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[Resenha] Cira e o Velho - Por Walter Tierno

14 agosto 2018

Título: Cira e o Velho
Autor (a): Walter Tierno
Páginas: 232
Editora: Giz Editorial
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Sinopse: Cira, linda guerreira e bruxa, descende da antiga linhagem das sereias. Sobre o ombro esquerdo, carrega o feroz crânio de seu pai, Cobra Norato. No seu coração, traz o desejo de vingança contra o sertanista Domingos Jorge Velho, assassino de sua mãe.
Na colorida paisagem de um surpreendente Brasil Colônia, Cira encontra criaturas fantásticas como os reis animais, o guardião dos pés virados, os mboitatás e a irmã de seu pai, a terrível Maria Caninana. Mas a maior batalha de Cira terá como cenário o grande Quilombo dos Palmares, quando enfrentará, finalmente, o seu grande inimigo: o Velho.
Cira e o Velho, inspirado no Brasil do século XVII, é uma aventura cheia de ação, humor e surpresas, que mostra a história e o folclore brasileiros como você nunca viu!

Um misterioso viajante sem nome está em busca de uma antiga, mas quase desconhecida, lenda: Cira.

Quase nada se sabe sobre ela, exceto esparsos fragmentos que não dizem muita coisa, mas algumas pessoas, além de criaturas do folclore tupiniquim que vivem escondidas entre as pessoas, conhecem muito bem a história da guerreira e bruxa Cira, que descende da antiga linhagem das sereias.

Entre lendas, mitos e verdades, o narrador conta a saga de Cira desde seu nascimento até a busca por se vingar do assassino de sua mãe, que também quase a matou quando era criança. Mas talvez nem aquele que narre a história deixe de esconder segredos.







Dessa vez a resenhista orbitante dessa galáxia de ideias pega carona em uma máquina do tempo com destino ao Brasil colonial de Cira e o Velho, do autor brasileiro Walter Tierno, também autor de um dos contos de uma das minhas antologias favoritas, Amor Lobo, A Dama e o Poeta e do perturbador livro Anardeus, no calor da destruição.

A história tem um começo muito peculiar que, pelo menos para mim, ficou um pouco estranho, mas nem por isso menos interessante. Afinal, o narrador não gosta muito de viajar e se considera muito ruim para conseguir transporte, comida e acomodação. Não obstante, é a obsessão que o leva a viajar para vários lugares atrás de informações sobre a personagem título, Cira. Assim, embarcamos em uma viagem pelo Brasil Colônia, através, primeiramente, das palavras de Dona Nhá, nome real Tereza, que diz ter andado junto da protagonista e com ela vivido aventuras dignas daqueles filmes antigos que vivem passando em algum canal esquecido de TV a cabo ou Sky.




A narradora em questão tem um raciocínio muito único na hora de contar suas aventuras, além de usar uma linguagem que desafia seriamente o melhor dos linguistas, segundo as palavras do narrador, que curiosamente não tem nome. Mas o levado, ao invés de começar falando da heroína, resolve de cara nos apresentar a um dos vilões, o masculino principal da história, apelidado de O Paulista por motivos de que quase todos os sertanistas eram assim chamados pelos habitantes vindos de além-mar. Olha, amados orbitantes da Galáxia de Ideias, vocês não tem mínima noção do ódio que ele desperta até no mais calmo dos corações (o meu não é um deles com certeza). Os atos dessa criatura amaldiçoada são simplesmente as coisas mais horrendas e detestáveis que vocês conseguem imaginar. É ainda pior quando isso envolve a Cira e sua mãe, a bruxa Guaracy, a mando de ninguém menos que A vilã da trama, a tia dela, a maldita Maria Caninana, que por sinal é junto com o Norato (Honorato, na escrita original), uma lenda realmente existente no folclore brasileiro, outra que faz o leitor quase arrancar os cabelos de tanta raiva. Imaginem a seguinte junção: fósforo + gasolina.

