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[Resenha] Não Há Segunda Chance - por Harlan Coben

13 junho 2018

Título: Não Há Segunda Chance
Autor (a): Harlan Coben
Páginas: 385
Editora: Benvirá
Skoob || Goodreads
Compre: Amazon


Sinopse: Com a vida por um fio, Marc Seidman descobre que seu verdadeiro pesadelo está para começar. Afinal, ele fora baleado, sua mulher está morta e sua filha, desaparecida. E ele não sabe em quem confiar: em uma ex-agente do FBI ou nos seqüestradores, que mandam recados cada vez mais dúbios. Intriga, mistério e suspense de tirar o fôlego.

Um verdadeiro caos. É nisso que se transforma a mente do Dr. Marc Seidman quando ele acorda em um quarto de hospital, sendo monitorado por aparelhos e médicos quando, na verdade, era ele quem costumava exercer tal função. A confusão dá lugar à dor e ao pânico no momento em que é informado que, além de ter sido atingido por uma bala no peito e permanecido em coma durante doze dias, sua mulher, Mônica, foi assassinada, provavelmente pela mesma pessoa que tentou matá-lo, e sua filha, Tara, de apenas seis meses, está desaparecida desde então. Em algum lugar, em seu íntimo, ele sente que a a bebê ainda está viva. Enquanto se recupera, Marc promete a si mesmo que dará tudo de si para encontrar Tara e trazê-la de volta. Para isso, ele conta com o carinho de sua mãe e o apoio constante do melhor amigo, o advogado Lenny. Porém, assim que recebe alta do hospital, as coisas pioram para o médico quando ele é intimado a ir até a casa do ex sogro, Edgar, um homem rico e arrogante por quem nunca tivera muita empatia.

"Se você contatar a polícia, nunca mais terá notícias nossas, nem dela. Portanto, tome cuidado, porque estamos de olho. Temos um informante infiltrado, e suas ligações telefônicas estão monitoradas. Não toque neste assunto por telefone. Nós sabemos que você é muito rico, vovô. Queremos dois milhões de dólares. Vovô vai providenciar a grana, mas queremos que seja papai a nos entregar o resgate. Junto com este bilhete segue um telefone celular. Nem o aparelho nem a linha podem ser rastreados, mas nós temos o controle. Se alguém discar, ou usar o aparelho, não importa a forma, saberemos. E aí sumiremos para sempre, e vocês nunca mais verão a criança. Vovô, libere a grana e entregue a papai. Papai, fique com a grana e o celular. Vá para casa e aguarde. Entraremos em contato e diremos como proceder. Siga à risca nossas instruções. Um passo em falso, e você nunca mais verá sua filha. Não há segunda chance."

Após um pedido de resgate, não há como evitar a crescente desconfiança e discórdia entre Marc e o sogro. Incerto sobre que decisão tomar, Marc pede ajuda ao amigo, Lenny que, como advogado o instrui a contatar a polícia imediatamente, mas como amigo e conhecido da família, entende que talvez a coisa mais importante seja arriscar tudo e resgatar Tara. Como se não bastasse tamanha tensão, Marc passa a ter sua casa vigiada pela sombra de uma mulher e, toda vez que ele tenta segui-la, ela foge. Será que essa estranha aparição está, de alguma forma, ligada ao assassinato de Mônica e ao sequestro de sua filha? Será que toda essa situação tem alguma relação com Stacy, a irmã dependente química de Marc e que também está, há algum tempo, desaparecida?

"— Eu escrevi tudo num diário. E ele ainda está aqui.
— Aqui em casa?
Dina meneou a cabeça.
— Eu o escondi.
— A polícia deu uma busca na casa depois do crime. Eles vasculharam tudo.
— Eles não encontraram o diário, tenho certeza. Mesmo que tivessem encontrado, seria apenas um diário. Nada que interessasse para eles. Uma parte minha prefere deixar quieto. O que passou, passou; acabou, entende? Mas outra parte minha quer revolver e desenterrar tudo. Como se fosse um vampiro que, exposto à luz do sol, então morresse para sempre.
— Onde está?
— No porão. É preciso ficar em pé em cima da secadora para alcançar. Está atrás de um conduto, na área de tubulação em cima do forro. — Dina consultou o relógio, depois olhou para mim e cruzou os braços, como se de repente sentisse frio. — Está tarde.
— Você está bem?
Ela passou rapidamente os olhos outra vez pela cozinha, e sua respiração ficou irregular.
— Não sei quanto tempo eu ainda conseguiria ficar aqui.
— Quer procurar o diário?
— Não sei.
— Quer que eu o pegue para você?
Dina balançou a cabeça com veemência.
— Não. — Ela se levantou e tomou fôlego. — Eu preciso ir.
— Venha sempre que quiser, Dina.
Mas ela já não ouvia mais nada. O pânico se instalara, e ela se dirigia apressada para a porta.
— Dina!
Ela se virou repentinamente.
— Você a amava? — perguntou.
— O quê?
— Mônica. Você a amava? Ou havia outra pessoa?
— Do que você está falando?
O rosto de Dina ficou pálido. Ela começou a recuar, olhando para mim, petrificada.
— Você sabe quem atirou em você, não sabe, Marc?"

