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Clichês e estereótipos literários - Parte 01

18 dezembro 2017


Olá caros leitores.

Esse é um texto que estou preparando há algum tempo, e, originariamente, eu traria uma lista com os principais clichês e estereótipos literários e falaria um pouquinho sobre cada um deles. No entanto, como não sei escrever pouco, o texto estava ficando enorme, então decidi separá-lo em categorias.

Clichês e estereótipos literários não são, necessariamente, uma coisa ruim, na verdade, acho que a maior parte das críticas em relação a eles fica por conta de uma questão de gosto. Por exemplo, eu não ligo e até gosto quando os livros trazem triângulos amorosos, mas sei que isso já se repetiu tanto que incomoda demais algumas pessoas.

Neste texto eu vou falar um pouco sobre os clichês e estereótipos mais comuns em fantasias voltadas ao público juvenil.

Sabemos que fantasias voltadas ao público juvenil existem há muito tempo. Mas sabemos também que se tornaram extremamente populares após o sucesso estrondoso que foi Crepúsculo em 2008. Depois disso, vários autores reproduziram algumas “fórmulas” utilizadas pela autora de Crepúsculo na tentativa de reproduzir o sucesso de sua série. Então, agora vou falar um pouco sobre essas fórmulas:




1. Triângulo amoroso

Esse é um clichê que incomoda muitas pessoas. Sempre leio comentários de pessoas que dizem passar longe de livros quando sabem que vão encontrar um triângulo amoroso. Sendo bem sincera, não deixo de ler um livro por conta disso e não é algo que me incomoda muito, mas eu também já estou ficando um pouco enjoada.

Se eu percebo que o livro vai focar demais no romance e que ele gira em torno de um triângulo amoroso, eu simplesmente me desligo do romance (porque não gosto de abandonar leituras) e foco nos demais aspectos. Aliás, estou gostando bem mais de fantasias que não focam tanto no romance e dão mais ênfase a outros aspectos do enredo, mas é uma questão de gosto pessoal mesmo.







2. Mocinha passiva, tímida, desastrada, inocente e virginal

Normalmente nesses livros o mocinho tem poderes sobrenaturais, então cabe à mocinha o papel de ser protegida enquanto espera passivamente toda ação acontecer à sua volta.

A autora de Crespúsculo recebeu tantas críticas em relação à passividade da Bella (que, verdade seja dita, é bem mais culpa da falta de expressão da atriz que interpretou seu papel nos cinemas, do que da personagem de fato criada pela autora) que acabou reescrevendo Crepúsculo invertendo os gêneros: Bella se tornou um personagem masculino e Edward se tornou um personagem feminino, na tentativa de provar que Bella só era tão passiva porque era a única que não possuía poderes sobrenaturais vivendo em meio a seres sobrenaturais.

No entanto, o caso é que eu me identifiquei com a Bella quando tinha 14 anos e li o livro pela primeira vez: leitora, tímida, sim, inocente, desastrada (por conta da timidez), eu até me dava bem nos esportes (diferente da Bella), mas morria de vergonha de praticá-los na frente de outras pessoas. E eu acho é essa a real razão do sucesso da fórmula: as meninas se identificam com o esse tipo de personagem.

E acho que é justamente por isso que eu não me incomodo com esse estereótipo quando ele aparece em livros voltados ao público juvenil. Apesar de que hoje eu prefiro quando as personagens principais participam da ação e têm um papel importante no enredo, como acontece em Instrumentos Mortais.

Agora, quando essa fórmula aparece em personagens adultas isso me incomoda sim, mas é assunto para outro post.






3. Romance instantâneo

Os dois mal se conhecem, nunca tiveram uma conversa de verdade, mas sentem uma atração fortíssima, ela obviamente, porque o cara tem a aparência perfeita, além de claramente ser bom em tudo. E ele vê perfeição nela, apesar de todos os defeitos dela, e, já estão loucamente apaixonados e não conseguem viver um sem o outro.

O fato de a Bella quase ter morrido quando o Edward a deixou incomodou muita gente, e realmente parece passar a mensagem errada para adolescentes. Mas vamos falar a verdade: nessa fase somos um pouco dramáticos mesmo, não? Acho que a intenção era fazer com que o público alvo se identificasse e também passar aquela ideia de amor maior que tudo.

Quanto ao clichê em si: sim, esse negócio de romance instantâneo me incomoda demais e está muito comum nos mais variados gêneros. O problema nesse caso não é nem a repetição, é que eu não consigo me identificar com o romance e “entrar” na história, o que pode torná-la um tanto “sem sal” em alguns casos.

3.1. E aqui temos um estereótipo dentro de outro: o mocinho talhado à perfeição, enquanto a mocinha não é lá tão bonita ou é totalmente insegura e não acredita na própria sorte por ter conseguido atrair o mocinho.

