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[Resenha] O diabo ataca em Wimbledon - Por Lauren Weisberger

02 fevereiro 2018

Título: O diabo ataca em Wimbledon
Autor (a): Lauren Weisberger
Páginas: 400
Editora: Record
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Compre: Amazon || Submarino || Americanas

Sinopse: "Até onde você iria para chegar ao topo? Da mesma autora de O diabo veste prada”!
Quando a tenista queridinha dos americanos, Charlotte “Charlie” Silver, faz um pacto com o diabo — o treinador carrasco Todd Feltner —, é catapultada para um mundo de estilistas famosos, festas exclusivas, jogos beneficentes a bordo de iates gigantescos e encontros românticos com a realeza hollywoodiana. Sob a nova direção impiedosa de Todd, Charlie, a menina boa, já era. Todd só quer saber de Charlie, a “Princesa Guerreira”. Afinal de contas, ninguém chega ao topo sendo bonzinho. Revistas e blogs de fofocas seguem Charlie freneticamente em suas viagens pelo mundo perseguindo vitórias em Grand Slams e manchetes no Page Six. Mas, quando a estrela da Princesa Guerreira ascende dentro e fora das quadras, há um preço a pagar. Num mundo obcecado por aparências e celebridades, estaria Charlie Silver disposta a se perder para vencer a todo custo? De Wimbledon ao Caribe, do US Open ao Mediterrâneo, O diabo ataca em Wimbledon é um passeio sexy e perversamente divertido por um mundo em que as apostas são altas — e as regras do jogo nem sempre são respeitadas.



 "— Marcy, quero deixar uma coisa muito clara aqui: eu vou me recuperar dessa lesão. Eu vou ficar entre as dez melhores. Eu vou vencer um Grand Slam. E eu preciso que você acredite nisso. Tenho vinte e quatro anos, Marce. Não estou velha, mas obviamente não estou ficando mais nova. Se eu quiser fazer alguma coisa grande, tem que ser agora. Não daqui a dois anos, nem três. Já, neste momento. Eu me esforcei demais para desistir agora, e espero que você não desista também."

Desde a primeira vez em que pegou em uma raquete de tênis, aos quatro anos de idade, Charlotte Silver, ou Charlie, como gostava de ser chamada, se apaixonou pelo esporte. Sua infância, ao contrário da de outras crianças que passavam as tardes brincando, foi em uma quadra, aprendendo as melhores técnicas com seu pai, um ex-tenista profissional que após a aposentadoria da profissão se tornou treinador. à medida que Charlie crescia, sua paixão aumentava, porém, quando a mãe morreu, pediu para que ela fosse mais devagar e não se impusesse aquilo antes de ter certeza do que queria. Foi dessa forma que Charlie tentou levar uma vida menos focada no tênis e foi para a universidade, no entanto, após um ano percebeu que sua vida era realmente o esporte, e abandonou o curso para ir para as quadras. Foi com essa garra e determinação que Charlie chegou ao top dos melhores tenistas em 23º lugar, no entanto, ela queria mais, gostaria de ser a número um do mundo e batalhava diariamente para isso.

"— Claro, querida. Seguindo o plano de Todd para torná-la mais agressiva e confiante nas quadras, nós faríamos o possível para espelhar essa ousadia fora delas. Para isso, gostaríamos de nos livrar da Charlie Menina Boazinha e transformá-la na... está preparada? Na Princesa Guerreira."

