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[Resenha] Tudo aquilo que eu não disse - por Kathryn Hughes

17 agosto 2018

Título: Tudo aquilo que eu não disse
Autor (a): Kathryn Hughes
Páginas: 352
Editora: Astral Cultural
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Sinopse: A vida da doce Tina Craig parece estar destinada a mesmice dos anos 70: ela vive presa em um casamento infeliz com um marido problemático. Isso desafia Tina a unir todas as suas forças para sair desse abismo e finalmente conquistar a paz de espírito que ela tanto quer. Seu destino toma um rumo diferente quando ela encontra uma carta escrita em setembro de 1939. A carta, que nunca chegou ao destino certo, lhe traz uma nova esperança, um alento para o seu coração tão maltratado. Tudo muda de figura quando a vida de Tina se choca com os destinos do casal Billy e Chrissie, trazendo William, um jovem em busca de sua mãe biológica, para sua jornada por conta de um mero acaso.


 "Ela podia sentir o desespero dele. Já vira tudo aquilo antes. Nesse estágio, ele faria e diria qualquer coisa para acalmá-la. O ciclo era tão familiar."

Quando Tina Craig entrou no ônibus e encontrou um motorista moreno e bonito que chamava atenção e que sorriu para ela, imaginou que seu felizes para sempre teria finalmente chegado após sua vida triste na qual ficou órfã e sozinha no mundo bem cedo. Porém, tal crença durou pouco, e no dia de seu casamento, logo no início de sua lua de mel, Tina descobriu que aquele talvez fosse na realidade o início de seu inferno particular quando Rick, seu novo e bêbado marido lhe atingiu com um tapa. À medida que os dias e depois os anos passavam, Tina viu sua situação se agravar intensamente, e cada um de seus dias era imaginado como o último, pois a cada novo soco ela tinha certeza que iria morrer. Cansada, com dificuldades financeiras e trabalhando diversas horas para cumprir com as obrigações das contas a pagar, ela decide que gostaria de deixar o marido, e quando ele encontra e gasta as parcas economias de Tina em uma aposta de cavalos e é contemplado, ela vê a oportunidade perfeita de partir de vez.  No mesmo dia em que decide fugir, Tina encontra por um acaso, no bolso de um velho paletó na loja de bazar na qual ela trabalha, uma antiga carta nunca enviada, datada da segunda guerra mundial, com a história de um amor aparentemente perdido e uma família desfeita.



"— Aqui. Esse é Billy. — Passou uma foto muito antiga pela mesa. Tina encarou o belo jovem em uniforme do exército. — Se encontrar o filho dele, dê esta foto e diga que o pai dele foi o mais gentil, corajoso e belo homem que já existiu."

Na carta, escrita por um homem chamado Billy em 4 de setembro de 1939, mas sem qualquer selo de correio e com o envelope lacrado, o que significava que a correspondência nunca havia sido enviada, ele pedia perdão para alguém a quem chamava carinhosamente de Chrissie, e falava sobre seu coração estar partido e as coisas se acertarem. Assim, entre a tentativa de construir uma nova vida para si no ano de 1973 e também sob tentativas de reatar a relação com o marido, Tina apenas tem a curiosa história da carta como uma forma de fugir do seu mundo desastroso, e é assim que ela descobre a história de Chrissie, a filha de um proeminente médico e Billy, o garoto pobre e órfão que fora resgatado por uma mãe amorosa, e vai descobrindo todos os percursos do destino, incluindo um pai rígido que faria de tudo para separar o casal e desentendimentos dolorosos e irreversíveis no longínquo ano de 1939.

"— Mas minha mãe nunca soube disso. Se ela tivesse recebido essa carta, as coisas teriam sido diferentes.
— Eu sei. É por isso que senti que tinha que tentar encontrá-la e entregar a carta."

Dessa maneira, à medida em que a vida de Tina parece se tornar mais difícil, ela encontra uma chance de talvez tentar devolver aquela carta, dar um fim feliz para a história de pessoas que pareciam se amar tanto e talvez essa possa ser a forma de ela própria encontrar e voltar a acreditar no felizes para sempre, ainda que isso pareça impossível. Com escrita fascinante e arrebatadora, encontramos a história de duas mulheres fortes, cada uma em sua época, que viveram e sofreram com seus destinos relegados à mãos cruéis, e nos emocionamos com os possíveis desfechos e com as duras e belas descobertas feitas por cada uma delas.

"Não sou muito bom nesse tipo de coisa, como você sabe, mas neste momento meu coração está partido, e isso me incentiva a seguir em frente. O jeito como a tratei ontem foi imperdoável, mas, por favor, saiba que foi apenas a comoção e não reflexo dos meus sentimentos por você. Esses últimos meses foram os mais felizes da minha vida. Sei que nunca disse isso para você antes, mas eu a amo, Chrissie. Se você permitir, quero passar cada dia que nos resta juntos provando isso. Seu pai me diz que você não quer mais me ver, e não a culpo, mas agora não somos apenas nós dois - há um bebê que deve ser levado em conta. Quero ser um bom pai e um bom marido. Sim. Chrissie, esse é meu jeito desastrado de pedi-la em casamento. Por favor, diga que será minha esposa, para que possamos criar nosso filho juntos. A guerra pode nos separar fisicamente, mas nosso laço emocional será inquebrável.
Preciso que me perdoe, Chrissie. Amo você."



