem poderia ter. Mas tudo sobre ele é uma mentira. Seu nome é um pseudônimo, seu currículo é falso. E ele veio para a cidade com um plano, que a princípio é perfeito – e para cumpri-lo, precisa ficar de olho no time de beisebol. Encontrar o que precisa para cumprir seus planos não deve ser tarefa difícil, e Chris foca sua busca em três meninos cujas vidas (e as de suas mães) giram em torno do time: Raz Sematov, o arremessador, um menino geralmente alegre e bem humorado que acabou de perder o pai; Evan Kostis, que é rico, mimado e problemático além de ser a sensação do time, e Jordan Larking, o novato, um garoto tímido e reservado. Encantador e repleto de suspense, A mentira perfeita é um incrível thriller emocional, uma história criminal suburbana que prende os leitores até o final, com reviravoltas impressionantes e personagens que você não esquecerá facilmente.



"Chris Brennan estava pleiteando uma vaga de professor na Escola de Ensino Médio de Central Valley, mas ele era uma fraude. Seu currículo era falso; sua identidade, completamente falsificada. Até o momento, tinha enganado o diretor de RH, o diretor-assistente e o presidente do Departamento de Estudos Sociais. Naquela manhã aconteceria sua última entrevista, com a diretora da escola, a dra. Wendy McElroy. Era agora ou nunca."

Uma mentira perfeita acaba de ser contada quando Chris Brennan conquista seu lugar no corpo docente da escola da pacata cidade de Central Valley. Porém, ao contrário do que a vaga exige, lecionar política no curso avançado e ser o treinador do time de beisebol do colégio não está no topo das intensões do novo professor. A princípio, só o que se sabe é que ele está em busca do que chama de "involuntário", um garoto cuja principal característica deve ser facilmente manipulável, e que está metido em algo extremamente perigoso. Chris é considerado um homem charmoso para as mulheres, um espelho para os alunos e um poço de mistério para nós, leitores.

"Os outros professores gostavam dele, embora tudo o que soubessem a seu respeito fosse uma mentira. Não sabiam nem sequer seu verdadeiro nome, que era Curt Abbott. Em uma semana, quando tudo houvesse acabado e ele estivesse longe, todos se perguntariam como é que ele os havia enganado. Haveria choque e ressentimento. Alguns iriam querer um desfecho; outros, sangue."

Logo em seu primeiro dia como professor e treinador na escola de ensino médio, Chris coloca em prática um plano bem arquitetado e originado de várias pesquisas para encontrar o seu involuntário ideal. Os alvos são Evan, Jordan e Raz, um trio de melhores amigos que jogam no mesmo time de beisebol e estudam na mesma turma. Apesar das semelhanças, é inegável que a personalidade dos três jovens diverge bastante. Raz perdeu o pai resentemente, mora com a mãe, uma viúva que parece estar se afundando no luto, e o irmão mais velho, que pode se tornar um causador de problemas para a família já desestruturada. Dos três, é quem carrega o jeito mais esquentadinho de ser. Evan é o popular, aquele que vive rodeado de garotas e de quem todos querem ser amigos. Filho único de um casal bem sucedido financeiramente, entretanto, cheio de problemas matrimoniais. Jordan, por fim, é o mais tranquilo e doce do trio. Mora com a mãe, uma mulher que defende e luta com unhas e dentes pela felicidade do rapaz que criou sozinha. Os três estão na mira de Chris, mas apenas um deles será o escolhido.

