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[Resenha] A Colônia - por Ezekiel Boone

08 agosto 2018

Título: A Colônia
Autor (a): Ezekiel Boone
Páginas: 272
Editora: Suma de Letras
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Sinopse: Nas profundezas de uma floresta no Peru, uma massa negra devora um turista americano. Em Mineápolis, nos Estados Unidos, um agente do FBI descobre algo terrível ao investigar a queda de um avião. Na Índia, estranhos padrões sísmicos assustam pesquisadores em um laboratório. Na China, o governo deixa uma bomba nuclear cair “acidentalmente” no próprio território. Enquanto todo tipo de incidente bizarro assola o planeta, um pacote misterioso chega em um laboratório em Washington... E algo está tentando escapar dele. O mundo está à beira de um desastre apocalíptico. Uma espécie ancestral, há muito adormecida, finalmente despertou. E a humanidade pode estar com os dias contados.


"Ele tentou prestar mais atenção, e então ouviu alguma coisa. Sons ritmados. Folhas esmagadas. Quando se deu conta do que era, um homem apareceu de repente no ponto onde a trilha desaparecia em uma curva. Até mesmo a cem metros de distância, estava nítido que havia algo errado. O homem viu Miguel e gritou, mas Miguel não entendeu as palavras. O homem então olhou para trás e, ao virar a cabeça, tropeçou e tombou com força.
Algo que parecia um rio preto surgiu de repente atrás dele. O homem só conseguiu ficar de joelhos antes de a massa escura o cercar e cobrir.
Miguel deu alguns passos para trás, mas percebeu que não queria se virar. O rio preto continuou em cima do homem, agitando-se e se acumulando, como se contido por uma barragem. Havia movimento, pois o homem submerso continuava se debatendo. Então o caroço se desfez. A água preta se espalhou para cobrir a trilha. De onde Miguel estava, parecia que o homem tinha desaparecido.
E então a escuridão começou a avançar na direção dele, seguindo pela trilha e se aproximando com rapidez, quase tão veloz quanto uma pessoa seria capaz de correr. Miguel sabia que deveria fugir, mas o silêncio da água era quase hipnótico. Ela não rugia como um rio. Na verdade, parecia absorver o som. Só dava para escutar um sussurro, um farfalhar, como o ruído de uma garoa. O movimento do rio tinha uma beleza própria, pulsante, e, em alguns pontos, dividia-se e formava correntes distintas até se reagrupar um pouco depois. Conforme se aproximava, Miguel deu mais um passo para trás, mas, quando se deu conta de que não era um rio de verdade, de que aquilo não se assemelhava em nada com água, já era tarde demais."

Mike Rich é um agente que está se preparando para suas tarefas quotidianas habituais como policial, além de tentando, sem grande êxito, aceitar o casamento da ex mulher e consiliar os horários de trabalho e de ficar com sua filha, Annie. Não muito longe dali, Melanie, uma renomada cientista, vive o drama de decidir sobre terminar ou não o relacionamento casual que mantém com um de seus alunos da universidade onde leciona, Tronco. Uma relação que se iniciara após seu casamento com Manny, que agora é braço direito e amante da Presidente dos Estados Unidos, Stephanie, chegar ao fim. Era para ser apenas um dia comum, entre vidas que se entrelaçavam de alguma forma e conflitos pessoais que cada um buscava resolver à sua maneira. Entretanto, em um número elevado de bolsas de ovos espalhadas pelo país e uma arma mais letal do que qualquer um era capaz de imaginar, particularidades tiveram de ser deixadas de lado e todos se uniram em um único objetivo: sobreviver.

"Interessante era pouco para o que estava acontecendo com a bolsa de ovos. Aquilo tinha potencial para ser um daqueles momentos científicos que transformavam carreiras. Havia um ecólogo evolutivo em Oklahoma que começara a tentar ressuscitar ovos dormentes nos anos 1990, e em pouco tempo ele havia obtido sucesso com ovos que tinham décadas de idade. Contudo, no início dos anos 2000, ele já estava reanimando ovos de cem anos, e em 2010 conseguiu eclodir ovos com mais de setecentos anos. Sim, de fato, pelo que Melanie se lembrava do artigo, ele havia trabalhado com pulgas-d’água, que eram seres bem mais simples que as aranhas, mas ainda assim. A ideia não era completamente maluca. Então, se já era interessante ter encontrado uma bolsa de ovos calcificada de dez mil anos de idade em Nazca, que dirá vê-la eclodir."

O que havia nas tais bolsas de ovos? Era a pergunta que Melanie, como cientista, não podia deixar de se fazer. O que ela não esperava é que, o que a princípio parecia só mais um objeto a ser estudado pela ciência, tornou-se algo mortal e aparentemente impossível de se deter. As milhões de bolsas de ovos continham um número ainda maior de aranhas, mas não aranhas comuns. Aranhas cuja única fonte de alimentação era, ao que parecia, humanos. Diante de tantas mortes e sangue, uma cientista, um policial e a presidente do país, bem como todos os outros moradores, terão de descobrir, na melhor das hipóteses, um modo de vencer esses insetos que parecem invencíveis. Na pior delas, apenas precisarão manter-se vivos.






Iniciei a leitura de A Colônia pois estava em uma vibe literária muito voltada ao terror, porém, de início não acreditei que o livro me causaria tantos sustos ou pavor, do jeitinho que eu gosto. Engano meu. Nunca tinha lido nada do gênero voltado a essa temática, insetos carnívoros e tudo mais, e confesso que foi uma experiência maravilhosa. Eu, que normalmente já morro de medo dessa espécie de bichos, passei vários dias pensando nas aranhas e imaginando que cada coisa que encostava em mim poderia bem ser uma delas. Se eu gostei disso? Claro! Como eu sempre digo, livro de terror é pra dar medo e causar paranoia mesmo, se não for assim nem tem graça.

Além de não deixar a desejar no quesito terror, A Colônia também é um enredo recheado de personagens cativantes cujos problemas e histórias nos envolvem, o que foi outro ponto bastante positivo para mim. O meu favorito foi, de longe, Mike. Um homem doce e cheio de coragem que faz tudo para cumprir seu trabalho da melhor forma e proteger a filha, Annie, uma criança extreemamente fofa que também me despertou enorme carinho. Poder acompanhar não somente o horror apresentado na história, mas sim a personalidade e as vivências de cada um de um modo tão profundo, como o autor conseguiu trazer, foi algo que, na minha opinião, deu consistência ao livro e o tornou ainda mais recomendável.

Eu não encontrei pontos negativos a serem destacados e indico A Colônia para qualquer pessoa que curta uma boa história de terror atrelada a dramas familiares, amorosos e muito mais.









Isabela Rocha
Estudante de jornalismo. Apaixonada incorrigível pelas palavras.
Aventuro-me por todos os gêneros,
desde romances água com açúcar, até os temíveis terror / suspense.
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