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[Precisamos falar sobre...] Ansiedade e como cada um lida com a sua

02 outubro 2018
#pracegover: banner com os dizeres - Precisamos falar sobre: ansiedade e como cada um lida com a sua



Faz 21 dias que eu fui diagnosticada com algo que eu já sabia ter há um bom tempo, mas que eu não tratava de teimosa que sou. Estou tratando, mas sei que tenho um longo caminho pela frente. Provavelmente eu precise de bem mais que só uma única dose de remédio todas as manhãs.

Ansiedade.


Uma palavra que há anos, e honestamente não sei precisar quantos, vinha me perseguindo, mas nunca tinha realmente parado de fugir e encarado “pra valer”, no que eu ficava no meu mundo particular lendo e escrevendo, na tentativa de ignorar que isso não iria resolver tudo. Acreditem, essa não foi a decisão mais fácil da minha vida e permanece não sendo porque desde então venho tendo um enorme bloqueio criativo que está acabando com a minha alegria e para ficar pior, essas eleições tem posto à prova a minha paciência, que não é tanta, mas que eu ando tentando aumentar porque não tê-la piora as coisas ao invés de melhorar.

Precisamos, e muito, falar sobre isso. Talvez porque você que está lendo possivelmente tenha, mas não ainda a coragem de começar efetivamente um tratamento, como eu.


Primeiramente, o que é Ansiedade?

Ansiedade é um sentimento que deveria ser normal para todos, uma emoção normal do ser humano, comum ao se enfrentar algum problema no trabalho, antes de uma prova ou diante de decisões difíceis do dia a dia. (Retirado desse link.) É justamente disso que vem as causas da minha. SEMPRE quero que tudo dê certo e não raramente eu acabo “metendo os pés pelas mãos” porque a pessoa que deveria sair beneficiada acaba não saindo porque eu fiz algo que ela não queria ou me ataco de raiva porque quando não dá certo dificilmente reajo bem e eu sei que não é o correto. Não por má intenção ou temperamento ruim (embora eu não negue ter personalidade forte), mas porque a minha cabeça diz que “eu não deveria falhar”. Foi o que aconteceu há poucos dias, quando eu deveria ter escutado uma pessoa sobre algo que eu deveria fazer e fiz o contrário, causando um contratempo indesejado, resultando na pessoa me avisando disso falando mais uma vez que eu deveria prestar mais atenção no que eu faço.

Não que eu não queira, mas infelizmente a ansiedade faz, em boa parte do tempo, com que a minha mente trabalhe em um raciocínio muitas vezes automático quando eu sempre tive a consciência de que isso não é assim. Razão pela qual eu comecei a me medicar, pois preciso controlar essas sensações e mais importante, a trabalhar a minha, digamos assim, incapacidade de aceitar falhas ou que eu preciso sempre fazer o que considero mais certo quando nem sempre a outra parte vai concordar por motivo A, B ou C. Bem, esse é o meu caso, mas outras pessoas tem ações diferentes das minhas. Quem quiser comentar o seu caso nos comentários, esteja livre para fazê-lo.

Creio, orbitantes, que não cabe aqui detalhar a minha vida pessoal, mas acredito, depois de pensar bastante, que essa minha “incapacidade de aceitar falhas” venha desde muito mais tempo do que eu imagino.

Quem me conhece sabe que eu sou filha de uma família humilde formada por uma zeladora agora aposentada e um aposentado deficiente visual, ambos com pouco estudo. Mais ainda, sabem que eu valorizo DEMAIS o estudo e o conhecimento porque tanto meu pai quanto a minha mãe sempre me incentivaram a estudar para “não seguir o mesmo caminho deles”. O que me criou o hábito, que admito ser péssimo, de esfregar na cara dos outros o que eu sei, coisa que tenho mudado, ainda que eu incorra nisso algumas vezes ainda. Porque minha paciência com gente ignorante costuma ser totalmente zero. Não que os empregos dos meus pais fossem ou sejam menos dignos que outros, mas eles queriam que eu tivesse melhor sorte do que eles na vida e isso sempre me impulsionou a querer fazer mais e melhor e não raro me acometia uma enorme tristeza quando no final eu ficava com notas mais baixas do que eu gostaria. Com o tempo isso foi amainando, mas uma parte acabou indo para outros aspectos da minha vida, o que talvez explique porque eu ainda não estou empregada.

Sem contar a traição de um amigo que culminou no fim de uma amizade de dez anos que deixou o meu emocional horrível e me fez ter uma dificuldade ainda maior para me abrir com as pessoas e confiar nelas. Porque quando sou amiga, sou daquelas que ama com o coração e a alma e daria a vida se preciso fosse, mas quando não gosto, ou melhor, odeio, outro péssimo hábito emocional, sou incapaz de fingir que não me incomodo. (A famosa cara de bunda.) Se você ler nesse link o parágrafo que vem logo depois do texto, vai saber o motivo de eu ter me identificado tanto com a Malu de Quando o amor bater à sua porta, da Samanta Holtz.

Com certeza reside o provável real motivo, no caso o maior deles, da minha ansiedade nos problemas de interação social. Pois por mais que eu tente interagir realmente bem com as pessoas, não raro eu acabo exagerando ou falando mais do que eu deveria ou até acabo soando forçada, coisa que não gosto. O que me causou nada menos que duas reprovações de laudo psicotécnico para um concurso no qual fui nomeada. Isso acabou virando o mote para que eu finalmente admitisse que precisava de ajuda. Creiam, não foi uma decisão fácil e permanece não sendo porque a minha cabeça insiste em permanecer usando as mesmas justificativas e desculpas e eu tento de todas as formas contrariar os efeitos da ansiedade, sendo um deles a oncofagia, o famoso hábito de roer unhas, que eu larguei faz um bom tempo, mas meus dedos ainda sofrem os efeitos de anos de vício.

O que eu quero escrevendo tudo isso? Que se você perceber que não dá mais conta de empurrar com a barriga, o que fiz por anos, procure ajuda, seja do modo como for. Não é vergonha admitir ser incapaz de lidar com isso sozinho e consequentemente querer ser ajudado.

Lembre-se, porém, que o maior beneficiado com isso é você mesmo. Apenas você pode escrever a sua história. Eu, agora, sinto que posso escrever melhor a minha.







Renata Cezimbra
Professora desempregada, leitora voraz,
escritora doida e vampiróloga amadora.
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