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[Resenha] Desencantada - por Carina Rissi

06 junho 2018

Título: Desencantada [Perdida #5]
Autor(a): Carina Rissi
Páginas: 476
Editora: Verus
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Sinopse: Valentina de Albuquerque descobriu muito cedo que não é nenhuma princesa encantada. Em vez de bailes e romance, tudo o que a jovem deseja é encontrar um jeito de viver com dignidade longe do pai e da madrasta, que tem como hobby fazer da vida dela um inferno. A oportunidade surge com uma proposta de casamento. Quase passando da idade de se casar, Valentina cogita aceitar. Seu coração não se alvoroça com o pretendente, mas ela não está à procura do amor. Seria um bom arranjo... se o capitão Leon Navas não cruzasse o seu caminho. O misterioso espanhol é mal-educado, irritante, atrevido — além de lindo —, e Valentina ficaria muito feliz se jamais voltasse a vê-lo. Mas o destino parece decidido a reuni-los, e, após um equívoco embaraçoso, ela está noiva de Leon, de quem pouco sabe, exceto que seu coração dispara toda vez que seus olhares se cruzam e que irritação não é o único sentimento que o capitão lhe desperta. Então Valentina sofre um terrível acidente. Assustada, porém disposta a provar que não foi um simples acaso, ela vai atrás do responsável. Entre suspeitas, disfarces, segredos e contratempos, a moça acaba sucumbindo à irresistível e devastadora paixão, sem se dar conta de que o perigo ainda está à espreita... Poderá uma garota nem um pouco encantada viver um conto de fadas e conseguir o seu final feliz?

Resenhas anteriores:

Perdida #1: Perdida
Perdida #2: Encontrada
Perdida #3: Destinado
Perdida #4: Prometida


Chegou a hora de conhecer a Srta. Valentina Albuquerque. Longe de casa e dos amigos com quem crescera, após a morte de sua mãe, nada parece ir bem na vida da jovem de quase 23 anos que perdeu a proximidade que um dia teve com o pai e, de quebra, ganhou uma madrasta que aparenta detestar todas as coisas do universo, incluindo a enteada. Para Valentina, os únicos bons frutos de sua nova vida são seu irmão mais novo, Felix, resultado do casamento de seu pai com a nova Mulher, miranda, e Manteiga, um cachorro que ela encontrou na rua e do qual jamais soube desgrudar. Depois de uma desilusão amorosa sofrida na adolescência, a possibilidade de um romance é algo impensável para ela. Porém, um certo capitão acaba de chegar na cidade e, no que depender dele, está prestes a mudar a história dessa garota desencantada.


"Tive um sobressalto. A tiara escorregou das minhas mãos inesperadamente frouxas ao passo que meus batimentos cardíacos se tornaram instáveis. Comprimi os dedos contra o estômago, onde um milhão de borboletas pareciam bater suas asas, uma palavra atravessando meus pensamentos. Um sussurro, um zumbido que não fazia nenhum sentido. Foi totalmente desconcertante.
E inquietante. Eu nunca vira aquele homem antes, estava certa disso. Ele tinha um ar diferente; nobre, mas um pouco insolente. Elegante e ao mesmo tempo perigoso, como um grande felino. Talvez fosse o rosto oval e anguloso, o maxilar rígido recoberto pela barba escura ou os cabelos negros e indômitos que davam essa impressão. Podia ser também a pele bronzeada, que ressaltava ainda mais a cor das íris, no mesmo tom cinzento do cristal na estátua de leopardo. Mais provável que fosse a cicatriz no lábio superior. A marca em meia-lua era quase imperceptível, mas estava ali, me alertando de que ele não era o tipo de cavalheiro com o qual eu estava acostumada a lidar.
Então a palavra que sussurrava em minha mente com muita insistência não tinha fundamento ou razão. Mas lá estava ela, cada vez mais alta e clara.
Você."

Tal como a atração imediata que parece surgir entre ambos no momento em que se encontram pela primeira vez, uma antipatia mútua vem de brinde. O capitão Leon Navas é um homem experiente, cheio de atitude e nada cortez, segundo os padrões com os quais Valentina está acostumada. Ainda assim, ela não consegue controlar, tão pouco compreender o frio no estômago que parece instalar-se dentro de si a cada vez que ele se aproxima. No que dependesse dela, esse encontro teria ocorrido apenas uma vez. Mas a vida tinha outros planos e, em um jantar organizado por sua própria madrasta e graças às peripécias de seu cãozinho, Manteiga, os caminhos de Lleon e Valentina podem se cruzar uma segunda vez e, mais ainda, sem chance de volta.