E, sinceramente, isso me incomoda, principalmente por serem livros que têm adolescentes como público alvo. Um livro que quebra esse paradigma é o Fortaleza Negra, de uma autora nacional, que apresenta uma personagem principal cheia de curvas, que mesmo sendo chamada de gorda, não se deixa abalar e sabe que é bonita.

Mas eu não sou hipócrita e reconheço que é fácil apontar o que a autora poderia ter feito de diferente depois que o livro foi lançado. Seria legal sim se ela tivesse criado uma personagem mais confiante para estimular seu público alvo, mas é o que sempre digo, gosto e acho importante escrever esse tipo de post para estabelecer discussões, não para criar verdades absolutas ou para “lacrar”.








Só para deixar claro, antes que venham me apedrejar: não estou dizendo que a Stephenie Meyer foi pioneira no uso desses clichês, só estou dizendo que eles tornaram-se mais populares no gênero depois que a série Crepúsculo foi lançada.

E, como vocês podem ter percebido ao longo do post, eu não considero clichês e estereótipos literários algo necessariamente ruim. Na verdade, é mais uma questão de gosto: como é algo que se repete, alguns vão incomodar determinado leitores, enquanto outros não, e assim a vida segue.

Espero que tenham gostado do post.

Até logo menos!







Barbara M. Cabalero
Advogada, concurseira e apaixonada por livros desde criança.
Meu gênero favorito é fantasia, mas sou bastante eclética,
leio quase todos os gêneros.
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17 comentários:

  1. Só discordo de vc em um ponto. As pessoas não gostam não pq não é um gênero que curtam, mas porque estão cansadas msm. Em uma discussão sobre clichê em um grupo de autores eu comentei que já estava cansada do milionário que se apaixona pela empregada da empresa dele e vieram me dizer que eu não gostava só pq não era meu genero - logo eu a louca dos Romances e dos romances eróticos - eu estou muito cansada mesmo. Até leio, as vezes sou supreendida, mas na grande maioria das vezes os clichês são tao mal trabalhados que eu nem consigo levar a leitura adiante - tá faltando emoção, tá faltando trama. Adoro um bom romance, mas tudo demais cansa. Outro clichê que tô cansada são os livros adolescentes é sempre a msm coisa, ainda leio fantasias com os personagens jovens, mas não leio mais nada que se passe no nosso cotidiano - não sei qual q dificuldade de criar personagens menos chatos, mas atualmente eles tem sido insuportáveis. Enfim, esse dos adolescentes chegou ao ponto de me repelir da leitura. Uma hora vc começa a se afastar, é normal, principalmente qnd o mercado tá saturando a cabeça da gente com uma porrada de mais do mesmo.

    Raíssa Nantes.

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    1. Oi. Então, eu comentei que se incomodar ou não com os clichês é uma questão de gosto pessoal. Por exemplo, eu não me incomodo com triângulos amorosos, mas muitas pessoas já não suportam de tanto que se repetiu. Quanto à relação patrão/empregada eu também estou de saco cheio, já li mais de 10 livros com essa temática, já deu!. Acho que está mais do que na hora de os autores deixarem essa síndrome de Cinderela para trás e começarem a inovar.
      Obrigada pelo comentário.
      Beijos.

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  2. Oi tudo bem? Adorei a ideia do post. Estou cansada desses clichês também e ultimamente tenho preferido ler fantasia pelo mesmo motivo que você. Desses itens que você citou, o único que eu ainda dou uma chance é triângulos amorosos (mas se o autor focar só nisso também é tchau e benção, eu largo mesmo sem dó! A vida é curta demais para forçar a barra rs.)
    Quando a estória de um livro faz muito sucesso, como crepúsculo (exemplo de triangulo amoroso, etc), Cinquenta tons de cinza (Mocinha passiva, tímida, desastrada, inocente e virginal) e entre outros livros que até viraram filmes, parece que a galera quer fazer igual e isso acaba "saturando" nós leitores, que chega uma hora que a gente está tão cansado que deixamos de conhecer autores com grande potencial, que infelizmente resolveu abusar mais ainda de algo que já cansou. Mas disso tudo o que mais me irrita são esses homens perfeitos, e essas mocinhas gratas que nem acreditam que conseguiram um "Deus grego". Por isso definitivamente, coloquei como meta não ler hot ano que vem. Quem sabe quando algo diferente entrar nesse genero eu volte a ler.
    Parabéns pelo post !
    Bjs

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  3. Adorei seu post, super criativo! Realmente encontramos muito disso em quase todas as leituras, mas concordo que seja questão de gosto e ainda acho que a maneira como o autor trabalha essas coisas influencia muito no que achamos do livro depois. Parabéns pelo post!
    by: atravesdaescrita.blogspot.com

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  4. Olá Bárbara, tudo bem?