Comentados os vilões, eis que no livro finalmente chega “a hora da verdade” para a então criança Cira. Simplesmente não tenho coragem de descrever como ocorre isso. Além de spoiler, é possivelmente uma das maiores barbaridades que se pode fazer contra uma criança e sua mãe apenas por interesses escusos. É de se perguntar como é que a Maria Caninana se tornou tão perversa quando ela tinha tudo, e eu digo tudo mesmo, para ser alguém muito melhor. Não que o Cobra Norato, pai da Cira, fosse um santo, mas se comparamos os dois, ele ganha disparado no quesito bom caráter. Embora se criem algumas controvérsias quando o narrador fala com Norato. Ou pelo menos em teoria, que eu explico depois. Ou pelo menos vou tentar, já que isso também é spoiler. Ainda, o autor cria uma variação da lenda do Cobra Honorato e da Cobra Caninana, que na versão amazonense tem uma diferença bem grande.



Após o ocorrido, passam-se vários anos. A pequena tornou-se adulta em razão de um desesperado último recurso usado por Guaracy. Em uma bela mulher, diga-se. Linda, porém, muito perigosa e mortal quando resolve focar-se na vingança contra O Paulista. Mas até que esse dia venha, nossa protagonista trilha um longo caminho. No que nele liberta um grande grupo de escravos de uma fazenda, despertando O ódio no coração de uma personagem. (Estou olhando para Kill Bill e Beatrix Kiddo. Favor, Tierno, anotar essa sugestão para um spin-off.) Além de causar uma série de problemas para outro, um padre, que também dá a sua pitada para o conhecimento do narrador, que parece acreditar com excessiva credulidade em coisas que teoricamente são apenas lendas. Sem contar um detalhamento histórico digno de um doutor em História que o Walter Tierno faz muito bem obrigada!

Além disso, ela aprende muitas coisas, incluindo lutar capoeira em Palmares com Mestre Joaquim, que viria a ser o primeiro amor da vida dela. Um lindo romance que infelizmente não dura. E adivinhem por culpa de quem? Os vilões, lógico! Quem mais além deles estão determinados a matar a Cira e o porquê? Ambas respostas são spoilers que não posso revelar.

Entretanto, embora o livro se chame Cira e o Velho, não apenas temos as aventuras de Cira, mas também a história do Cobra Norato (Honorato), que é o mote para todo o ocorrido com a filha favorita dele. Afinal, se não fosse pelas trágicas circunstâncias, pelo menos no livro, do nascimento das cobras gêmeas, não teríamos a história aqui contada. Honestamente, a coisa é de uma sordidez tamanha que é impossível descrever sem ter vontade de dar um tiro na Maria Caninana. Sério, ela é cobra no sentido mais figurativo possível da palavra. O fato de ela ser literalmente não tem nem como comparar. Eu até me atrevo a dizer que era até melhor ela ter ficado na forma animal sempre. Aí, porém, o Norato não teria virado pai da Cira. Observem orbitantes, vida de leitor é essa eterna contradição entre opiniões.



No fim das contas, o grande amor fraternal, e até mais que isso, que ela sente pela Nhá no correr da trama, faz com que ela acabe tomando uma decisão que viria a deixar a História tal como conhecemos e trilhe um longo caminho pela vida afora vivendo aventuras ainda mais complicadas que a batalha de Palmares. Como assim? Isso tudo é spoiler, portanto não posso contar os detalhes e muito menos descrever, se bem que as palavras me faltam nessa hora, o Posfácio. Esse maldito infame que botou sentido em muitas das palavras estranhas anteriores do narrador. Estou falando mais sério do que de costume. A virada é possivelmente o “verdadeiro final” mais surpreendente que eu já vi em anos lendo todo o tipo de história! O autor decerto era fã daqueles jogos que se tinha de jogar não sei quantas vezes para se chegar ao real fim da história.

É justamente esse diferencial que tornou Cira e o Velho ainda mais excelente do que eu já achava mesmo antes de ter lido, no que ecomendo com força a leitura para quem deseja conhecer o folclore do nosso Brasil e de quebra, ler uma maravilhosa e bem amarrada trama.









Renata Cezimbra
Professora desempregada, leitora voraz,
escritora doida e vampiróloga amadora.
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