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[Resenha] Pérola - O Ano do Dragão - Por Georgette Silen e Rosana Rios

11 setembro 2018

Título: Pérola - O Ano do Dragão
Autor (a): Georgette Silen e Rosana Rios
Páginas: 456
Editora: Callis
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Sinopse: China - Yuet Shing - 1356 - dinastia mongol Yuan
- Está aqui - disse, sem coragem para fitá-la.
Retirou um colar dourado que trazia sob a túnica rasgada. Algo na ponta Do cordão brilhou com a escassa luz; o clarão foi tão intenso que fez o discípulo desviar o rosto e atraiu o olhar da grande ave.
E ainda, a velha nada dizia. Observava Hien abrir o alforje e depositar junto ao colar peças de ouro, prata, jade branco e verde lapidado, que deviam valer fortunas. Quando terminou, Hien enxugou as lágrimas com as mãos e declarou, com simplicidade:
- Vim para morrer.
Brasil - São Paulo - ano do Dragão
Sombras surgiram, o clamor de gritos de sofrimento a alcançou e a pele foi tocada por dedos frios e quentes.
"A Lágrima da Ostra desperta o Dragão", disse uma voz feminina, fazendo-a estremecer. Lila piscou, refazendo-se das estranhas sensações. Um pânico silencioso tomou conta dela, que tentou tirar o bracelete do pulso. Puxou a joia de leve, depois com vigor.
Sacudiu o punho, afrouxou os dedos para que deslizasse, e até o mordeu. Nada. Não podia tirá-lo.
Uma trama repleta de mistérios e aventuras, em que o passado e o presente se encontram. Pérola e Hien estão conectados de alguma forma, mesmo pertencendo a tempos e locais tão distantes.

Pérola vive em São Paulo, no Ano Chinês do Dragão. Adolescente que não está nos seus melhores dias: odeia seu nome, preferindo ser chamada de Lila, é perseguida por colegas chatas que se acham mais que todo mundo, tem uma mãe que acredita em magia, foi abandonada pelo pai ainda criança e ainda vai precisar lidar com situações bem mais complicadas.

Hien, porém, vive muitos séculos antes, roubando para sobreviver em uma China antiga onde a Dinastia Yuan governa. Sem acreditar em nada e ninguém, ele se vira como pode em seu nada nobre ofício de ladrão.

Um bracelete dourado, entretanto, vai interligá-los de uma forma que nenhum dos dois espera. Cada um terá a chance de provar seu ponto para o outro. Ambos vão aprender muito. Pérola e Hien, porém, vão precisar colocar suas diferenças iniciais de lado se quiserem enfrentar um mal ancestral pronto para destruir tudo o que estiver no caminho para obter o poder de Long Mu, a mãe dos dragões.





Olá de novo, orbitantes amados da Galáxia de Ideias! Que tal uma fantasia moderna que se alterna entre a São Paulo dos dias de hoje e a China do século catorze? Se é isso que você está procurando, então permita a Lady Trotsky falar sobre Pérola – O Ano Do Dragão, que com certeza foi uma das melhores leituras da minha vida.

A história tem como protagonistas Pérola e Hien, vivendo em épocas e locais totalmente distintos. Ela, no ano do Dragão em São Paulo. Ele, na China do século catorze, na dinastia Yuan, a antecessora da célebre Ming, que muita gente conhece dos livros de História. Certo, mas, como raios eles estão ligados? Por uma linda joia que causa problemas a ambos. Uma, esquecendo que a curiosidade matou o gato. O outro, se apoderando do que não deve apenas por viver de roubar. Como, porém, a joia causa tantos problemas? Ambos descobrem, de um jeito muito ruim, que se usado, o bracelete concede poderes ao usuário. Gente, vocês conseguem ver onde isso vai dar? Em uma bela encrenca. Muito bem escrita, diga-se.



Conhecem a Witchblade? Isso aqui:


Pois bem, o efeito é basicamente o mesmo embora o bracelete faça pior, já que seu usuário pode transformar-se em um monstro caso não consiga controlar os poderes dos quatro elementos contidos na joia: fogo, água, terra e ar.

