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[Resenha] O Jardim das Borboletas - Por Dot Hutchison

07 fevereiro 2018

Título: O jardim das borboletas
[The Collector #1]
Autor (a): Dot Hutchison
Páginas: 304
Editora: Planeta de Livros
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Sinopse: Quando a beleza das borboletas encontra os horrores de uma mente doentia. Um thriller arrebatador, fenômeno no mundo inteiro. Perto de uma mansão isolada, existia um maravilhoso jardim. Nele, cresciam flores exuberantes, árvores frondosas... e uma coleção de preciosas “borboletas”: jovens mulheres, sequestradas e mantidas em cativeiro por um homem brutal e obsessivo, conhecido apenas como Jardineiro. Cada uma delas passa a ser identificada pelo nome de uma espécie de borboleta, tendo, então, a pele marcada com um complexo desenho correspondente. Quando o jardim é finalmente descoberto, uma das sobreviventes é levada às autoridades, a fim de prestar seu depoimento. A tarefa de juntar as peças desse complexo quebra-cabeça cabe aos agentes do FBI Victor Hanoverian e Brandon Eddinson, nesse que se tornará o mais chocante e perturbador caso de suas vidas. Mas Maya, a enigmática garota responsável por contar essa história, não parece disposta a esclarecer todos os sórdidos detalhes de sua experiência. Em meio a velhos ressentimentos, novos traumas e o terrível relato sobre um homem obcecado pela beleza, os agentes ficam com a sensação de que ela esconde algum grande segredo.


Ela é Maya agora, mas já foi Inara, algum dia. Em algum dia ainda mais distante, ela também fora uma garotinha cuja identidade é desconhecida pelos policiais que, pouco a pouco, tentam extrair informações da pessoa misteriosa que se tornara. O objetivo? Desvendar um crime cujas vítimas são um grupo de jovens mulheres marcadas por duas coisas que as ligará para sempre: um grande trauma e uma tatuagem de borboleta.

"A luz que atravessava o teto era de um forte tom de lavanda, e cindia aquele começo de noite cor-de-rosa e anil. Era meio da tarde quando fui levada, mas, sem saber explicar bem por quê, eu não conseguia acreditar que ainda estávamos no mesmo dia. Eu me virei lentamente, tentando assimilar tudo, mas era pedir demais. Meus olhos não conseguiam ver metade do que havia ali, e meu cérebro não conseguia processar metade do que meus olhos enxergavam.
— Mas que merda é essa?
Lyonette soltou uma risada, um som forte que ela logo interrompeu, como se temesse que alguém pudesse ouvi-la.
— Nós o chamamos de Jardineiro — disse ela de modo seco. — Adequado, não?
— O que é este lugar?
— Bem-vinda ao Jardim das Borboletas."

Esta é a história de gerações e gerações de borboletas que tiveram suas asas cortadas e foram impedidas de voar. Mais especificamente de um homem, vulgo Jardineiro, que tinha como hobby sequestrar garotas entre dezesseis e vinte anos, mantê-las prisioneiras em seu jardim, violentá-las quando bem entendesse e, o que sua mente perversa julgava ser recompensa o suficiente, alimentá-las e deixá-las sob seus cuidados e seguras, menos de si mesmo. Até que completassem 21 anos, fossem mortas e empaladas e assim estivessem prontas para, eternamente, compor sua coleção de borboletas.

"— Era o que eu fazia sempre que o Jardineiro entrava no meu quarto — ela anuncia com ousadia. — Não ia lutar, porque não queria morrer, mas também não ia fazer parte daquilo. Então eu o deixava fazer tudo o que ele queria e, para manter minha mente ocupada, recitava os poemas de Poe."

O livro é narrado em terceira e primeira pessoa, respectiva e alternadamente, de modo que o leitor possa acompanhar o interrogatório feito à Maya, e também toda a história contada por ela, desde sua vida antes do cativeiro e os problemas enfrentados no passado, até todo o horror vivido durante o sequestro.








Iniciei a leitura de O Jardim das Borboletas com expectativas lá em cima, já que ele me fora muito bem recomendado. Não me decepcionei. Confesso que, a princípio, temi achar a leitura um tanto monótona demais, sem muita ação. Porém, logo isso se modificou com toda privação de liberdade a qual as meninas eram submetidas, os conflitos internos que claramente lhes acometiam ao se darem conta de que estavam em um lugar aparentemente impossível de fugir, totalmente a prova de som, comandadas por um homem de meia idade que tinha mulher e dois filhos. Um homem que, em sua cabeça, acreditava na sinceridade do amor doentio que nutria por suas borboletas. Um homem que lhes impunha uma tatuagem e um nome novo, fazendo-as temer esquecer os seus próprios. Um completo psicopata.







Todo o cenário e os personagens são extremamente bem construídos, de modo que possamos nos sentir parte do lugar e tão presos quanto as moças ali presentes. Experimentamos agonia, raiva e angústia a cada página, juntamente com cada uma delas. E, por trás de tudo isso, sentimos também amor. Amor pela família peculiar formada por aquelas garotas que tiveram suas vidas tiradas de si, pela forma como cuidam e defendem umas às outras. Não é um livro isento de violência física, claro, já que o próprio abuso sexual e a violação da liberdade já simbolizam isso, mas também não é um livro cujo foco são as cenas de agressão física. Elas existem, mas não são maioria. O emocional dos personagens é bem mais explorado e eu acredito que isso tenha tornado tudo ainda mais intenso, impactante.







Maya, como fora nomeada pelo Jardineiro, é uma garota cheia de coragem e dificilmente intimidável, o que a torna, de certa forma, uma líder entre as outras garotas. Não faz o estilo maternal com mimos e carinhos, mas sabe ser a força que suas amigas de cativeiro necessitam. Ela faz com que queiramos ajudá-la e ser a força dela também. O Jardineiro, por sua vez, é claramente maníaco, visto que apesar de sequestrar e abusar sexualmente das garotas, parece acreditar que é capaz de fazer algum bem a elas. Sua família é composta por uma mulher doente que apenas é citada na história, e dois filhos que possuem grande importância no enredo, cada um a seu modo. As outras garotas, chamadas personagens secundárias, também tem grande papel na emoção trazida pelo livro, ainda que as características de algumas delas, na minha opinião, tenham sido pouco exploradas.







Eu recomendo O Jardim das Borboletas para qualquer um que goste de leituras envolventes, fortes e marcantes. Ele vai mesmo saber direitinho como deixar a sua marca em você.










Isabela Rocha
Estudante de jornalismo. Apaixonada incorrigível pelas palavras.
Aventuro-me por todos os gêneros,
desde romances água com açúcar, até os temíveis terror / suspense.
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1 comentários:

  1. Oi Isabela. Já coloquei o livro em minha lista de desejados, pela sua resenha!
    Fiquei bem intrigada por causa do que você escreveu e como estou procurando por livros de temáticas mais fortes e profundas, e não mais simples e até superficiais, resolvi que finalmente vou ler O Jardim das Borboletas!
    Beijos

    www.blogleituravirtual.com

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