No entanto, após um jogo no qual se machucou, e após um  tratamento duro, sua treinadora, Marcy, começa a incutir em Charlie que talvez ela não poderia voltar a jogar. Revoltada e achando que a mulher já não fazia o suficiente por ela, Charlie decide que irá voltar sim, e com toda a garra do mundo, dessa vez para ganhar. É dessa forma que ela contrata Todd Fewtner, um treinador famoso por levar seus tenistas ao topo, mas também conhecido por ser um homem muito duro e rígido, atormentando-os e levando-os ao limite da exaustão. E, após pouco tempo Charlie conhece Todd e suas exigências de perto: inicialmente, para ele nada é suficiente, e em sua opinião Charlie precisa dar cada vez mais duro, além disso, segundo o treinador, a imagem de competidora que apertava a mão de suas adversárias terá de sumir, e a garotinha inocente com tranças e fitas coloridas precisa dar lugar a princesa guerreira, que sai em capas de revistas com vários homens famosos, que usa roupas arrasadoras e que vai a festas de luxo,  e todd também espera que Charlie se torne alguém que não se importa de passar por cima dos outros para vencer. A princípio, Charlie aceita e concorda com as novas mudanças, e até mesmo se sente bem e diferente com elas, entretanto, após um acontecimento importante e marcante em sua vida, ela se questiona se aquele é realmente o caminho correto e se passar por cima dos princípios que aprendeu vale a pena, somente para ganhar.

"— Já conversamos sobre a estratégia. Você sabe como esmagar essa garota. Use esta partida como uma chance de praticar como ser uma completa megera. Ela não representa nada para você, só uma sujeirinha sem importância que você vai mandar direto para o esquecimento depois de pisoteá-la com 6–0, 6–0. Entendido?
Charlie abriu a boca para dizer algo, mas Todd levantou a mão. Seu rosto chegou ainda mais perto.
— Você é uma maldita de uma guerreira, Charlotte Silver, e guerreiros vencem. O que eles não fazem é abraçar os adversários e perguntar sobre sua mãe ou esperar e rezar para que todos os adorem. Você me entendeu?
— Sim — respondeu Charlie.
— O que você é? — perguntou ele.
— Uma guerreira.
— E o que guerreiros fazem?
— Vencem."

Com uma trama engraçada, leve e instigante, o diabo ataca em Wimbledon vai das quadras de tênis até as festas mais famosas e interessantes, e traz uma variedade de temas que tem a capacidade de nos intrigar e cativar e devoramos as páginas com avidez, a fim de descobrir o esperado desfecho.

"Todos fazemos besteira. Espera-se que nos desculpemos e façamos a coisa certa, mas a vida continua. — Ele levantou o queixo dela com o dedo para olhar em seus olhos. — Tudo bem, menina? Pode fazer isso por mim?"







Não há coisa melhor do que um bom chick-lit para nos tirar de qualquer ressaca literária, ou melhor, não há nada melhor do que um bom chick-lit sempre, principalmente quando este for um livro cativante, que nos faz devorar cada página e nem ver o tempo passar. E, posso dizer que é exatamente isso que Lauren Weisberger nos oferece nesse enredo, que é fascinante, encantador e delicioso, e uma trama daquelas que deixa um eterno gostinho de quero mais, e certamente se a autora trouxesse mais umas 800 páginas desses personagens, eu ainda iria continuar lendo e me encantando.






Na verdade, desde a primeira vez em que li essa autora, com o famoso Diabo veste Prada, o qual tem um filme homônimo, percebi sua habilidade em trazer as mulheres no mundo do trabalho e suas dificuldades, percalços e as coisas pelas quais muitas abrem mão.  Isso no geral se torna uma grande fonte de identificação, pois muitas de nós, mulheres reais, também passamos pelo que as protagonistas dos livros da autora passam, e é possível nos identificarmos com suas tristezas, dúvidas e ambições, e com O diabo ataca em Wimbledon não foi diferente, e ele fez com que eu me tornasse ainda mais fã de Lauren.