É a partir de Pérola xeretar mais do que deve que a história se desenvolve. Ela não apenas tem de lidar com os problemas típicos de adolescente, como escola, colegas chatos que vivem incomodando, trabalhos, provas e o fato de não ter pai, como também com um “Gasparzinho” que vive dentro do bracelete de dragão e é um rapaz muito lindo. Ou seja, a pobre Lila, apelido pelo qual ela prefere ser chamada, não poderia lidar com mais que isso, ou poderia? Sim, ela vai. Trabalhar na loja da senhora Mei para “pagar” o bracelete que ela pegou sem pedir. Enfrentar um deus chinês maligno que deseja o poder do bracelete da Pérola a qualquer custo, mesmo que para isso ele precise destruir tudo que houver no caminho. Se sentir seriamente atraída por Hu Qiu, vulgo Lucas, o filho da senhora da loja. Lidar com o fato de que a mãe tem magia no sangue. Too easy, não é? Só que não mesmo.



É com todas essas premissas que se desenvolve a trama do livro, de uma forma tão única e maravilhosa que é impossível não pensar em dar aquela largadinha só para não acabar rápido demais. Pérola é aquela protagonista que nós poderíamos encontrar em qualquer lugar e de quem até poderíamos ser amiga de tão palpável e real que ela é. A evolução dela como pessoa é fantástica, especialmente quando ela descobre que existe outras maneiras de encarar os problemas presentes.

Hien, por sua vez, é inicialmente a criatura mais desagradável do mundo e dá todos os tipos de pitaco possíveis em qualquer assunto onde ela se envolva, incluindo incentivá-la a agir maldosamente e falhar em controlar os poderes ganhos. Porque no meio disso há quatro testes impostos por Long Mu, a mãe dos Dragões (Game of Thrones mandou lembranças), que é a dona do poder que Hien roubou lá no começo da história. Meu Deus, que encrenca! Contudo, maravilhosa para uma boa apreciadora de maravilhosas histórias como eu.




Com o decorrer da história, porém, é impossível não pensar em como teria sido se Hien tivesse seguido um caminho diferente, reflexão que ele faz enquanto se relaciona indiretamente com Lila. O desenvolvimento da relação deles é um dos pontos altos do livro, começando em uma hostilidade das grandes para terminar no embrião de um muito possível romance. Acho que a frase A Lágrima da Ostra desperta o Dragão faz muito sentido também nesse aspecto. Pois ele acaba apaixonado por ela e se torna capaz de tudo para salvá-la de um destino pior que o dele, pois ele percebe: Pérola tem chance de fazer a coisa certa. Que ele só teve tarde demais, tanto que sequer pôde continuar desfrutando de uma vida feliz quando ele finalmente encontra, ou pelo menos ele assim pensou, a paz. A cena dessa parte é de partir o coração. Geo e Rosana, vocês me fizeram soltar lágrimas. Não sabem que é feio fazer uma dama chorar?

Outro ponto alto foi a maneira como o vilão foi neutralizado. Simplesmente o melhor “velho truque” que eu já testemunhei em muito tempo lendo todo o tipo de história. Mais um ponto altíssimo são as fidedigníssimas descrições da China antiga e a fidelidade com o elemento histórico e mitológico. Simplesmente um deleite para os olhos da imaginação. Só lendo para saber a maravilha que é porque se eu tentar descrever, sinceramente não logro. Inclusive estou com aquela vontade de conhecer o país após ler o livro.

E o final do Epílogo? Alguém que ninguém esperava deu as caras embora tenha feito rapidíssima participação em uma parte anterior. E pelo jeito vai rolar algo sério em razão disso. A frase final, só para deixar os leitores mais malucos, deixa uma monumental brecha, onde cabe um planeta Júpiter, para uma continuação, que eu realmente quero que aconteça.

Pérola – O ano do Dragão é altamente recomendado para quem gosta de mitologia chinesa ou quer conhecê-la a fundo e uma excelente, bem contada e desenvolvida trama.





Renata Cezimbra
Professora desempregada, leitora voraz,
escritora doida e vampiróloga amadora.
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