"Um graveto estalou atrás de mim, e uma sombra começou a se espichar no gramado. Gritei, atirando longe o assado.
Ouvi um urf! abafado e bastante humano pouco depois de me dar conta de que a sombra que eu via tinha o formato de um homem e não de um lobo. Girei sobre os calcanhares, a saia abraçando minhas pernas, e investiguei as sombras. Não consegui distinguir nada além do contorno escuro alto demais — e muito másculo. O assado, constatei tristemente, aterrissara a seus pés, o xale aberto feito uma toalha de piquenique.
— Quando disse que eu me parecia com um urso — começou ele —, pensei que fosse uma metáfora. Não imaginei que pretendesse me alimentar feito um, atirando comida em mim. Será que devo começar a rugir agora?
Atordoada, pisquei algumas vezes. Suas palavras ou o sotaque deviam ter me alertado, mas, transtornada como estava, não consegui raciocinar direito. O vulto deu um passo adiante, transpondo o assado com aquelas botas lustrosas, enfim saindo das sombras. Mesmo sob a luz pálida do luar, o rosto ainda era bronzeado, os cabelos indomados resplandeciam em tons de preto e azul, as íris cinzentas cintilavam como estrelas. O queixo não tinha mais pelos, mas lá estava o lábio com a cicatriz, se distendendo em um sorriso insolente.
Ofeguei.
— Capitão Navas!"

Nessa mesma noite, um pedido de casamento e um beijo dão um novo rumo à vida de Valentina, ambos vindos de pessoas distintas. Ela se vê obrigada a contrariar seu pai, forçada a fazer algo que não quer e, por fim, tem a chance de se aproximar ainda mais do homem que ela tanto detestou quanto se encantou, em um único dia. E, enquanto sua vida amorosa até então inexistente sofre mudanças significativas, um velho amigo da família chega para visitá-la e, o que ela ainda não sabe, traz consigo um segredo que destruirá suas convicções e partirá seu coração de maneiras incorrigíveis.

"Essa é a diferença. Os seres humanos criam regras. O amor não obedece a nenhuma. Não vê impossibilidades, posição social, gênero, religião, nada. Que deprimente pensar que alguém pode ser condenado simplesmente por amar. Que terceiros queiram decidir por quem seu coração vai pulsar.
Como se o amor por si só já não fosse complicado o bastante."




Não tem jeito. Assim como todo livro da maravilhosa Carina Rissi (especialmente os ligados à série perdida), eu iniciei a leitura de desencantada com as expectativas lá em cima e mais uma vez, me surpreendi com a capacidade que o livro teve de superar todas elas. O fato de que eu li tudinho em uma só noite, em uma única sentada já deve expressar um pouquinho do quão apaixonada a história da Valentina me deixou, né? E começando pela própria protagonista. Que mocinha mais cativante! É do tipo que a gente se identifica o tempo todo, admira, quer ajudar e tê-la como nossa melhor amiga. Uma garota doce e sensível, porém dona de uma força gigante, capaz de tudo para cuidar de si mesma e proteger as pessoas que ama. Um tantinho inocente e extremamente atrapalhada. Ela tem sua vida virada de cabeça para baixo e, ainda assim, sabe lidar com tudo de forma muito inteligente e sem perder o bom humor e o coração que acredita no melhor de cada um. Os personagens, em sua totalidade, são todos muito bem construídos e nos despertam diversos sentimentos. Leon, por exemplo, (e mais uma vez, assim como todos os mocinhos que essa autora tem o dom de criar), me deixou irremediavelmente apaixonada. Misterioso e imprevisível, durão e gentil ao mesmo tempo, com pitadas de vulnerabilidade escondidas entre a fortaleza que aparenta ser e muito divertido, Leon é aquele personagem que a gente só deseja arrancar das páginas e trazer pra perto mesmo. Aliás, tive o mesmo sentimento a respeito de Manteiga, um dos cachorrinhos mais simpáticos e leais que eu já encontrei nesse mundo literário. Confesso que, a certo ponto, até Miranda, a madrasta má, me causou certa empatia.

Apesar de apresentar um romance deliciosamente clichê, desencantada também tráz resquícios de mistério no enredo, o que torna tudo ainda mais empolgante. A cada página a gente morre de amor e de curiosidade, enquanto torce pelo casal e tenta desvendar o suspense imposto pela história. Sem falar nas gargalhadas que a gente solta a cada minuto, claro, porque eita livro cheio de cenas dignas de barriga doendo de tanto rir.

Além disso, outro ponto positivo de desencantada é que ele nos permite matar a saudade de Sofia, Ian e outros personagens dos livros anteriores da série perdida, o que me fez desejar ler tudo de novo de tão gostosinho que é. Não encontrei pontos negativos a serem destacados.

Eu recomendo esse livro (inclusive a série inteira), para qualquer um que curta se emocionar e dar boas risadas, personagens envolventes e uma trama repleta de criatividade.






Isabela Rocha
Estudante de jornalismo. Apaixonada incorrigível pelas palavras.
Aventuro-me por todos os gêneros,
desde romances água com açúcar, até os temíveis terror / suspense.
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