Em primeiro lugar, devo esclarecer que O diabo ataca em Wimbledon, apesar da semelhança com o nome do primeiro livro da autora, O diabo veste Prada, não traz semelhanças com a primeira trama. Ambos são livros diferentes, independentes e em nenhum momento se entrelaçam. Dito isso, preciso ressaltar todos os pontos positivos que encontrei nessa trama, e foram muitos que mal sei por onde começar. Mas, provavelmente, o que me cativou de primeira foram os personagens, eles são completamente reais, engraçados, dramáticos, enfim, contém todas as características que vemos em nós mesmos, e isso faz com que criemos um afeto quase que imediato por eles. E, falando em afeto, cabe aqui uma forte ênfase na família de Charlie, composta por seu pai e irmão, que são homens dignos, admiráveis, com belas histórias e que estão ao lado da sua menina independente das decisões que ela toma ou independente do que pensam sobre elas.






Outro ponto que foi bacana para mim se deu pois eu sempre tive um estranho fascínio pelos ambientes esportivos (apesar de não entender absolutamente nada do tema), e então ver Charlie falando de tênis o tempo todo foi bem gostoso para mim. Além disso, o livro contém uma escrita bastante fluída, que me fez devorá-lo em um único dia (sim, comecei a ler e só parei quando terminei, sem qualquer pausa), e fala de romance, mas em nenhum momento esse é o grande foco, e sim Charlie, sua vida e seus dilemas, e também apesar de trazer vários dilemas, tudo é abordado com muita leveza e sensibilidade. Ainda cabe destacar que nessa obra encontramos discussões sobre o papel da mulher, os preconceitos relacionados a elas, principalmente no tênis, que é considerado um esporte masculino, e também da situação de as mulheres esportistas serem mãe e esposa x ser uma esportista que viaja boa parte do ano, pois vemos claramente aqui que quando se trata de um homem acompanhando uma mulher isso é visto como ridículo, improvável e impossível, e quando é uma mulher que larga tudo para seguir seu marido esportista está tudo bem e ela não está fazendo mais do que sua obrigação.






O humor funciona de diferentes formas para cada leitor, e tudo depende muito do momento e do senso de humor de cada um, então, enquanto para mim cenas leves e divertidas foram um ponto positivo, para outro pode ser o ponto negativo do livro. Além disso, acompanhar a vida de Charlie e tantos fatos sobre tênis pode ser entediante ou irritante, para quem não gosta nada desse ambiente esportivo. Ainda, o final, com o romance que não se desenvolveu tanto, e uma certa  decisão de Charlie que pareceu um tanto estranha podem se mostrar incômodas para o leitor, mas o livro me prendeu de tal forma que acabei não me apegando a esses detalhes.

Charlie é uma personagem que me cativou desde o primeiro momento, e a forma como ela é construída serviu para me despertar uma simpatia imediata, uma vez que ela não é uma personagem perfeitinha, e sim uma mulher cheia de defeitos, dúvidas e tentativas de erros e acertos como é de hábito nos chick-lits. A família da protagonista também é muito presente, o que nos faz criar afeto por eles, sendo Peter, o pai de Charlie, um homem que ficou viúvo e teve de aprender a criar sozinho os filhos adolescentes e o fez muito bem, e Jake, o irmão que é também empresário de Charlie, e é uma pessoa que traz uma história secundária linda e tocante. Ainda, outros personagens como Marcy, a primeira treinadora de Charlie, bem como outros tenistas e até mesmo tod são super bem construídos e nos despertam desde o amor até a raiva.






O livro é dividido em 23 capítulos, todos narrados em terceira pessoa e em cada um deles acompanhamos meses da vida de Charlie, desde o dia em que ela tem a terrível lesão e toda a sua volta ao esporte que ama. Ainda, realizei a leitura em ebook e não há erros.

Recomendo essa história para leitores que apreciam livros leves, divertidos e que ainda assim tem algo a nos ensinar e mostrar, e também para os fãs de chick-lit ou para quem quer conhecer o gênero, todos os livros dessa autora, em especial esse, são incríveis e nos deixam com um sorriso no rosto e um imenso gostinho de "quero ler os livros dela para sempre".








Tamara Padilha
Leitora compulsiva com foco em quase todos os gêneros
(exceto os romances de época e ficção científica).
Apaixonada por escrita, e em breve bacharel em direito.
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