    Eu não costumo gostar muito de clichês, mas sabe que no final das contas é o que a gente mais lê hoje em dia né? Difícil encontrarmos uma história propriamente original. Sempre encontramos alguns traços de vários outros livros.

    beijos

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  5. Achei o post super criativo! São coisas que encontramos muito nos livros kkkkkkk Faz a parte 2!
    Beijos

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  6. Coragem a sua tocar nesse assunto tão delicado. Realmente é uma questão de gosto, mas, romances do período de romantismo já traziam esses temas que hoje são considerados clichês. Não chega a ser um problema, contanto que a escrita seja boa, envolvente e a história bem contada. E no mais, o importante é ler, né?

    bjs
    Dani

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    1. Oi.
      Não acho que seja questão de coragem, até porque aqui é um cantinho para falarmos sobre livros de forma geral. O "problema" que ressaltei nesse post foi que muitos autores começaram a reproduzir uma "fórmula" de um livro que fez sucesso e isso fez, inclusive, com que o gênero em si fosse alvo de críticas durante um período. Nada com intenção de ser ofensivo e sim de levantar discussão. Até porque, se o livro for realmente bom, pode ter todos os clichês do mundo que vai continuar sendo bom.
      Obrigada pelo comentário.
      Beijos.

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  7. Que post necessário! Esses esteriótipos de fato me incomodam, não é algo que me faria abandonar um livro mas sim algo que estou tão acostumada que quando começo a notar, logo penso"lá vem, mais do mesmo" é bom que os autores se atentem a isso e percebam que os leitores de certa forma não são bobos e isso não é mais uma fórmula de sucesso e sim algo que vem saturando a literatura.

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  8. Oie tudo bom?
    Olha, eu nem leio romances e um dos motivos é exatamente os clichês.
    Pode parecer que não, mas é fácil demais cair em um quando se resolve aventurar numa história de amor. E posso falar? Clichês já deu! Cansa demais.
    Achei esse post super necessário, quem sabe os autores não melhoram esses requisitos aiushdiauhs

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  9. bem, eu confesso que os clichês me incomodam, quando a narrativa é bem trabalhada,ok, mas tem leitura que eu pego e fico 'pqp que porra é isso?' e reviro os olhos...

    ando enjoada de triângulos,de bad boys estereotipados de roqueiros, mocinhas que 'resgatam' o vilão e ele se transforma num exemplo de pessoa, por ai...
    acho que por isso ando cada vez mais intolerante com romances juvenis...

    bjs...

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  10. Oi, Bárbara
    Concordo com você que Crepúsculo foi a porta para muitos livros parecidos para os adolescentes. Eu amo romances, mas também estou enjoada de algumas coisas que você citou ao longo do texto. Triângulos amorosos é algo que varia, né? Tem alguns que são bons, pois são trabalhados de uma forma mais madura. O que não gosto é quando colocam tipo "uma rival" para atrapalhar o casal principal hahah Aff, essa realmente já deu. Mas li vários triângulos que amei!
    AMei o post!

    Blog Livros, vamos devorá-los

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  11. Olá, quem não gosta de um bom clichê? Isso quando o enredo é bem construído e não gira somente sobre isso.

    Abraços

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  12. Oie! Tudo depende do ponto de vista do leitor e claro da forma de escrita do autor, eu por exemplo, odeio tudo isso que tu falou, não por não gostar, mas por estar enjoada de sempre a mesma repetição, o mesmo conteúdo que não mostra nenhuma novidade, já tentei de todas as formas ler os livros com esse enredo, mas não conseguia, até QUE, você percebe que é o autor que muitas vezes peca nesse sentido, cheguei a ler muitos nacionais (e estrangeiros) que usam os mesmos clichês, mas são bem construídos e que atraem o leitor mesmo sendo clichês, entende?
    Bem resumindo, mesmo não gostando desse tipo de leitura, devemos dar a chance de ler algo que mesmo usando a fórmula gasta, inova no conteúdo.
    http://www.kammykrysthin.com/
    Xoxo

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  13. São clichês fortissimos mesmo, mas o que mais me incomoda é o da mocinha semi virgem e atrapalhada. Isso representa quem? Quem quer ser representada assim? Acho desnecessário.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  14. Olá.
    Eu também não acho que clichês literários são algo ruim, as vezes eu até gosto de pegar um bom livro e saber o que vai acontecer, tudo depende da maneira que o autor conduz a história, se ela vai ter sucesso ou não só depende dele. Eu gosto muito do clichê tímida, desastrada e inocente, aliás amo isso nos livros. Mas paixão instantânea não é muito o meu forte, sem falar em triângulos amorosos, que na maioria dos casos são mal construídos.

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  15. Olá!
    Os clichês fazem parte da literatura, é inevitável não encontrar pelo menos alguns nos livros, as vezes nós lemos muito um gênero e acabamos ficando "enjoados" de tal coisa. Eu Adoro ler romances, mas quando percebo que estão muito repetitivos eu paro pego outro gênero, amo um bom romance, mas confesso que triângulos amorosos me incomodam um pouco, e até que não tenho lido romances de triângulos amorosos. ótimo post!

    beijos!

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