Eu sou uma romântica incurável e adoro boas e bem escritas histórias de romance, e fico ainda mais encantada quando encontro histórias sobre amores perdidos e dramáticos e romances difíceis, e quando uma sinopse ousa falar em carta, essa é a palavra chave para me ganhar de forma definitiva. Então, quando descobri o lançamento de Tudo aquilo que eu não disse, logo comprei o livro, mas com tantas leituras na frente, acabei esquecendo-o por algum tempo. Porém, recentemente, enquanto pensava que queria uma história que não se passasse nos tempos atuais, andando por minha lista de leitura, passei por esse título e após relembrar sua sinopse e na mesma hora senti que ele seria o que eu estava procurando, e realmente, foi uma obra fascinante, que eu gostaria de ter lido antes para descobrir o quão incrível é, mas ao mesmo tempo gostaria de reler tudo de novo, só para me maravilhar com a história mais uma vez.

Tudo aquilo que eu não disse é um livro com dois lados e que tem a possibilidade de agradar tanto os fãs de romance quanto os de drama, isso porque por um lado, ele termina de uma forma razoavelmente feliz e satisfatória, mas por outro, no caminho temos perdas irreversíveis e dolorosas, que acabam cumprindo bem o seu papel dramático. Ainda, essa é uma história daquelas viciantes, que nos impulsionam a continuar lendo só para descobrir o que virá pela frente, e tem aquela capacidade de com sua descrição nos levar para os cenários descritos, e conseguimos sentir o desespero de Tina quando ela apanha do marido ou quando quer acreditar que dessa vez ele irá mudar de verdade, e sentimos nosso coração partido junto com Chrissie, quando seu amor intenso tem um fim abrupto e inexplicável e os problemas posteriores que surgem em sua vida antes pacata.

Além disso, o fato de o livro trazer capítulos que se passam no ano de 1973, onde encontramos o presente de Tina, e depois o momento de 1939 e os anos seguintes, com as passagens relacionadas a Chrissie, nos deixam de certa maneira com a mente voltada para as duas personagens, e ambas as histórias nos prendem a ponto de quando estamos acompanhando a leitura sobre uma personagem ficamos pensando na outra e como a história dela se desenrola e vice-versa.

Um dos pontos mais positivos é o fato de o livro ser fluído, e embora ele não seja a trama mais original do mundo, pois encontramos com frequência romances que falam de amores perdidos nas guerras e destinos que se modificam de forma completa devido a esse evento que arrastou e mudou todo o mundo, mas a autora traz um toque todo especial, construindo personagens únicos e imperfeitos que nos cativam de certa maneira a ponto de desenvolvermos um forte afeto por eles. Também, uma característica interessante desse livro é que ele não traz descrição de campos de concentração ou pessoas lutando nas frentes de guerra, e nem da guerra em si, e sim sua história se passa no princípio desse evento e mostra como tudo começou a se modificar, mesmo quando ainda não havia a presença de bombas e mortes em si.

Esse é um drama, então, certamente para leitores que não apreciam muito esse gênero essa pode ser uma leitura com alguns pontos negativos, haja vista que encontramos descrições e algumas violências domésticas para com Tina, embora essas não sejam piores que outras encontradas em outros livros que trazem alguma situação de violência contra a mulher, e descreve também a morte de alguns personagens, embora nada exagerado, apenas fatos típicos presentes nos dramas.

Embora tenhamos homens marcantes na obra, são as personagens femininas que mais chamam atenção e nos marcam e causam uma infinidade de sentimentos. A primeira com quem temos contato é Tina, a personagem que vive no ano de 1973 e ela é uma mulher forte, bastante humana, carregada de esperança e sonhos singelos de apenas viver bem, e em alguns momentos nos deixa com raiva devido as suas dúvidas, mas ao mesmo tempo nos faz sentir uma certa identificação com ela, pois toda vez que ela reagia de certa forma eu conseguia me colocar em seu lugar e devemos entender que é um contexto diferente, pois era o início dos anos setenta, e nessa época as mulheres estavam apenas começando a ganhar voz e coragem para agir, vindas de uma história de dominação masculina de séculos. Já Chrissie é uma protagonista que por vezes é um pouco passiva, e me ressenti com coisas que ela mesma poderia ter mudado, mas não mudou por sua passividade, mas, assim como não consegui ter RAIVA DE Tina, também não consegui odiar Chrissie e apenas tive afeto por ela, pois ela era uma garota de dezenove anos saindo de uma vida de superproteção para conhecer um novo mundo e estava tendo contato com coisas das quais jamais ouvira falar antes. Quanto aos outros personagens, temos Billy, William e Jackie que surgem cada um a seu tempo no enredo e são homens admiráveis e que contrapõem os terríveis Rick e Samuel, que são os responsáveis pela maior parte do sofrimento que está presente na obra.

O livro, que é o primeiro publicado da autora aqui no Brasil é narrado em terceira pessoa, e dividido em quarenta e dois capítulos mais prólogo e epílogo. Apesar de ser um drama, a escrita é de fácil leitura e o e-book, meio pelo qual realizei a leitura foi muito bem feito e bem revisado.

Recomendo essa história para os fãs de histórias dramáticas de amor, perda, superação e reencontros. Esse é um ótimo enredo que promete nos sensibilizar e fazer refletir, à medida que embarcamos na história de dor e amor de cada personagem.






Tamara Padilha
Leitora compulsiva com foco em quase todos os gêneros
(exceto os romances de época e ficção científica).
Apaixonada por escrita, e em breve bacharel em direito.
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