De repente a vida do Dr. Seidman parece ter se transformado em um mar de segredos, incertezas e saudade da filha. Após uma tentativa de resgate frustrada ele tenta seguir com seus dias e sua profissão, entretanto, anos mais tarde um novo contato é feito e novas pistas são oferecidas a Marc. Talvez haja, sim, uma segunda chance. Com uma determinação inabalável, contra todas as probabilidades e a opinião de todos, ele retoma a busca por sua filha e garante que dessa vez fará tudo à sua maneira. Como se não cansasse de lhe surpreender, a vida o aproxima novamente de Rachel, um grande amor de seu passado e que se tornou uma mulher misteriosa, viúva e ex agente da polícia. Uma mulher que pode ajudar (ou dificultar ainda mais, ele ainda não sabe ao certo), em sua procura pela criança desaparecida.

Quando a primeira bala atingiu meu peito, eu pensei em minha filha. Pelo menos é nisso que quero acreditar. Perdi os sentidos muito rápido. Na verdade, tecnicamente falando, nem me lembro de ter levado um tiro. Sei que perdi muito sangue. Sei que uma segunda bala passou raspando pela minha cabeça, provavelmente quando já estava inconsciente. Sei que meu coração parou de bater. Mas gosto de pensar que naqueles poucos instantes, enquanto eu morria, pensei em Tara.


Não há segunda chance é narrado em primeira pessoa, sob o ponto de vista de Marc.





Sempre abro os livros do Harlan Coben com as expectativas lá em cima e dessa vez não foi diferente. Sempre devoro tudo em uma única sentada, prendo a respiração a cada página e chego ao final com aquele gostinho de "quero mais", "preciso de mais!". Isso também não mudou. Não há segunda chance com certeza entrou para a lista das minhas melhores leituras do ano e sem dúvidas é um dos suspenses mais bem escritos e cativantes que já li na vida.

Marc Seidman é um protagonista heroico e simples ao mesmo tempo, cheio de força e determinação, porém sem nunca perder o carisma e os traços de vulnerabilidade. Não há como não admirar a forma como ele se dispõe a encontrar a filha a todo custo, o modo como mantém as esperanças e e a garra intactas. A gente torce, vibra e sente na pele cada instante de ação vivido por ele. Ação, inclusive, é um aspecto bastante presente no livro. Perseguição, tiroteio, sangue, momentos em que a gente acha que "opa, agora vai", só que não vai. Toda essa oscilação, aliás, vale também para os personagens. Os livros do Coben já me ensinaram que normalmente aquele que a gente mais confia é que é o vilão da história, e com esse não foi diferente. Desconfiei de várias pessoas, confiei em muitas outras e nada era o que parecia ser. Preciso admitir que, lá pelo meio da trama, eu já tinha adivinhado parte do mistério, tendo minha teoria confirmada no fim. A outra parte, porém, foi algo que eu jamais teria imaginado e que me deixou totalmente atônita. É impossível não se envolver com a maneira que o autor tem de construir os fatos, entrelaçar os conflitos e fazer a gente acreditar em coisas que não tem nada a ver, deixando de enxergar outras que são bastante óbvias. Em certos momentos do livro, e esse também não foi o único a me dar essa sensação, ele nos leva a questionar se não há uma explicação sobrenatural para o problema, de tão sem solução que o mistério aparenta ser.

E no meio de tanto mistério, o enredo ainda encontra espaço para um romance, dramas familiares e cenas de amizade. É um livro que nos mantém alerta o tempo todo, mas que também emociona. Eu recomendo não há segunda chance para qualquer um que seja fã de um bom suspense e para quem não é também, porque para mim um enredo inteligente desses merece todas as chances de ser lido.






Isabela Rocha
Estudante de jornalismo. Apaixonada incorrigível pelas palavras.
Aventuro-me por todos os gêneros,
desde romances água com açúcar, até os temíveis terror / suspense.
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