"Chris voltou sua atenção para o corredor e avistou Evan, Jordan e Raz caminhando em direção a ele, olhando para algo no smartphone de Evan. Chris já os tinha pesquisado nas redes sociais e sabia que Evan Kostis era o mais popular, um garoto rico com um pai médico, por isso não seria sua primeira escolha como massa de manobra. Evan era o bonito entre eles, com olhos castanhos, um nariz fino, e cabelos pretos grossos que ele ficava jogando para trás. Tinha um sorriso vencedor, sem dúvida, graças ao aparelho, e vestia um colete acolchoado Patagonia vermelho, moletom de capuz dos Mosqueteiros, jeans ajustado e botas Timberland que pareciam novas.
Ao lado de Evan estava Mike Sematov, cujo cabelo preto indisciplinado se curvava na altura dos ombros. Sematov tinha sobrancelhas grossas e olhos escuros redondos, e estava muito agitado tentando pegar o celular de Kostis. O apelido de Sematov era Raz, evidentemente derivado de Rasputin, numa referência ao sobrenome de origem russa. Seu Twitter era @cRAZy e sua timeline do Facebook geralmente era formada por vídeos de pessoas vomitando ou espremendo espinhas e abcessos. Sematov era uma possibilidade excelente, porque o pai tinha falecido em agosto, de câncer no pâncreas. Não era fácil encontrar um garoto com um pai falecido, e Chris achava que Raz poderia ser o vencedor, a menos que fosse louco demais.
Chris desviou a atenção para outra possibilidade, Jordan Larkin. Jordan media 1,85 metro, mas seu jeito encolhido o deixava esquisito, todo braços e pernas desajeitados. O rapaz tinha um rosto comprido com feições finas, mas os olhos castanhos eram juntos demais e o cabelo, um castanho sem graça, era curto demais. Não vestia roupas caras; um moletom azul de beisebol dos Mosqueteiros, uma calça de moletom genérica e chinelos de plástico da Adidas. Melhor de tudo, Jordan era filho de mãe solteira, o que era quase tão bom quanto ter um pai morto."





Uma mentira perfeita é distribuído em 63 capítulos narrados em terceira pessoa, com pontos de vista alternados entre Chris, e as mães dos três garotos que protagonizam a história. Essa narração tão bem dividida foi, preciso dizer desde já, um dos pontos mais positivos do livro para mim. Em cada capítulo eu tive a sensação de estar mergulhando na mente de um personagem diferente, conhecendo seus gostos, vontades, medos. No caso de Chris, era como se esse mergulho sempre ficasse encoberto por algumas camadas, como se eu o conhecesse e, ao mesmo tempo, não soubesse quem era ele, o que cria o suspense inicial da história que aliás, é maravilhoso. A narrativa das mães, por outro lado, é feita de forma bem detalhista, o que nos permite conhecer mais do que o interior de cada uma delas, mas também de seus filhos e suas respectivas casas. As três, em especial a mãe de Jordan e Raz, me cativaram muito. Quanto aos meninos, também tive grande empatia e carinho pelo trio, mas Jordan e Raz são também meus favoritos. Chris, por sua vez, é um personagem construído com tanto zelo que, eu confesso, em vários momentos fiquei me perguntando se ele era o mocinho ou o vilão. E em todos eles eu me apaixonei perdidamente pelo cara. É daquele tipo misterioso e que não dá um passo sem premeditá-lo, sabe?

Outro ponto que ganhou meu coração foi o desenrolar do enredo em si e todos os gêneros que ele conseguiu englobar. Tem drama familiar, assassinato, a discussão de temáticas importantes como a disseminação de conteúdo impróprio entre adolescentes, por exemplo, conflitos de amizade, um suspense que envolve a gente por inteiro, cenas de ação que me tiraram o fôlego e, claro, no meio de tudo isso ainda houve espaço para um romance. A escrita é fluída e leve, o cenário é descrito com precisão e o entrelaçar das histórias de Chris e os três amigos se dá de forma surpreendente. Considero este um dos melhores livros de suspense policial lidos por mim nos últimos tempos e, na minha opinião, ele não deixou a desejar em nenhum aspecto.

Eu recomendo uma mentira perfeita para qualquer um que curta se emocionar, rir, refletir e perder algumas batidas de coração durante uma leitura, porque ele é do tipo que nos causa tudo isso de uma só vez.





Isabela Rocha
Estudante de jornalismo. Apaixonada incorrigível pelas palavras.
Aventuro-me por todos os gêneros,
desde romances água com açúcar, até os temíveis terror / suspense.
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